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Mestre Venâncio Mbande lança CD de Timbila

O artista moçambicano Venâncio Mbande lançou na segunda-feira, em Maputo, o seu primeiro disco de Timbila, um género de canto e dança típico dos Chopi, grupo etnolinguístico localizado na região entre Norte da província de Gaza e Sul de Inhambane.

Trata-se de uma das poucas obras discográficas moçambicanas de Timbila, género proclamado, em 2005, Obra Prima do Património Oral e Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). “Hoje, estou muito feliz, nem sei se vou apanhar sono”, disse Mestre Mbande, agora com 80 anos de idade, falando a imprensa durante a cerimónia de lançamento do seu disco, constituído por 11 músicas, produzidas com a Timbila.

Mbande, contudo, lamenta o facto de não haver muitas pessoas conhecedoras de Timbila ensinando esta arte aos mais novos. Como forma de preencher este vazio, Mbande possui na sua orquestra muitos rapazes, alguns com 11 anos de idade, incluindo seus filhos. “Eu ensinei professores brancos holandeses a dançarem Timbila e cantarem em Chopi, mas nós não nos ensinamos entre nós”, lamentou ele.

Aliás, essa é também constatação da Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD), instituição cultural responsável pela produção desta obra de Venâncio Mbande, no âmbito da celebração do seu 30/o aniversário de existência. A preocupação da CNCD também surge pelo facto de a maioria das instituições moçambicanas não apoiarem as iniciativas culturais do país, particularmente as de carácter tradicional, algo que dificulta o desenvolvimento e promoção da arte em Moçambique.

“Fizemos este concerto nesta data, para convocarmos a sociedade toda que olha os artistas como aqueles combatentes que sem arma na mão, descalços e sem uniforme, libertaram esta Pátria. Os artistas, independentemente do seu estatuto social, da sua expressão artística, também lutam e contribuem à sua maneira para desenvolver Moçambique a nossa pátria amada”, refere a CNCD, num comunicado de imprensa recebido pela AIM. O director da CNCD, David Abílio, contou um episódio vivido pelos artistas desta companhia em diversos países por eles visitados em missão de trabalho.

“Nas nossas viagens, procuramos divulgar a Timbila pelo mundo, mas, para a nossa surpresa, em alguns países onde chegamos as pessoas já conheciam este género, através do grande Mestre Venâncio Mbande. Encontramos com surpresa e satisfação, músicas gravadas e imagens de Venâncio Mbande, as vezes como a única referência de Moçambique”, referiu.

Na sua intervenção, o Primeiro- Ministro, Aires Ali, enalteceu a grandeza do Mestre Mbande, a quem considera de “cidadão preocupado com o seu país e com os valores altos da auto-estima”. “Precisamos de eternizar, promover e divulgar esta nossa arte”, disse o governante, ressaltando o gesto de Venâncio Mbande de partilhar a sua experiência com os mais novos, incluindo os seus próprios filhos. Mbande nasceu em Mbandeni, província de Inhambane no ano de 1930.

Aos seis anos de idade, começou a tocar Timbila, sob influência do seu tio e outros familiares. Aos 18 anos, o Mbande emigra para África do Sul para trabalhar nas minas de Ouro, onde em 1956, cria a sua própria Orquestra e começa a compor as suas próprias músicas. Assim, ele inicia a sua grande ascensão como um dos maiores mestres de música Chopi.

O Mestre Mbande só regressou a Moçambique em 1995 depois da sua reforma e de lá para cá, tem sido uma figura de referência e Embaixador da cultura Chopi.

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