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Membros da Frelimo rotulados como Sociedade Civil abocanham lugares nas Comissões Eleitorais provinciais

O calendário eleitoral elaborado pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) já está a ser cumprido, porque o tempo também começa a escassear. Sabe-se que em todo o país foram empossados, esta Terça-feira, os órgãos eleitorais, ou seja, membros das Comissões Provinciais de Eleições (CPE). E na Zambézia, este acto também aconteceu diante das autoridades governamentais e municipais. Entretanto, os cinco membros da Comissão Provincial de Eleições que tomaram posse, tem cores partidárias que se podem ver a olho nu. Por outras palavras, alguns vêm do partido Frelimo, onde militam como membros activos.

Uma investigação do Diário da Zambézia concluiu que, primeiro, este processo de eleição dos membros da Sociedade Civil (SC) está mergulhado em “trafulhices”. Ora veja-se: O Observatório Eleitoral, um órgão reconhecido como sendo da Sociedade Civil, pelo menos nesta parcela do país, assume que não foi informado sobre a tomada de posse dos tais membros que representam a SC.

Fausta Cipriano, do Observatório ao nível da Zambézia assegurou que ninguém lhe informou sobre o acto e muito menos quem são as pessoas vindas da Sociedade Civil que foram empossadas, uma vez que, do órgão onde dirige, algumas organizações entregaram candidaturas mas que não tiveram resposta.

Fausta explicou que tentou, na manha da Terça-feira, buscar informações nos órgãos competentes, neste caso no Secretariado técnico de Administração Eleitoral, mas infelizmente, não conseguiu obter nada que lhe pudesse agradar. Entretanto, a fonte do DZ prometeu não deixar que o assunto fique assim, sob pena de amanha a Sociedade Civil seja responsabilizada dum processo que não participou.

Para além desta fonte, também ouvimos António Chazoita, da Liga dos Direitos Humanos, por sinal também uma das organizações que compõe o Observatório. Chazoita afirmou também que não soube de nada sobre a tomada de posse e para ele, a informação estava a chegar em primeira mão através do nosso repórter.

Quando questionado sobre a proveniência os tais cinco membros que tomaram posse, a fonte disse não saber, tendo assegurado que, Quarta-feira, iria se deslocar a Comissão Provincial de Eleições para saber o que terá se passado, visto que nos encontros que eles organizaram para preparar as candidaturas, estas organizações, cujos membros tomaram posse, nem sequer fizeram parte, dai que fica a indignação.

Donde vem os cinco membros que tomaram posse?

Dos cinco membros da dita Sociedade Civil que tomaram posse, na manhã desta Terça-feira, como os da Comissão Provincial de Eleições, três vêm da Organização Nacional dos Professores, um da Organização dos Trabalhadores de Moçambique enquanto que um vem da Associação dos Amigos e Naturais de Namacurra.

Ou seja, neste processo a ONP entra com três membros, nomeadamente, Bonifácio Muiaia Paulino, Jone Dias e Emílio Mpanga Supelo, este último já eleito mesmo como sendo o presidente da Comissão Provincial de Eleições na Zambézia. A OTM-CS trouxe uma velha raposa, António Mangachaia e Associação dos Amigos e Naturais de Namacurra, trouxe a Sra Constância Constâncio.

Quem são estes senhores?

Jone Dias é um professor de carreira e, há dois anos, foi director na Escola Secundaria 25 de Setembro em Quelimane. Dai, foi convidado para concorrer as eleições internas no seio do partido Frelimo em que ele é membro para o cargo de Secretario do Comité da Cidade.

Não conseguiu ganhar e, mais tarde, foi transferido para o distrito de Chinde. Nunca deixou de militar no partido Frelimo, ou seja, é membro activo daquele partido. E, hoje, entra na CPE como sendo da ONP, quer dizer, um membro da Frelimo rotulado de Sociedade Civil para fazer parte dos órgãos eleitorais que vão dirigir o processo.

Constância Constâncio é esposa do deputado da Frelimo, Muibo e é professora. Para além de professora, Constância é membro da Frelimo na Zambézia e não só, pertence a bancada daquele partido na Assembleia Municipal de Quelimane. E, esta Terça-feira, entrou na Comissão Provincial de Eleições como sendo membro da Associação de Naturais e Amigos de Namacurra.

A CNE diz que pode ter havido falta de comunicação

Entretanto, contactado o chefe da Secção de Imprensa na Comissão Nacional de Eleições, Lucas José, este diz não entender de onde vem o barulho, porque, segundo o seu entender, este processo foi guiado pela CNE e com a participação de todos interessados.

Quando questionado sobre esta falta de conhecimento do acto por parte do Observatório Eleitoral nesta província, Lucas José afirmou que pode ter havido uma falta de comunicação entre a sede do Observatório com as províncias, dai que a CNE fez o seu trabalho.

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