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SELO: Sobre o “Fogo Cruzado” em Muxùngue, por Pedro Cossa

A Frelimo alerta

Face aos confrontos de Muxungue, a Frelimo diz: “O nosso patrão, o patrão da frelimo e do Governo de Moçambique é o maravilhoso povo moçambicano(…) A frelimo apela ao maravilhoso povo moçambicano, o nosso patrão, para que mantenha a calma, a serenidade, a vigência e denuncie, às autoridades, os actos e pronunciamento que atentam contra a unidade nacional a paz e harmonia”.

O “povo” agradece e reage

 

Obrigado por a Frelimo “estar connosco” neste momento de tensão e prometemos denunciar qualquer atentedo à paz e harmonia! Mas eu (como parte deste mesmo “povo patrão”) gostaria de pedir à Frelimo para que não me chame do “SEU PATRÃO”, pois com isso sinto-me muito OFENDIDO, quando lembro que ainda hoje eu “Patrão” da Frelimo, fui à serviço pendurado numa carrinha caixa aberta, enquanto andam de Navaras “oferecidos” e até sirenam para que saiamos da estrada para que passem a vontade!

Não estou a exigir um carro particular, muito menos um autocarro para subir de borla, mas sim falo de um autocarro que possa levar 50 pessoas do Zimpeto até à Baixa da cidade com segurança, sem estarem expostas à sol, chuva e frio!

Por favor, parem de nos insultar (ofender), e resolvam as vossas inquietações com a Renamo, nós não queremos pagar a factura da arrogância com as nossas vidas. Será que aqueles irmãos que morreram em Muxungue estiveram em Roma a negociar os Acordos Gerais de Paz e que não estão a cumprir com o acordo e já estão a pagar por isso? Já diz o provérbio “quando 2 elefantes lutam, o capim é que sofre”

Aqui, para mim, a questão não é quem foi o primeiro atacar o outro. Não vale a pena a Frelimo dizer que a Renamo atacou-nos, ou a Renamo dizer a Frelimo atacou-nos, mas sim o que está em causa neste “fogo cruzado” são as vidas perdidas que já mais voltarão!

Os “patrões” da Frelimo que foram recentemente considerados os terceiros mais pobres do mundo, apelam a Ranamo e a Frelimo, para que se reúnam e discutam as suas inquietações, e através desse diálogo, gostariam de viver um silêncio total das armas, gostariam de comparar Muxungue com qualquer outro ponto do país, gostariam de viajar de sul, centro à norte e vice-versa a qualquer hora e sem medo de nada nem de ninguém tal como têm feito desde que terminou a guerra.

Se em Moçambique estamos a 20 anos sem guerra (em paz), e volvido esse todo tempo, somos considerados os 3º mais pobres do mundo. O que será de nós caso eclodir uma guerra civil?! Por favor Frelimo e Renamo tratem dos vossos problemas sem armas, pois, esses mesmas armas não atingirão nenhum de vocês mas sim a nós civis indefesos.

A Frelimo, diz que está aberta ao diálogo, e isso faz me pensar em questionar-me o seguinte:

Afinal quando o presidente Guebuza encontrou-se com o presidente Dhlakama em porta fechada só se olharam um ao outro não falaram nada? Será que não dialogaram? O presidente do partido-República, agora vai falar algo diferente do que falou naquele encontro? Porque credito que as exigências da Renamo ainda são as mesmas, e se não foram satisfeitas naquele dia serão hoje?

Ainda num passado recente, o governo reuniu-se com a Renamo para discutir as inquietações deste último. Este “diálogo” que a Frelimo se refere, acredito eu que nunca termina com êxito porque estes dois partidos, reúnem-se e juntam-se numa única sala, para debater assuntos cujos títulos de agenda são totalmente diferentes; diferentes porquê? Porque a Frelimo entra na sala para “dialogar” com a Renamo, e esta (Renamo) por sua vez, entra na sala para “negociar” com a Frelimo e acho que esses dois termos tem significados totalmente diferentes!

“Toda a pessoa tem direito de exprimir e de difundir as suas opiniões no quadro das leis e dos regulamentos”.(Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos Artigo 9).

“Os membros detêm a mais ampla liberdade de expressar a sua crítica e opinião, sendo-lhes exigido o respeito pelas decisões tomadas democraticamente, nos termos dos Estatutos”. (Estatuto do Partido Frelimo Artigo 19)

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