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Melita Matshinhe canta o retorno a casa

Melita Matshinhe canta o retorno a casa

A multifacetada pianista moçambicana Melita Matsinhe – é compositora, intérprete e poetisa – realizou, na sexta-feira, 07 de Fevereiro, o concerto que marca o seu retorno à terra natal, Moçambique, depois de 10 anos a trabalhar no estrangeiro. Com o tema Ndzi Wuyile (Regressei), o concerto, que teve lugar no Centro Cultural Franco- Moçambicano, associou o coral, o solo, o reggae e o jazz…

Depois de 10 anos fora do país, o tempo em que percorreu a Europa e a América, no processo da sua formação artística como cantora, a pianista moçambicana apresentou-se, na sexta-feira passada, aos amantes da música moçambicana realizando um concerto simbólico intitulado Ndzi Wuyile. Esta expressão ronga significa regressei. E como tal, fazendo jus ao termo, quase que foi impossível esconder a saudade contida nas suas músicas – em relação à terra natal –, o que faz com que o seu canto associe experiências de nostalgia, tristeza e pura alegria.

A música Saudades – a expressão máxima que revelou os sentimentos da artista em relação a Moçambique – foi a primeira entoada no palco, perante uma plateia expectante e ávida de um bom concerto. Na música, uma das marcas incríveis que a artista Melita Matsinhe possui, é a sintonia peculiar que estabelece entre o piano e a sua voz acompanhada pelo saxofone, a bateria e a viola baixo, produzindo um concerto capaz de proporcionar ao espectador momentos agradáveis e de satisfação espiritual.

Os seus temas abordam questões que têm a ver com a vida dos homens do seu tempo. Entretanto, porque o ser humano precisa sempre de alguém para compartilhar as sensações da vida, com a sua voz cativante, Melita Matsinhe exalta a amizade em língua ronga: “Para cada ser humano, há sempre aquela pessoa com que se pode contar para tudo”. O concerto durou apenas 90 minutos, mas, quando terminou, havia uma sensação de que estava prestes a iniciar.

Produziu-se uma forte sintonia entre a artista e o público que estava cada vez mais desejoso de consumir o espectáculo. Sem muito esforço e de forma natural, Melita Matsinhe e a sua banda – composta pelo baixista Artur Matsinhe, pelo saxofonista Abacilar Simbine, pelo baterista Stélio Zoé e pelos percussionistas Amade Cossa e Lindo Cuna – conquistaram, em diversos momentos, fortes aplausos da plateia.

Na sua música, Melita Matsinhe tem o condão de convidar as pessoas que a escutam a reflectir, porque geram debate. Esta dimensão é percebida, por exemplo, em composições como Amor que é dedicada a uma mulher que reconhece a importância de haver reciprocidade na expressão do referido sentimento entre as pessoas que se amam.

O concerto começou às 20h. 30, no entanto ninguém – dos presentes na plateia – se deu por satisfeito quando o ponteiro indicava 22horas, altura em que a intérprete anunciou que era tempo de se encerrar o evento. De todos os modos, antes de abandonar o palco, de forma planeada, a artista trouxe à ribalta outros temas – como, por exemplo, You Are Not Alone – a fim de não somente suscitar uma discussão a favor de quem se sente sozinho, para consolá-lo, mostrando-lhe as possibilidades de se sair da solidão.

A intérprete olha para o contexto actual em que o país se encontra e interroga- se sobre o futuro. Como se estivesse a dizer – que destino é o nosso? Mas as suas palavras são: “Que tipo de crianças se quer ter neste mundo?” O problema é que o país está instável. Por isso, “Melita precisa da paz”. O que se deve entender – e esse é um aspecto essencial – é que “Moçambique quer a paz. Queremos educar os nossos filhos num ambiente de paz e harmonia”.

Pequena biografia

Melita Matsinhe é mãe, artista, estudante e trabalhadora. Nascida em Moçambique, cresceu em Maputo, onde frequentou a Escola Nacional de Música. Aos 15 anos recebe uma bolsa de estudos e, durante 7 anos, cursa piano clássico na Escola Nacional de Música, na cidade de Havana, em Cuba. Mais tarde, realiza estudos complementares em Oslo. É licenciada em História pela Universidade Eduardo Mondlane e tem o grau de mestrado em História e Musicologia pela Universidade de Oslo, Noruega.

Em cada um dos lugares por onde passa, ela carrega sempre a linguagem artística e musical. Por isso, hoje em dia, a sua própria expressão de arte revela várias influências, criando uma amálgama de sons e emoções vindas das mais diversas origens: o calor das Caraíbas, contrastando com o gélido do Pólo Norte, numa base rítmica moçambicana inconfundível.

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