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Mbararano foi simples executor da decisão de afastamento de Simango

Os restos mortais do Deputado da Assembleia da República, Fernando Mbararano, chegam por volta das 11h00 horas da Quarta-feira à Cidade da Beira, onde terá lugar uma cerimónia em sua homenagem antes da urna seguir para a região de Mutindiri, sua terra natal e onde a família decidiu para a sua sepultura.

Recordando a sua trajectória política, tendo se notabilizado quando Delegado Político Provincial da Renamo em Sofala, os seus correligionários mais próximos nessa altura, o Brigadeiro Faque Ferraria e o Major Sebastião Augusto, não se esquecem da data 28 de Agosto de 2008, quando apoiantes do actual líder do MDM e edil da Beira, Daviz Simango, pretenderam matar Fernando Mbararano, apenas por este ter acatado ordens superiores do seu partido para anunciar que a Renamo preteria da candidatura de Daviz nas autárquicas do mesmo ano.

O anúncio formal feito por Fernando Mbararano foi na Delegação Política da Renamo na Cidade da Beira, na Munhava, onde se encontravam concentrados muitos membros da Renamo, a maioria dos quais eram a favor de Daviz Simango tendo posteriormente acabado por desertar para o MDM.

“Ao anunciar aquela decisão Mbararano não fez mais se não transmitir ordens da direcção do Partido, o que qualquer um se tivesse sido incumbido numa situação normal faria” – observou Faque Ferraria, para quem foi injusta a reacção dos membros que quase tiravam a vida do Delegado Político Provincial nesse dia – se não fosse a inteligência militar aplicada pelo Brigadeiro Lucas Machava, que perdeu a vida no ano passado, num misterioso acidente de viação em que apenas ele foi vitima.

Faque Ferraria que seguia na mesma viatura escapou ileso do mesmo acidente. O Major Sebastião Augusto recorda que se não fosse a muscultura militar exibida pela guarda presidencial da Renamo, transportada para o local da manifestação pelo Brigadeiro Machava, o antigo Delegado Político Provincial da Renamo em Sofala talvez não tivesse perdido a vida no passado dia dia 04 de Março de 2011, mas sim há dois anos, no dia 28 de Agosto de 2008, quando apoiantes de Daviz Simango insistiram em queimar o seu corpo.

“Só vacilaram quando os nossos militares chegaram. No meio daquela multidão revoltada Mbararano (um homem de estatura física baixa) foi carregado pelos nossos militares como se fosse uma criança e introduzido na viatura que teve de abandonar o local de imediato, conduzida pelo Brigadeiro Machava.

O momento mais marcante da nossa relação Tanto o Brigadeiro Faque Farreria e o Major Sebastião Augusto, ambos recordam com muita emoção os vários momentos que partilharam com Fernando Mbararano, para quem foi grande homem. “Ele era muito divertido, gostava de bebida fina, cerveja de garrafas pequenas e wisky” – lembrou o Major Augusto.

Faque Ferraria disse ter visto no Mbararano um homem forte, que sempre soube respeitar os interesses do partido, quando foi da decisão de afastamento de Daviz Simango.

“Como colega político conchegado, na nossa relação me marcou muito pela positiva a forma como ele geriu o ‘caso’ Daviz Simango. Embora não fosse nossa a decisão, apenas agimos como executores, conseguimos cumpri-la com muito afinco, muita disciplina, no meio de tanta dificuldade que encarramos ao querer executar” – concluiu Ferraria, quase a deixar cair lágrimas.

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