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Maurícias também a competir por terra em Moçambique e Madagáscar

A subida de preços de produtos alimentares e a falta de terra forçam as Maurícias, um pais importador de comida, a lançar uma ambiciosa iniciativa. O estado ilhéu esta a começar a produzir sua comida em outros países africanos onde a terra e abundante e a mão-de-obra e barata.

Empresários agrícolas mauricianos Murveen Ragobur e Gansham Boodhram estão de regresso a Port Louis, capital das Maurícias, idos de Moçambique onde cultivaram, no ano passado, arroz em base experimental, bem como batatas e cebola para o mercado local.

Eles tinham estado a trabalhar em Moçambique por alguns anos após terem lançado Greenworld Ltd, sua empresa que produz comida para as Maurícias e outros países da região.

As Maurícias produzem vegetais, mas não produzem trigo e nem arroz.

Produzem também batata, cebola e alho e confiam muito em importações.

“Precisamos de ir para Moçambique porque temos falta de terra e mão-de-obra aqui. Em Moçambique, pode se contratar mão-de-obra facilmente”, disse Ragobur a IPS. Segundo ele, muita terra esta disponível e não e vendida a ninguém. Alguém pode usa-la por um período de 50 anos renováveis.

Dois obstáculos erguem-se na via desta iniciativa regional: a instabilidade politica (em Madagáscar) e fracas condições sanitárias e fitossanitárias.

A terra e’ limitada nas Maurícias, uma ilha de cerca de 2000 quilómetros quadrados, com uma população de 1.2 milhão de pessoas. Presentemente, a ilha só produz 25 por cento das 700.000 toneladas de alimentos que anualmente precisa para atender as necessidades da população local e os milhões de turistas que a visitam anualmente.

“Nossas intenções podem ser boas e podemos mobilizar os recursos que precisamos, mas temos um limite em relação a terra”, disse o Ministro mauriciano de Agro-Industria e Produção Alimentar, Satish Faugoo, no acto do lançamento, em Janeiro deste ano, do Plano Estratégico de Segurança Alimentar 2008/2015.

“E importante desenvolvermos uma parceria com países da região a fim de produzirmos comida para o nosso próprio povo e para outros países”, sublinhou.

Jean-Cyril Monty, especialista de diversificação agrícola, argumenta que “nos temos um défice a preencher. Se queremos produzir mais comida e reduzir nossa factura de importação, devemos virar nossa atenção para Madagáscar e Moçambique”.

O plano centra-se no melhoramento de produção local, bem como regional. As culturas prioritárias são o milho, a batata, a cebola e o arroz, para os mercados internos e regionais.

A este respeito, dois memorandos de entendimento foram assinados com Madagáscar e Moçambique em princípios de 2008. Cerca de 5.000 hectares de terra estão disponíveis para empresários mauricianos na província central moçambicana de Manica.

Dhaneshwar Dumur, director da unidade de extensão e pesquisa agrícola, que visitou Moçambique há algum tempo, diz que neste país os ciclos climatéricos são bastante interessantes e muitas culturas podem ser produzidas ao longo de todo o ano.

“Culturas como batatas, que não podem ser produzidas nas Maurícias em períodos específicos, podem ser feitas durante os mesmos períodos nestes dois países (Moçambique e Madagáscar), assim assegurando um fornecimento regular aos mercados”, disse.

Segundo Dumur, os mauricianos ainda não estão em Moçambique em grande número por causa de varias razoes: falta de produção numa escala industrial, falta de facilidades de irrigação, uma rede rodoviária em condições e ausência de infra-estrutura após colheita, tais como facilidades de armazenamento, unidades de tratamento após colheita, classificao, distribuição e empacotamento.

“Já acabou o tempo para pensar”, dizem Ragobur e Boodhram, “porque os moçambicanos não precisam de mauricianos”. “Somos nos que precisamos deles”, declarou Ragobur, para quem adiar tal ocasião afectara o plano mauriciano de segurança alimentar.

Ragobur relembrou que não são só os mauricianos que exploram a terra para agro-industria quer em Moçambique quer em Madagáscar. Empresários chineses, indianos, sul-africanos e europeus estão também nesta corrida para terra, porque “toda a gente neste mundo está a ser afectada pela crise alimentar”.

Os moçambicanos estão ainda abertos a mauricianos por causa de relações ancestrais. Cerca de um terço dos ancestrais da população mauriciana foram parar a ilha há dois séculos idos de Madagáscar e Moçambique.

“Deveríamos tirar vantagem de tal situação e finalizar rapidamente os projectos ate aqui anunciados”, insiste Ragobur, acrescentando que as Maurícias podem perder neste jogo. Eles não conseguiriam a melhor terra e não seriam capazes de alcançar economias de grande escala se a terra obtida estiver dispersa em varias pequenas parcelas longe uma das outras.

“A medida em que o tempo passar, o nosso plano estratégico já não servira seus propósitos, porque o ambiente esta a mudar rapidamente. O que é bom hoje não será bom amanha”, acrescentou. “O futuro das Maurícias esta na região, principalmente em Moçambique”, reiterou Boodhram.

Ragobur e Boodhram não estão sozinhos nesta “aventura”. Outro mauriciano, Nassir Arzamkhan, abriu uma fábrica com parceiros indianos para a transformação do coco- disponível em grandes quantidades em Moçambique em óleo.

Outro mauriciano está a cultivar a planta de jatropha para a produção do biodiesel, disse Alain Laridon, Embaixador das Maurícias em Moçambique. O chamamento também vem de Madagáscar onde as Maurícias obtiveram concessões de terra há um ano.

A partir desta grande ilha vizinha, o chefe executivo da Administração de Desenvolvimento Económico, Prega Ramsamy, apelou a empresários mauricianos para agirem rapidamente se não quiserem competir por terra com outros países.

“Se você vê os preços de produtos agrícolas a subirem desde 2007, você não pode sentar-se e continuar a pensar”, disse Ramsamy, ele também um cidadão das Maurícias.

“Os nossos países assinaram acordos bilaterais concernentes a normas sanitárias e fitossanitárias. E’ tempo de aplica-los”, disse.

Alguns empresários mauricianos que viajaram ano passado para Moçambique e Madagáscar encontraram dificuldade para operar em algumas regiões. Eles dizem que nessas regiões as estradas não estão em condições e há falta de telefone e electricidade. Outros falam da malária e da existência de cobras, enquanto outros culpam ao que chamam da “falta de disciplina laboral” dos moçambicanos e dos malgaxes.

Boodhram tem uma visão diferente. Ele diz que não há cobras nos campos, porque repteis e animais selvagens abandonam os campos a medida em que as florestas vão sendo desbravadas e as pessoas começam a explorar a terra. “Eles (cobras e animais selvagens) nunca são vistos novamente”, sublinhou.

A língua, disseram alguns empresários, é uma barreira em Moçambique, uma vez que a população fala português e raramente pode-se encontrar nas zonas rurais pessoas que falam inglês. “A malária também preocupanos, mas precauções necessárias devem ser tomadas, se estiver neste pais”.

Prembhoodass Ellayah, que investiu ano passado em Madagáscar, “deplora a atitude” da população local. “Eles apenas querem dinheiro dos estrangeiros. E’ por isso que estou de volta as Maurícias”, disse, prometendo nunca mais lá regressar.

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