Para continuarmos  a fazer jornalismo independente dos políticos e da vontade dos anunciantes o @Verdade passou a ter um preço.

Escurtínio Escolar d´@VERDADE: Massopeni

Foi tão guloso que consumiu todo o sorriso da vida em tão curto tempo, como se tivesse vindo ao mundo para uma brevíssima passagem. Hoje não passa de um cadáver ambulante. Aguarda ansiosamente a morte, mas esta tarda a chegar. Cada nascer do sol é como fardo que lhe verga a coluna vertebral da sua forçada existência. Não quer mais nada na face da terra. Aliás, talvez queira todos os castigos menos o de continuar com a irrecusável capacidade de respirar e de manter o fôlego.

Entregou todo o vigor da sua juventude à extravagância. Não há bar nem discoteca, nem prostituta da cidade de Maputo e arredores cuja ponta da capulana não conheceu parte do grosso salário que auferia no Clube Naval, além dos subsídios diários, semanais e mensais. Avultados de tal forma que não lhe tinham gestão possível.

Hoje tem imensas saudades de seu nome de registo, Lourenço VilárioXongissa. Ninguém se lembra desse nome. Todos lhe chamam Massopeni, vocábulo ronga derivado de sope ou tontonto, nome da bebida mais barata, por isso desprezada.

Massopeni é o pior incómodo para os seus companheiros de vida. Manifesta uma imensurável gratidão por uma beata de cigarro, soruma ou qualquer erva enrolada num papel, pois distinguir fumos não mais faz parte das capacidades do desgraçado Lourenço, o Massopeni.

Dedica toda a honra a quem lhe deposita, na mão pedinte, quaisquer centavos para compra das bem calcadas gotas da mais reles aguardente. Já uma garrafa de tontonto é uma festa que lhe lembra os tempos do seu desfrute desmedido nas casas de pasto, desfrute que lhe fora breve por falta de controlo, ou seja, por lascívia.

Todas as meninas que com ele se cruzaram nos tempos do seu bem-estar financeiro caem de vergonha quando lhe contemplam a miserável vida. Essas suas antigas presas, pois que com ele andavam por interesses materiais, gostariam de não lhe ter conhecido. Maranyani é um exemplo.

– Uhm, lexiyá – diz ela sem querer acreditar que aquele tipo nauseabundo já teve o privilégio de lhe despir as roupas da moda, escolhidas com muito rigor nas lojas mais badaladas, de lhe assistir à nudez não sem antes Maranyani brindar-lhe com um longo striptease e, posteriormente, ser usufruída sem a mínima réstia de amor ou qualquer sentimento digno de um corpo esbelto e uma cabeça desprovida de sensatez.

Massopeni não vale mais nada desde que o contrato com o Clube Naval expirou, surpreendendo- lhe numa situação em que não tinha um só centavo depositado no banco nem no cofre de casa, se é que tinha.

Nenhuma chama pode restaurar a esperança completamente apagada do Massopeni. Massopeni cometeu um erro incorrigível na vida e contra a vida, no mundo e contra o mundo. Quando tinha dólares incontáveis tentou possuir todos os prazeres do mundo. Teve olhos insaciáveis, apetites descontrolados, desejos impossíveis de satisfazer… atingiu o zénite da lascívia e tentou fazer da vida de todos só dele.

Levantava o dedo e acontecia o que ele quisesse, mesmo que fosse o mais imundo acontecimento, bastava ser do desejo do ‘presado Sr. Lourenço VilárioXonguissa’, hoje Massopeni não é ninguém e a sua morte não despertará o mínimo sentimento de perda, dor ou compaixão, nem do indivíduo mais sensível da face da terra.

Pela crónica, imenso perdão aos Massopenis da minha terra.

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Related Posts

error: Content is protected !!