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Manifestação em Angola vai decorrer apesar de discursos «intimidatórios» do MPLA

A manifestação anti-governamental, convocada pela Internet para esta segunda-feira, 7 de Março, em Luanda, vai realizar-se apesar dos discursos «intimidatórios e demagógicos» do MPLA, que «já não pegam», afirmou um responsável da iniciativa.

Dias Chilola, um dos organizadores da manifestação convocada contra o governo de José Eduardo dos Santos disse à Lusa que, apesar das «intimidações» proferidas por vários dirigentes do MPLA ou governantes, as pessoas vão sair as ruas na segunda-feira para se manifestarem de «forma pacífica e em liberdade, porque é um direito democrático».

«Não temos números, não estamos a competir com o governo ou com o MPLA, isso não interessa. O que interessa é que isto é um ponto de partida para um movimento que será imparável», afirmou, acrescentando que por «mais violência que houver ou por mais que [o governo] não esteja de acordo, a vontade de as pessoas se manifestarem vai continuar». Até podem participar «apenas uma, duas ou três pessoas, mas esse sentimento está no coração de muitos angolanos, que sabem que é necessário pedir mais democracia e liberdade para que haja mudança», vincou.

Dias Chilola lamentou os discursos proferidos por dirigentes do MPLA e governantes. «São discursos para meter medo, mas o que já não há agora é medo. Com cada dia que passa, as pessoas vão perdendo o medo, porque com medo não se vai a lado nenhum», frisou.

De acordo com Chilola é «bom que o governo comece a pensar noutro discurso, porque chamar ao próprio povo de sabotadores ou dizer que os que se manifestarem vão ser neutralizados, isso já não pega», referindo-se ao discurso proferido no sábado pelo primeiro secretário provincial de Luanda do MPLA, Bento Bento, no fim de uma marcha pró-governo que juntou dezenas de milhar de pessoas na capital angolana. É também «demagógico» acusar os manifestantes que se quiserem manifestar pacificamente «de quererem a guerra».

«Essas pessoas não gostam de ouvir críticas ou coisas diferentes. Um país democrático é um país em que todas as pessoas podem falar e têm o direito de se manifestar», frisou. Dias Chilola também refutou as acusações de que a iniciativa teria ajuda de organizações em países terceiros, salientando que «isso não tem cabimento».

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