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Manica movimenta futsal por “amor à camisola”

Manica movimenta futsal por “amor à camisola”

No meio de muitas dificuldades e incertezas, os desportistas que movimentam a modalidade de futsal a nível da província de Manica, centro de Moçambique, não se limitam a cruzar os braços e a lamentar as situações por que passam. Os atletas, os treinadores e os responsáveis pelos clubes sabem muito bem transformar os problemas em oportunidades, visando massificar o desporto naquela região. O governo e os agentes económicos, esses, continuam a fazer vista grossa face ao trabalho e aos esforços empreendidos pelos clubes, pois os seus apoios são, efectivamente, invisíveis neste sector desportivo.

Na história da província de Manica, a modalidade de futsal nunca teve destaque a nível nacional nos últimnos dez anos. Ou seja, a movimentação dos clubes através de competições não era frequente. A contratação, em 2011, de Inácio Sambo para treinar a equipa da Computer Solutions de Manica é, digamos, uma salvação do futsal.

Além de se empenhar na preparação física e táctica dos jogadores colocados à sua disposição no sentido de melhorar as suas habilidades, Sambo começou a desenvolver uma série de acções com vista a mobilizar todos os intervenientes para incentivar a massificação desportiva, porque nas competições a sua colectividade era a única que detinha a hegemonia, o que fazia com que os campeonatos não fossem competitivos.

Já se conhecia, anteciapadamente, o vencedor das provas. Portanto, mercê do trabalho desenvolvido, a província realizou no mesmo ano de 2011 o campeonato provincial, em que participou um total de 12 equipas. “No ano seguinte, 2012, crescemos muito”, disse Sambo, afirmando que houve um aumento significativo do número de equipas a praticar o futsal. Por causa disso, houve a necessidade de se promover campeonatos distritais. Os distritos de Bárué e Manica foram os primeiros a movimentar as suas equipas locais.

Nas temporadas subsequentes, segundo afirmou Sambo, passou-se a realizar, com frequência, os campeonatos distritais para se apurar os respectivos representantes no campeonato provincial, em que, por seu turno, se devia apurar os clubes ao “Nacional”. O nosso interlocutor afirmou que, neste momento, existe a possibilidade de se ter um total de cinco distritos a competir. Os frutos dessa massificação resultaram no apuramento de uma formação distrital para o Campeonato Nacional, cuja edição 2014 decorreu na cidade de Nampula.

Segunda divisão

Tendo em conta as competições regulares do futsal, a massa associativa da província sentiu que havia necessidade de se disputar a segunda divisão, uma inciativa que permitiu dar oportunidade às colectividades que não podem competir nos campeonatos federados. Neste aspecto, afirmou Sambo, Manica é a única região a fazer esse trabalho a nível nacional. Aquele treinador disse que, presentemente, o desafio consiste em criar equipas de sub 12, 13 e 14, a exemplo do que acontece na cidade de Maputo.

Ângelo Ventura, treinador da Escola de Condução do Planalto de Chimoio, afirmou que a modalidade de futsal está a conhecer uma evolução progressiva. Na província de Manica, há dois últimos anos, havia uma equipa que detinha a hegemonia e que era a candidata natural ao título provincial. “Mas agora os jogos são disputados com muita competitividade, porque os clubes evoluíram bastante”, disse Ventura.

Regularidade das competições

De acordo com os nossos interlocutores, as competições a nível daquela região são, efectivamente, regulares. Anualmente, existe uma média de cinco campeonatos. Trata-se do Torneio de Abertura, da Taça da Cidade, Taça Presidencial, do Campeonato Provincial e outros torneios organizados localmente. Sambo considera que a movimentação dos clubes revela um trabalho desenvolvido na província com vista a reavivar-se o desporto, principalmente, a modalidade do futsal.

Presentemente, há um total de 28 equipas a praticar o futsal, embora as capacidades organizativas sejam diferentes das da capital do país, cujos clubes beneficiam de formações frequentes, o que ajuda a melhorar as suas habilidades. Contudo, como a cidade de Chimoio é o futuro acolhedor do “Nacional”, edição 2015, os desportistas daquela regiao têm uma ideia que pretendem propor à Federação Moçambicana de Futebol (FMF) no sentido de se promover cursos de formação para os treinadores e os árbitros.

Infra-estruturas: o crónico problema que afecta o país

Em quase todo o território nacional assiste-se ao agravamento de um problema considerado um cancro que está relacionado com a falta de infra-estruturas para a prática das actividades desportivas e, mormente, do futsal. A província de Manica não está isenta deste fenómeno que apoquenta todas as províncias. Apesar de existir o Fundo de Promoção Desportiva que podia ajudar na reabilitação dos pavilhões, as infra-estruturas de Manica encontram-se abandonadas e deixadas à sua sorte.

Mesmo assim, os praticantes do futsal não se mostram desanimados, continuando a trabalhar nas mesmas condições. Para o treinador da Escola de Condução de Planalto de Chimoio, existem recursos financeiros para apoiar o desporto, mas há, na verdade, uma falta de vontade política por parte dos dirigentes.

Para o nosso entrevistado, não é preciso que se olhe, necessariamente, para o futsal, mas é importante fazer-se um trabalho sério no desporto no seu todo. A massificação das modalidades deve ser levada a cabo em condições condignas. O único pavilhão que existe pertence à Liga Muçulmana. As equipas chegam a gastar um total de oito mil meticais mensalmente para o aluguer do espaço quando pretendem realizar jogos. Na Escola Secundária Josina Machel, há um ginásio, mas o espaço está sempre ocupado por alunos que realizam os seus exercícios físicos.

O “amor à camisola”

No meio de todas as dificuldades, os desportistas continuam a trabalhar para elevar o nome da província de Manica a níveis mais altos. As autoridades governamentais, através do sector da Juventude e Desportos, não apoiam as colectividades que procuram, a todo o custo, afirmar- se nesse sentido. O pior é que o reconhecimento do esforço é inexistente.

Então, eis a questão que fica pendente: para onde são canalizados os valores provenientes do Fundo de Apoio às Iniciativas Juvenis (FAIJ), Fundo para a Promoção Desportiva e outros para o auxílio dos desportistas? A equipa da Escola de Condução do Planalto de Chimoio viveu o drama da falta de financiamento aos movimentos associativos desportivos. No ano passado, a colectividade apurou-se para o “Nacional” que teve lugar na cidade de Maputo; contudo, devido à falta de fundos, os atletas e a equipa técnica não seguiram viagem.

“Tentámos bater várias portas, pedindo apoio a muitas instituições públicas e privadas, mas as respostas não foram satisfatórias”, disse Ventura. Os dirigentes dos clubes é que se desdobram na procura de mecanismos para a sustentabilidade das respectivas equipas e assegurar os financiamentos a fim de fazerem face a questões de deslocamentos, prémios de jogos, entre outras necssidades.

Por exemplo, à formação do Celtic foi atribuída o nome de Escola de Condução do Planalto de Chimoio como forma de retribuir o apoio prestado por Orlando Reginaldo, responsável pelaa instituição de ensino.

Ventura, que igualmente é o fundador da equipa, disse que no ano passado a colectividade participou no Torneio da Cidade, em que conquistou o terceiro lugar, tendo sido imediatamente apurada para o Campeonato Provincial, conquistando o título de vice-campeão, o que lhe conferiu o direito de participar no Campeonato Nacional.

Os agentes económicos que se assumem como proprietários das equipas são-lhes imputadas todas as responsabilidades. Felizmente, mostrou-se satisfeito com o facto de, pela primeira vez, ter participado no campeonato nacional. Fazendo uma avaliação sobre o trabalho do grupo, houve uma brilhante exibição. Há que confessá-lo.

Num total de seis jogos, a Escola de Condução de Planalto de Chimoio marcou 43 golos, tornando-se a segunda equipa mais concretizadora do torneio. Entretanto, há esperanças de melhorar tudo na próxima competição, porque a sua terra natal é que será o palco dos jogos.

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