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Malawianos assediam régulos com kwacha

O negócio de terra parece já ter encontrado espaço neste país, embora a Constituição da República diga que a terra não se vende por ser propriedade do estado, nas cidades por exemplo, as edilidades praticam preços exorbitantes quando é para cederem espaço aos munícipes.

Só para dar um exemplo, na cidade de Quelimane, para encontrar um espaço, o Conselho Municipal da mesma cidade, estipula por ai 35 mil ou mesmo 45 mil meticais, para um espaço de terra.

Só que quando se pergunta o porque destes valores, a resposta é de que este valor é para pagar técnicos, marcos entre outro tipo de serviços. Será?

Essa prática vai ganhando moda e quanto mais saísse das cidades, a moda vai pegando e chega aos níveis mais baixos, tal como chegou ao posto administrativo de Chire, distrito de Morrumbala, cerca de 175 km numa estrada que só sentindo é que dá para calcular ao certo.

Chire faz fronteira com o vizinho pais, Malawi. Não precisa fazer esforço para chegar a Malawi, via Chire. Com uma simples canoa já é suficiente para ir a Malawi, assim como vice-versa.

Dai que como há facilidades, os malawianos entram no nosso país e concretamente no posto administrativo do Chire, com sacos de dinheiro (kwacha), procurando a todo custo aliciar os mais frágeis.

E quando entram, o primeiro contacto é com as autoridades tradicionais, os vulgos régulos da zona, que logo mostram os “files” da vida.

Mas o grande objectivo dos malawianos é a terra e em alguns casos, também casam mulheres moçambicanas e no fim de tudo levam-nas ao seu país.

Naquele posto administrativo, as autoridades tradicionais, mais conhecidos por régulos são os principais actores na venda ou arrendamento das terras de produção.

Os malawinanos pagam entre 800 ou 1000 kwachas aos régulos. Vendo notas avultadas, os régulos não resistem, fazem tudo para retirar a população inventado uma e outra história, tudo para dar lugar aos malawianos.

Alguns casam e fazem-se de nacionais

Quando o dinheiro não resultar, os malawianos adoptam uma outra estratégia. Vem a Moçambique e ficam alguns dias ou meses e dai, procuram ter uma parceira como esposa.

Esta esposa tem uma missão que é de facilitar o seu esposo, algum espaço. Como a parceira é local, ai ela acaba assediando os seus familiares mais lestos e o seu esposo acaba tendo terra.

Este por seu turno, quando vê que já tem terra, manda chamar um seu familiar do Malawi e assim a família vai aumentando e claro, a esposa vai ficando com espaço de manobra reduzido.

João Alfazema, popular residente em Chire, disse ao nosso jornal que os protagonistas desta acção são os régulos do terceiro escalão.

Por exemplo, conforme explicou Alfazema, no seu regulado, estas práticas são frequentes, ate que os malawianos chegam ao ponto de expulsar os naturais.

“Mas como tem apoio do régulo, a população não diz nada”-disse a fonte. Marciana Makalawene, também reside em Chire e quando abordamos a falar sobre este assunto. Na primeira pessoa, ela contou que dois malawianos vieram ter com ela alegando que queriam casar sua filha.

Como a filha precisa de casar-se, Marciana diz ter deixado tudo ao critério dela, dai que em menos de seis meses, a filha falou com a mãe, para ceder um espaço para que ela (sua filha), faça machamba.

Só que passado algum tempo, quando a sua filha mudou-se para Malawi, o seu genro veio com duas pessoas amostrando-as o espaço alegando que era dele.

“Quando ele chegou não falou nada comigo, apenas foi mostrando aqueles amigos que ele tinha terra”-sublinhou a fonte. Num outro desenvolvimento, a nossa entrevistada disse que a sua filha também caiu nesta tentação do seu esposo malawiano e fez tudo para que a terra ficasse na propriedade do marido.

Entretanto

A população cansada de viver assim queixou-se ao chefe do posto local, mas que também não viu solução nenhuma. E como a hierarquia no estado não termina só no chefe do posto, os populares do Chire, foram queixar-se ao administrador do distrito, que também não resolveu nada. O caso chegou ao governador da província, Franscisco Itai Meque, que visitou aquele posto administrativo.

Este por seu turno apelou aos régulos e a população em geral para não venderem a terra, porque esta é propriedade do estado e que a mesma não pode ser vendida muito menos alienada.

Na ocasião, Meque disse que aquele que vender a terra poderá ser sancionado, porque ninguém neste país, está autorizado a fazer isso.

Todavia, apelou para que haja colaboração com os malawianos, colaboração essa que passa pele cedência de terra para a prática de agricultura, mas não em regime de compra.

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