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“Malaika Nakupenda Malaika…” – Miriam Makeba (1932-2008) – 76 anos

“Malaika Nakupenda Malaika...” - Miriam Makeba (1932-2008) – 76 anos

“A subita morte da nossa amada Miriam Makeba entristece toda a nação”. Nelson Mandela

A cantora sul-africana Miriam Makeba, conhecida como “Mama África”, morreu domigo à noite em Itália ao sair do palco, depois de ter actuado num concerto de apoio a um jornalista ameaçado de morte pela máfia.

A agência noticiosa italiana ANSA referiu que Makeba terá sofrido um ataque cardíaco no final do concerto, em que participaram vários artistas e que foi dedicado ao jornalista Roberto Saviano, ameaçado pela Camorra, a máfia napolitana.

Nascida em Março de 1932, em Joanesburgo, no seio de uma tribo Xhosa, começou a cantar na igreja local e no coro da escola à medida que ia descobrindo a musica “jazz” através da colecção de discos do seu irmão, tudo isto sem pretensões de seguir carreira musical. Mais tarde, um dos seus primos e músico convida-a para integrar a sua banda, os “Cuban Brothers”, o mais popular quarteto vocal do país, onde volta a distinguir-se.

Um novo impulso à sua carreira vem com o convite para integrar as “Skylarks”, um grupo vocal feminino “jazz/folk”. O reconhecimento público virá após a sua participação na ópera jazz “King Kong” e no documentário “Come Back Africa”.

Perante estes êxitos, a cantora é convidada a visitar a Europa, aproveitando para denunciar a condição das mulheres africanas e o “Apartheid”. A sua carreira internacional estava lançada em paralelo com a defesa dos direitos civis dos negros.

À parte da carreira político-social, na música Makeba coleccionou recordes. Não pelos mais de 40 discos que gravou, mas por ter sido a primeira artista africana a conquistar um “Grammy” em ´65, com “Na Evening With Harry Belafonte” e a atingir o Top Ten de singles norte-americano em ´67, com “Pata Pata”. Foi porta-voz do presidente guineense Sékou Touré em Nova Iorque e embaixatriz africana da ONU.

A cantora, a quem chamavam “a imperadora da canção africana” deixou a África do Sul em 1956 perseguida pelos Africaaner´s e pelo FBI, devido à sua luta pelos direitos civis negros. Viveu no exílio durante 35 anos nos Estados Unidos, França, Guiné e Bélgica antes do seu emotivo regresso em 1990, quando regressaram muitos exilados sul-africanos ao abrigo de reformas instituídas pelo então presidente F. W de Klerk. “Nunca percebi porque não podia voltar ao meu país”, disse Makeba quando regressou: “Nunca cometi nenhum crime”.

Em 2003 inaugurou em Joanesburgo a Makeba Center for Girls, uma instituição para reabilitação de meninas adolescentes vítimas de violência e violações, ex-prostitutas e toxicodependentes. A instituição oferece-lhes uma oportunidade para recomeçar a vida. Apesar de ser considerada “subversiva” pelo governo sul-africano, Miriam Makeba viria a conquistar um prémio em prol da paz atribuído pela ONU.

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