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Makiekie e Nipuro: O aconselhável “cocktail” de dança tradicional

Makiekie e Nipuro: O aconselhável “cocktail” de dança tradicional

Com o objectivo de inovar os bailados tradicionais na província de Nampula, o actor e coreógrafo Emílio Samukela decidiu unir o Makiekie e Nipuro, duas danças tradicionais predominantes naquele ponto do país, resultando num cocktail de dança aconselhável…

A união de Nipuro e Makiekie, duas legendárias danças tradicionais típica dos macuas, deu espaço a uma nova abordagem para o recém-criado grupo infantil Estrelas da Casa Velha de Nampula. Numa primeira fase, a ideia era unir o útil ao agradável. Mas, volvido algum tempo, o plano foi se tornando mais coeso e nasceu o objectivo de misturar danças tradicionais.

Importa referir que a mítica junção está a ser solidificada por um grupo de petizas com idade compreendidas entre cinco e 11 anos. O Makiekie é dança predominante no interior da província de Nampula, usada nos ritos de iniciação feminino que, por sua vez, vai deste modo, quebrar certos tabus que existiam no seio da sociedade antiga. No bailado ora em alusão, as miúdas, com as mãos assentadas sobre o chão, vão mostrando, com maior nível de sensualidade possível, os seus talentos, com movimentos ligeiros levando assim o público ao delírio.

A dança é conhecida por englobar a particularidade teatral, onde, a cada instante que passa enquanto decorre a bailata, as dançarinas vão encenando situações quotidianas cujos actores principais são os casais. De acordo com Emílio Samukela, o principal objectivo da sua ideia é de incutir na camada feminina, principalmente a recém-casada, como se deve comportar no seu lar e como tratar o seu marido. “Para dançar Makiekie é preciso que o bailarino se solte e se deixe levar pelos sons dos batuques”.

É com essa concepção que Samukela criou o pequeno agrupamento. Na cidade de Nampula são poucos os grupos que praticam a dança em referência. Talvez por constituir tabu no seio de algumas famílias. Mas, não para as Estrelas da Casa Velha de Nampula. Para Samukela, o maior objectivo não se enlaça só na particularidade de preparar as miúdas para a nova fase de vida, a de donzela, não! Na sua opinião, interessa mais, avivar certos estilos musicais que, com o decorrer do tempo, foram deixando de fazer parte do cardápio cultural do colossal povo macua, particularmente aquelas dança cuja importância no seio da sociedade contemporânea é vigorosa.

O nosso entrevistado está ciente de que a província onde reside possui um potencial de bailados tradicionais enorme. Porém, o seu objectivo é de, além de misturar o Makiekie com Nipuro, fazer uma investigação sobre as diversas danças predominantes na província de Nampula para outras novas misturas.

O seu fascínio pelas danças é, verdadeiramente, algo cativante uma vez que, ao invés de formar petizes para tirar algum proveito a partir das suas prestações, Samukela trabalha, apenas, para incutir os bons hábitos no seio daquela camada social.

Por outro lado, à mistura com Makiekie, a dança Nipuro, também predominante na região interna da província de Nampula, com passos semelhantes aos da marrabenta, vai dando uma outra característica ao bailado das meninas, que, com um sorriso estampado no rosto, dão o seu melhor para brindar ao público com um verdadeiro cocktail de danças.

As dançarinas resplandecentes

Quando o batuque começa a tocar, parece que as meninas esquecem os seus problemas. As dançarinas ficam soltas e estampam na face, sorrisos resplandecente. Importa recordar que a maioria das petizas é inexperiente. Por outro lado, elas estão cientes de que não se deve excluir a particularidade de mostrar o seu potencial artístico durante o bailado.

Orpa António, na companhia de Anabela Jacinto, de sete e 12 anos de idade, respectivamente, são as mais destacadas do grupo. Com apenas três meses de ensaio, à semelhança do seu agrupamento, ela luta a todo vapor por um futuro melhor. Curiosamente, este é o seu primeiro contacto com a dança mas, devido ao interesse de aprender mais, aliado à dedicação e entrega, as miúdas conseguiram despertar a atenção do formador.

Orpa, aluna da 7ª classe na Escola Primária de Namuli, arredores da cidade de Nampula, apaixonou-se pela dança nos primeiros dias após a criação das Estrelas da Casa Velha. Na altura como uma mera espectadora, não faltava nos ensaios daquele grupo, tendo posteriormente sido convidada para fazer parte da agremiação. “Não hesitei ao convite. Logo que o responsável solicitou-me, algo no meu íntimo disse que eu devia fazer parte do grupo”, disse a petiza.

A menor é, de certa forma, uma vedeta, pois o seu jeito de dançar cativa o público. Todos os dias de ensaio (de segunda a sexta-feira no recinto da Casa Velha de Nampula), Anabela comporta- se como se fosse o seu primeiro dia. Esforçada e uma verdadeira líder que, além de ajudar as outras petizas a encontrarem-se na dança, ela incentiva as suas colegas de equipa a entregarem-se ao bailado de forma que possam convencer o público acerca da prestação do grupo.

À semelhança de Orpa António, Anabela é uma dançarina resplandecente. Ela aprendeu a dançar no grupo em que faz parte. Durante os três meses dedicando-se à aprendizagem dos bailados tradicionais, particularmente, do Makiekie e Nipuro. Segundo a petiza, o companheirismo é a peça chave para o sucesso de uma equipa. Segundo a petiza, Makiekie tem o jeito estranho de ser dançado, pois exige da respectiva dançarina um esforço incomum.

 

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