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Colheita de ópio no Afeganistão cresce durante a saída de tropas estrangeiras

A colheita de ópio do Afeganistão terá um novo crescimento este ano, disse a ONU, esta quarta-feira 912), apresentando ao novo presidente do país o desafio de lidar com o comércio que abastece a insurgência liderada pelo Taliban, depois da saída da missão militar internacional do país.

O cultivo de ópio cresceu para 224 mil hectares em 2014, de acordo com a pesquisa do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC, na sigla em inglês), representando uma alta de 7 por cento sobre o ano passado, com crescimento na maioria das províncias produtoras de papoula no Afeganistão.

A pesquisa deve incomodar ainda mais os doadores de ajuda que investiram milhões de dólares na erradicação desses cultivos, apenas para vê-los crescer a níveis sem precedentes, alimentando a corrupção e a instabilidade no país.

O número mostrou que os esforços contra narcóticos fracassou, disse Jean-Luc Lemahieu, do UNODC, a repórteres, acrescentando que ainda há esperança de sucesso sob o novo governo.

“Mudar os incentivos económicos da economia ilícita para a economia lícita: essa é uma tremenda tarefa, mas é isso que esse governo tem que representar”, disse Lemahieu, diretor do UNODC para análise de políticas e assuntos públicos. O presidente Ashraf Ghani tomou posso no fim de setembro, depois de meses de tensão sobre quem havia vencido as eleições. A disputa política acelerou um agudo problema económico no país causado pela saída de tropas estrangeiras.

“Para ele, a criminalização da economia e da política do Afeganistão é um dos principais problemas, e penetra em tudo e qualquer coisa que o país quer conquistar”, afirmou Lemahieu. O Taliban continuará a ser uma grande força depois do fim da missão de combate liderada pelos EUA, ao final deste ano, tendo reconquistado território em antigos bastiões.

O Afeganistão produz mais de 80 por cento do ópio ilícito do mundo e os lucros ajudam a financiar a insurgência. A maior colheita fez os preços caírem, segundo a UNODC, mas os lucros dos produtores de 850 milhões de dólares já representam 4 por cento do produto interno bruto.

Ghani tem um plano amplo para lidar com o problema das drogas, disse Lemahieu, incluindo a criação de incentivos para fazendeiros plantarem colheitas alternativas e a perseguição a traficantes. Os EUA já gastaram 7,6 bilhões de dólares contra narcóticos no Afeganistão desde que expulsou o Taliban do poder em 2001, de acordo com uma agência fiscalizadora do governo norte-americano.

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