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Mais um ano chega ao fim

Mais um ano chega ao fim e, neste caso, com ele chega mais uma década também ao fim, a primeira do século XXI. Podia ter corrido bem melhor mas também podia ter corrido pior. O balanço aqui é sempre relativo e depende bastante do ponto de vista do observador.

 

 

A velha Europa não conseguiu sacudir a crise que a atormenta, vai para três anos. França, Irlanda, Portugal e Grécia, especialmente esta última, afundaram-se ainda mais em greves, protestos, falências, medidas de austeridade e desemprego.

Na pátria de Sócrates – não do primeiro-ministro português mas do sábio grego – e Platão, os políticos até já têm medo de sair à rua depois da agressão física a Kostis Hatzidakis, ex-ministro grego dos Transportes e actual deputado. O desespero parece estar a tomar conta de tudo e de todos. Vale tudo até arrancar olhos, no caso vertente partir cabeças.

No continente americano a coisa parece ir bem melhor, com a recuperação económica a fazer-se sentir aos poucos, sobretudo nos países do sul, com especial destaque para o Brasil, que agora, já no dia 1, fecha o ciclo Lula e abre o ciclo Dilma Rousseff , a primeira mulher a ocupar o palácio do Planalto em Brasília.

A nova inquilina terá como tarefa prioritária o combate ao crime organizado nas favelas do Rio de Janeiro que terminam o ano em grande polvorosa.

Na Ásia, a China, a segunda economia do mundo, teve de engolir um valente sapo vivo com a atribuição do prémio Nobel da Paz ao activista dos direitos cívicos Liu Xiaobo, preso há mais de 11 anos por ter apoiado a revolta de Tianamen em 1989.

E enquanto neste oriente mais próximo de nós, Afeganistão e Iraque, a instabilidade continua a reinar, no extremo a península coreana, o último resquício da divisão do mundo determinada pela Guerra Fria, acaba o ano muito próxima da guerra com provocações nunca vistas desde 1953, ano em que terminou a guerra na Coreia.

E a África, o nosso continente? Foi capaz do melhor e do pior. Espantou o mundo, no bom sentido, com a imaculada organização do Mundial de futebol na África do Sul, mas por outro lado continuou a violar gravemente os direitos humanos e cívicos e a desrespeitar a vontade da escolha popular como estamos a assistir na Costa do Marfim, onde há dois presidentes e dois primeiros-ministros designados pelos primeiros. Como irá acabar esta história ninguém sabe, mas prevê-se o pior.

E a nossa Pátria Amada no meio de tudo isto? O ano foi bem difícil para governantes e, sobretudo, para governados. Até começou bem com o gesto magnânimo da Frelimo a permitir que o novo partido, o MDM, pudesse formar bancada parlamentar, rompendo o bipartidarismo na AR, o que já não acontecia desde a primeira legislatura em 1994 quando a União Democrática passou a barreira dos 5% e elegeu, salvo erro, cinco deputados.

Depois foram os sucessivos aumentos dos preços dos bens essenciais que foram, como dizem os brasileiros, ‘enchendo o saco’ do povo, não de comida mas de fome.

Os protestos alcançaram o zénite nos dias 1 e 2 de Setembro quando Maputo paralisou totalmente com uma greve que o Governo não autorizou.

Balanço final: 18 mortos entre os manifestantes. Seguiram-se os anúncios de subsídios, como se o problema fosse resolvido com subsídios. O pão baixou de preço e tudo acalmou. Até quando? Não se sabe.

Mas o ano terminou com uma palavra esquisita na boca de todos: WikiLeaks. Os governos, desde o dos Estados Unidos, passando pelo russo, até ao nosso, todos a detestam e rogaramlhe pragas. Porque será?

Nota: Devido à quadra que atravessamos esta será a última edição deste ano d@ VERDADE. Para o ano cá estaremos a partir do dia 14 de Janeiro. Aos nossos leitores desejamos um Bom Natal e um próspero Ano Novo.

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