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Mais de cem imigrantes morrem ao tentar chegar na costa da Itália

A Itália despertou nesta quinta-feira com a notícia de uma nova tragédia ocorrida no mar da ilha de Lampedusa, o naufrágio de uma embarcação na qual viajavam cerca de 500 pessoas e que deixou por enquanto mais de 100 mortos e 200 desaparecidos.

Durante toda a jornada, os serviços de socorro recuperaram corpos sem vida das águas do Mediterrâneo, que iam sendo levados para os píeres da ilha. Mergulhadores da Guarda Litorânea localizaram entre os restos da embarcação dezenas de corpos.

Segundo o depoimento de alguns dos 151 sobreviventes da tragédia, que contaram ser cidadãos da Eritréia e da Somália, a embarcação, que iniciou sua travessia no litoral da Líbia, pegou fogo e acabou virando, e com isso os imigrantes ilegais caíram no mar e alguns deles ficaram presos na estrutura do barco.

Investigações iniciais indicam que o fogo pode ter começado por um curto-circuito ou quando os próprios imigrantes decidiram fazer uma chama para serem localizados pois não conseguiram contactar os serviços de resgate.

Com esta nova tragédia, pela qual a Itália decretou dia de luto nacional para amanhã, Lampedusa, considerada como uma das portas de entrada da Europa pelos imigrantes em função de sua proximidade com a costa africana, voltou a ser cenário de uma travessia frustrada para aqueles que buscam no velho continente um futuro melhor fugindo de conflitos e da de fome em seus países.

Os meios de comunicação italianos mostraram ao longo do dia as cenas dramáticas vividas na ilha, onde os corpos dos imigrantes ilegais se amontoavam em seus cais, enquanto se procurava dar abrigo aos sobreviventes e as equipes de resgate mantinham uma atividade frenética para tentar localizar os desaparecidos.

“Não sabemos onde colocar nem os vivos nem os mortos”, lamentou a prefeita de Lampedusa, Giusy Nicolini, consciente de que a situação também é dramática no abrigo da ilha, no qual atualmente estão alojadas 1.350 pessoas, sendo que a capacidade do local é de cerca de 700. “Basta! O que estamos esperando? O que está se passando em Lampedusa é um horror contínuo”, disse a edil.

A tragédia, na qual morreram duas mulheres grávidas e três crianças, é a terceira que ocorre em poucas semanas e voltou a colocar em primeiro plano no país os problemas da imigração ilegal. Ao longo do dia surgiram denúncias de omissão de socorro e segundo depoimentos três barcos pesqueiros ajudaram a embarcação quando esta se encontrava em mar aberto.

Na Itália o fato despertou um forte comoção, e em um momento de plena ebulição política, depois que o primeiro- ministro, Enrico Letta, superou duas moções de confiança no Parlamento, a atividade dos dirigentes do país ficou em segundo plano. Instituições e políticos se mostraram consternados pelo naufrágio e expressaram de forma unânime suas condolências e pediram que se ponha freio ao contínuo drama humano vivido no litoral sul da Itália.

O vice-primeiro-ministro e titular de Interior, Angelino Alfano, afirmou que espera que a União Europeia (UE) se dê conta que eventos como o de hoje não são um “drama italiano, mas europeu”.

A tragédia também teve uma forte repercussão além das fronteiras italianas com a reação de representantes europeus e de organismos internacionais, como a do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, para quem o fato de hoje deve “obrigar a que se levem a cabo ações concretas”.

Além disso, o papa Francisco, que deixou claro em várias ocasiões a sua preocupação pelo fenômeno da imigração ilegal e que escolheu a ilha de Lampedusa como destino de sua primeira viagem como pontífice, expressou seu pesar pela tragédia, que chamou de “vergonha”. “Só me ocorre a palavra vergonha, é uma vergonha”, disse Francisco durante o seu discurso perante os participantes de uma convenção pelo aniversário da encíclica “Pacem in Terris”.

Em 2011, Lampedusa recebeu um grande número de imigrantes ilegais como consequência da onda migratória procedente do norte da África surgida por causa das revoltas populares em países como Tunísia e Líbia.

No único cemitério de Lampedusa, existem dezenas de túmulos de imigrantes ilegais, sem nome nem nacionalidade. A prefeitura colocou nas campas apenas uma simples foto do mar, no qual está escrita a suposta idade das vítimas, se eram homens, mulheres ou crianças, a sua origem africana e a data em que os corpos foram encontrados.

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