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Lula entre os doutores

Lula entre os doutores

O presidente brasileiro, Lula da Silva, passou com distinção no “teste” como professor ao proferir a aula inaugural na Universidade Pedagógica no âmbito de uma parceria entre este estabelecimento de ensino moçambicano e Universidade Aberta do Brasil. Lula deu um show de retórica e defendeu que a educação é a grande riqueza do ser humano e por isso é obrigação do Estado regulamentá-la.

“Boas-vindas presidente Lula! Boas-vindas presidente Lula!”, foi assim, de um modo entusiasmado e agitando bandeirinhas de papel com as bandeiras do Brasil e de Moçambique, que um grupo de crianças recebeu, na manhã de terça-feira, o presidente brasileiro Luíz Inácio Lula da Silva, à porta do Instituto Nacional de Ensino à Distância (INED) onde o chefe de Estado daquele país se deslocou para proferir a aula inaugural no âmbito de um acordo rubricado entre a Universidade Aberta do Brasil e a Universidade Pedagógica de Moçambique.

Já com o colar de flores de boas-vindas ao pescoço, Lula mostrou a sua veia de violador de protocolos e, tal como Cristo, deixou vir a ele as criancinhas, distribuindo sorrisos, beijos, abraços e fotografias.

Após uma breve visita ao Laboratório de Biologia, seguiuse as intervenções na Aula Magna. Venâncio Massingue, ministro moçambicano da Ciência e Tecnologia foi o primeiro a tomar a palavra para dizer que se sentia muito honrado com a presença do chefe de Estado brasileiro, recordando em seguida o seu percurso desde a infância difícil e pobre até ao Palácio do Planalto em Brasília.

“Quero primeiro expressar aos nossos queridos representantes do governo de Moçambique, aos nossos alunos da Universidade Aberta e aos ministros brasileiros a minha alegria por estar em Moçambique pela terceira vez. É possível que tenha vindo a Moçambique mais vezes do que todos os outros presidentes brasileiros juntos”, começou por dizer Lula, arrancando gargalhadas da assistência. Ao seu lado estavam duas televisões ligadas à Beira e Lichinga por vídeoconferência, pólos onde a parceria se irá estender.

Depois, dividiu a intervenção em dois momentos: “primeiro vou ler o roteirinho que está aqui e depois vou falar um pouco das minhas emoções neste meu regresso a Moçambique”.

Educação é a grande riqueza

No primeiro momento ressaltou a importância da educação. “Hoje, com o lançamento dos primeiros pólos moçambicanos da Universidade Aberta do Brasil, estamos talvez a dar o passo mais firme com vista ao aprofundamento da cooperação entre os nossos dois povos. Nada é mais urgente que a capacitação de moçambicanos e brasileiros para construir sociedades cada vez mais democráticas e prósperas e assim firmar a nossa presença soberana no mundo. Isto só será possível com a melhoria da educação nos nossos países.”

No desenvolvimento informal, de improviso, Lula fez jus à fama de orador nato, arrebatando numerosas palmas e risos. “Só com a educação se pode disputar um emprego em pé de igualdade”, referiu, acrescentando que nunca o ensino se desenvolveu tanto no Brasil como nos seus oito anos de presidência.

“É curioso porque sou o primeiro presidente que não tem diploma universitário. Eu gostava de ser professor de História para ser chamado contador de histórias (risos). Mas sou mecânico.”

Depois acrescentou: “Curiosamente fomos nós [referindo-se a ele próprio e ao vice-presidente José de Alencar também ele ser qualquer diploma universitário] que mais universidades federais fizemos no Brasil, que mais escolas técnicas criámos.” Depois confirmou com números: “Em 100 anos o Brasil construiu 140 escolas técnicas. Nós, em oito anos, inaugurámos 214 escolas técnicas. Inaugurámos 14 universidades federais e muitos pólos nas províncias.”

Nós também podemos enrolar a língua

Mais adiante Lula voltou a frisar a importância da educação. “É a única coisa que proporciona igualdade de oportunidade. Quando decidimos privilegiar a cooperação com a África, e particularmente com os países africanos de língua portuguesa, quisemos reparar uma dívida histórica com o povo africano, do qual o povo brasileiro descende.

Durante séculos, com a nossa cabeça colonizada, aprendemos que somos seres inferiores, aprendemos que qualquer um que enrola a língua é melhor do que nós e muitas vezes não percebemos que, para eles, também nós enrolamos a língua.

O que nós queremos com a opção por África, é levantarmos a cabeça juntos e construirmos um futuro em que o Sul não seja mais fraco do que o Norte, em que o Sul não seja dependente do Norte, porque se nós acreditarmos em nós próprios poderemos ser tão importantes e sabidos como eles, poderemos produzir tanto como eles. O mundo vai precisar cada vez de mais alimentos e as terras aráveis, por explorar, estão no Sul, em África e na América Latina. Não explorámos ainda meio por cento da área da savana africana!

Queremos ver a África sair desta situação miserável. O chinês pode ter mais tecnologia, o alemão também, mas quando quiserem comer têm que falar com vocês, porque a comida está aqui, em África. Eles [o dos norte] tentar subvalorizar aquilo que nós produzimos e sobrevalorizar o que eles produzem. E nós aceitamos. Que esta Universidade Aberta, que hoje estamos a inaugurar, possa ser uma célula de consciência para que não permitamos mais ser tratados como se fossemos inferiores.”

Por fim lançou um aviso: “Não permitam que aqui se passe o mesmo que no Brasil nos anos 90’,quando uma meia dúzia começou a dizer que o problema da educação seria resolvido pelo mercado. Quem deve resolver o problema da educação é o Estado, ele é que é o tutor, o pai, o filho, o irmão, a razão da nossa existência e nós somos a razão da existência do Estado.

Esta combinação é que permitir que nós, sem pegarmos numa arma, sem ferir o companheiro, possamos fazer a mais importante revolução existente num ser humano: o revolução do progresso, da distribuição de renda, do conhecimento, garantindo a cada homem e mulher do planeta Terra o direito a tomar café, a almoçar e a jantar todo o santo dia, porque sem isso não seremos ninguém.”

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