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Lixeira zimbabweana polui principal fonte de água em Manica

Uma enorme lixeira localizada na nascente do rio Munene, na cidade zimbabweana de Mutare, é apontada como estando a poluir aquele curso de água, tido como principal fonte de abastecimento de agua potável para as cidades de Chimoio Manica e a vila de Gôndola em Moçambique.

O rio Munene é um dos afluentes do rio Revuè, onde está edificada a barragem hidroeléctrica de Chicamba e cuja albufeira constitui o principal centro pesqueiro e fonte de abastecimento de água canalizada às cidades de Chimoio, capital da província central de Manica e aos distritos de Manica e Gôndola.

Natércia Nhabanga, directora provincial da Coordenação da Acção Ambiental, confirmou a existência da lixeira que, segundo ela, foi estabelecida há 60 anos pelo então regime colonial britânico, numa altura em que da parte moçambicana pouco se sabia sobre o problema. “Do ponto de vista ambiental e sanitário o caso é extremamente grave, já que o rio Munene constitui uma das principais fontes de água para o consumo humano, abeberamento de animais, pesca e irrigação, sendo assim bastante importante para as comunidades ribeirinhas” disse Nhabanga citada pelo matutino “Notícias”.

A fonte disse que o facto de o rio Munene desaguar no rio Revuè, onde foi edificada a barragem hidroeléctrica de Chicamba, cuja albufeira constitui um importante centro pesqueiro e de captação de água que abastece os principais centros urbanos da província, agrava o problema e impele para a necessidade de se alcançar o mais rapidamente possível, uma solução para resolver o problema.

Nhambanga revelou que a lixeira é usada para depositar todo o tipo de lixo, incluindo hospitalar, industrial, urbano, sucata e outros detritos, o que, no seu entender, constitui uma afronta ao ambiente e uma ameaça à saúde pública. A questão da poluição das águas do rio Munene e que, por consequência, pode afectar as águas do Revuè e da Albufeira de Chicamba, foi despoletada pela primeira vez na cidade de Manica, pelo respectivo edil, Moguene Materico Candeeiro, em 2009.

Devido à gravidade do problema, a governadora de Manica, Ana Comoane, estabeleceu de imediato uma comissão técnica para averiguar o caso. A missão moçambicana já se deslocou várias vezes a Mutare, onde visitou o local, tendo-se reunido com as autoridades municipais daquela cidade e com o Consulado de Moçambique em Mutare. “Nos referidos encontros, as autoridades municipais de Mutare confirmaram e reconheceram a gravidade do problema mas disseram não haver solução a curto ou médio prazo. Justificaram que problemas resultantes da crise financeira e económica no país estão na origem da situação”, disse.

Enquanto isso, as autoridades zimbabweanas garantiram que estão a trabalhar no sentido de identificar um novo lugar que possa ser usado para aquele fim, para libertar a nascente de Munene da enorme lixeira, cuja dimensão é comparada com a de Hulene, na capital moçambicana.

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