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Livro de Reclamação: trabalhadores de serralharia pedem tratamento mais humano

Saudações, Jornal @Verdade. Somos trabalhadores duma serralharia pertencente ao senhor Timóteo Sairosse, residente no bairro de Laulane na cidade de Maputo. Gostaríamos, através do vosso meio de comunicação, de expor o nosso desassossego devido a algumas irregularidades relacionadas com a forma desumana com que temos sido tratados pelo nosso patrão e, principalmente, os atrasos sistemáticos no pagamento dos ordenados a que temos direito. O que nos inquieta, para além dos descontos que consideramos desnecessários nos nossos vencimentos, é a forma humilhante e pouco dignificante a que somos constantemente submetidos.

O nosso patrão julga que o facto de trabalharmos para ele é um favor para nós. Por vezes, ele esquece que nos contratou porque somos competentes e o nosso ofício garante-lhe a sobrevivência.

Nós gostaríamos que ele nos tratasse como seus funcionários, como humanos e não como animais ou pessoas a quem ele paga salários no fim do mês sem fazerem nada. O senhor Timóteo Sairosse trata-nos como suas crianças e atribui-nos adjectivos pejorativos. Somos constantemente humilhados.

Além destes maus-tratos, o nosso salário, que não passa de três mil meticais, está atrasado há seis meses e não temos nenhuma explicação sobre o que faz com que os vencimentos não sejam pagos regularmente. Estamos desapontados e desesperados por causa destes problemas. Somos chefes de família, os nossos dependentes estão a passar por necessidades e precisamos desse valor para transporte e alimentação.

Por várias vezes, reclamámos junto do nosso empregador mas ele não nos atende de forma satisfatória. As desculpas do nosso patrão são as mesmas e ele nunca nos diz quando teremos salários. São seis meses de espera e ele só promete mudar a situação deplorável a que estamos submetidos e ameaça despedir-nos em caso de expormos este assunto ao Ministério do Trabalho. Não entendemos por que motivo os nossos ordenados não são pagos, mas todos os dias nós garantimos que haja dinheiro na empresa.

Gostaríamos que o senhor Timóteo Sairosse nos tratasse com dignidade e respeito e, acima de tudo, que nos pagasse pelo esforço que fazemos para si e seus parentes. Nós não podemos trabalhar arduamente, todos os dias, para no fim do mês não sermos remunerados quando há dinheiro para o efeito.

Resposta

Sobre este caso, o @Verdade contactou Timóteo Sairosse, proprietário da serralharia em alusão. Ele disse que o grosso das reclamações apresentadas pelos seus trabalhadores ao nosso Jornal são infundadas mas admite que há um atraso no pagamento dos vencimentos.

Relativamente aos ordenados supostamente não desembolsados há seis meses, o nosso entrevistado explicou que o facto se deve a alguns problemas que dizem respeito ao funcionamento da serralharia, mas que brevemente serão ultrapassados. Sem avançar datas concretas para o efeito, ele pediu para que os seus empregados tenham calma e paciência.

Sobre os maus-tratos de que os seus funcionários se queixam, Timóteo Sairosse disse que tal não passa de uma mentira grosseira. “Seria desumano tratar mal os funcionários que asseguram a renda da empresa. As pessoas que dizem isso (que alegam estarem a ser insultadas) são mal intencionadas”.

Num outro desenvolvimento, o nosso interlocutor disse que os trabalhadores nunca entendem o que o patronato diz ou pretende em relação às tarefas realizadas para o progresso da companhia na qual estão afectas. “É preciso que haja entendimento entre as partes”, concluiu.

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