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Liga e Ferroviário de Maputo mostram o fraco futebol moçambicano e estão fora das afrotaças

Liga e Ferroviário de Maputo mostram o fraco futebol moçambicano e estão fora das afrotaças

A Liga Desportiva de Maputo e o Ferroviário de Maputo, depois de perderem pela margem mínima na casa dos seus adversários, não “mandaram em casa” e estão fora das competições africanas de clubes. Pelo terceiro ano consecutivo as equipas moçambicanas são eliminadas nas primeiras eliminatórias que disputam nas afrotaças mostrando o fraco nível do futebol que é praticado no nosso país.

A jogar em casa alugada, o estádio nacional do Zimpeto, a equipa treinada por Dário Monteiro entrou com pouca vontade de inverter a eliminatória neste sábado(19). Teve a posse de bola que o Sagrada Esperança permitiu e viu os angolanos criarem as duas primeiras situações de golo. Primeiro por Love, que depois de tirar dois defesas do caminho chutou fraco, e depois o guarda-redes Milagre saiu mal e valeu Bhéu a cortar a bola que caminhava para a sua baliza.

O experiente avançado angolano, Arsénio Sebastião Cabúngula de seu nome de registo, voltou a criar perigo no minuto 21 quando de cabeça mergulhou em resposta a um centro perfeito, mas a bola passou perto do poste de Milagre.

Daínho, no minuto 23, fez o primeiro remate do detentor da taça de Moçambique, desenquadrado com a baliza. O mesmo jogador voltou a chutar, desta vez ao lado, no minuto seguinte.

O Sagrada geria a vantagem pressionando à meio campo e não dando espaço aos moçambicanos e saindo pela certa em contra ataque.

Quando a Liga começou a criar jogadas de perigo, depois da meia hora, Yuri mostrou que é um guarda-redes seguro. Os seus instintos permitiram defender um livre bem marcado pela Liga no minuto 36. No minuto 44 o número 1 angolano saiu bem defendendo um bom passe longo e no minuto seguinte antecipou-se com segurança depois de um cruzamento certeiro.

Antes do intervalo o guarda-redes angolano voltou a mostrar a sua segurança defendendo um cabeceamento de Andro na pequena área.

Sem apoio do público, apesar das entradas serem gratuitas o estádio esteve vazio, Dário deve ter dito aos seus pupilos que era o tudo ou nada nos 45 minutos finais.

Telinho com o cruzamento remate mostrava uma Liga Desportiva estava transfigurada, com mais atitude sobre a bola e as jogadas de ataque sucederam-se mas faltava eficácia dos atacantes e, quando os remates iam para a baliza Yuri estava lá seguro.

Depois de ter lançado Liberty para o lugar de Gerson no início da 2ª parte Dário lançou Zicco para o lugar de Telinho, era preciso marcar pelo menos dois golos.

Sonito que tinha passado ao lado da partida recebeu um bom passe pelo centro arrancou para a grande área e, quando sentiu o toque do defensor, arrancou uma grande penalidade. Era a chance de empatar a eliminatória, ainda com 20 minutos por jogar, mas o avançado moçambicano fez-se mal à bola e atirou-a em direcção ao travessão com Yuri já batido.

Não podia ser mais evidente a ineficácia da equipa moçambicana. Zicco, no minuto 78, recebeu um passe perfeito mas no centro da área rematou ao lado da baliza do Sagrada Esperança. Depois outro jogador da Liga armou um remate do meio da rua e Yuri novamente estava lá seguro. Depois Sonito, servido na pequena área, cabeceou para as mãos do guarda-redes angolano que parecia intransponível.

Até que a um minuto do final do tempo regulamentar Daínho, o médio que se mudou do Costa do Sol, ganhou a bola à entrada da área e com o seu pé direito fez o esférico voar por cima do guarda-redes angolano e anichar-se no fundo das redes.

Estava empata a 2ª eliminatória da taça também conhecida como “Nelson Mandela”, mas ainda faltavam jogar os cinco minutos de compensação e mais um golo garantia o apuramento da Liga Desportiva de Maputo.

A procura desse golo os pupilos do Dário Monteiro continuaram balanceados ao ataque e nem Chico, que entrara para o sector defensivo, viu Love arrancar para a baliza de Milagre. O guarda-redes moçambicano saiu aos pés do avançado de 37 anos de idade que com a sua experiência soube ganhar o penálti e, na transformação, fuzilou para empatar a partida e colocar o Sagrada Esperança nos oitavos de final da taça CAF com agregado de 1 a 2, na soma das duas eliminatórias.

Locomotivas de Maputo impotentes

Muito preocupados com festa e animação antes do apito inicial o Ferroviário de Maputo parece que não assistiu a partida da Liga e, neste domingo(20), entrou para o seu estádio da Machava com a mesma apatia da Liga Desportiva.

Só passados 11 minutos de jogo Diogo conseguiu chutar pela primeira vez para a baliza do As Vita que antes, em contra-ataque já havia testado os reflexos de Germano.

No minuto 16 o guarda-redes locomotiva, com uma palmada, cortou um livre bem marcado pela esquerda e na recarga Timbe foi providencial colocando no caminho da bola que seguia em direcção à baliza.

Os congoleses controlavam o ritmo de jogo, deixavam a posse da bola com os moçambicanos que não tinham ideias para leva-la até a grande área adversária, e procuravam em contra-ataque chegar à baliza do Ferroviário.

Kule apareceu isolado na grande área, à passagem do minuto 23, mas atento o guarda-redes locomotiva cortou o lance com os pés. No lance seguinte o mesmo jogador do AS Vita aproveitou uma fífia de Jeitoso mas o defensor locomotiva conseguiu recuperar e cortar o lance.

Só depois da meia hora a equipa de Carlos Manuel(Caló) conseguiu fazer uma jogada com princípio e meio mas no final Luís cruzou para as costas de Lewis que adiantando não teve como chegar a bola.

Até ao intervalo os congoleses continuaram a dominar o jogo enquanto o Ferroviário de Maputo parecia jogar para não perder.

Caló deve ter lembrado aos seus jogadores, durante o descanso que foi passado nos bancos de suplentes e não nos balneários, que estavam em desvantagem na eliminatória e era preciso vencer por pelo menos dois golos.

Com mais garra voltaram os locomotivas que logo nos primeiros minutos chegaram com algum perigo, em duas ocasiões, à baliza de Lukong. Da meia lua, no minuto 50, Diogo chutou forte mas ao lado da baliza do AS Vita que continuava bem organizado e a criar perigo em contra-ataque.

Caló apostou no ataque, lançou Miami para o lugar de Timbe, depois Manucho para o lugar do capitão Luís e depois tirou Lewis e colou Maurício, mas embora a equipa moçambicana construísse melhores jogadas atacantes continuava inofensiva na hora de visar a baliza do AS Vita.

E como diz o povo, “quem não marca arrisca-se a sofrer”, e foi o que aconteceu no primeiro minuto de compensação. Após mais um ataque inofensivo dos locomotivas de Maputo a defesa congolesa recuperou o esférico e lançou Ngonda, o médio arrancou do seu meio relvado passou por vários defensores moçambicanos no flanco direito entrou na área e diante de Germano colocou a bola por cima do guarda-redes no canto da baliza mais distante.

A perder por 0 a 2 os ferroviários da capital moçambicana já não tinham nada a defender e Diogo, um dos mais inconformados, arrancou uma grande penalidade que transformou no golo do empate da partida da 2ª mão. Mas já não houve tempo para procurar o empate da eliminatória e nem mesmo a vitória.

Desde 2013, quando a Liga chegou aos oitavos-de-final da taça CAF, que uma equipa moçambicana não passa da primeira eliminatória que disputa nas afrotaças.

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