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Líderes rebeldes da Ucrânia tomam posse e Kiev diz que o plano de paz foi violado

Os separatistas pró-Rússia do leste da Ucrânia realizaram cerimónias de posse para seus líderes, esta terça-feira (4), depois de uma eleição que Kiev denunciou como uma farsa e que alega ter violado o plano de paz para pôr fim à guerra que já matou mais de quatro mil pessoas.

Alertando para a ameaça de uma nova ofensiva dos rebeldes apoiados por Moscovo, o líder ucraniano disse que as unidades recém-formadas do Exército serão enviadas para defender uma série de cidades do leste.

O militar mais graduado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), um general dos Estados Unidos, declarou que agora existem condições para se criar um “conflito congelado”, termo que o Ocidente usa para descrever regiões rebeldes nascidas de ex-países soviéticos que Moscovo protege com suas tropas.

As cerimónias de posse no leste da Ucrânia aconteceram enquanto dezenas de milhares de pessoas marchavam pelas ruas de Moscovo no “Dia da Unidade”, feriado nacionalista que comemora uma batalha do século 17 ressuscitado pelo presidente russo, Vladimir Putin, para substituir as comemorações da revolução bolchevique dos tempos soviéticos.

A Ucrânia foi muito mencionada nos discursos que marcaram a ocasião. A maior parte dos combates no leste ucraniano foi interrompida em setembro, quando Kiev concordou com uma trégua depois de ver as suas forças repelidas pelo o que a capital e países ocidentais dizem ter sido uma incursão de colunas de blindados com soldados russos.

Mas a frente de batalha continua perigosa e tensa, e os dois lados se queixam de disparos quase todos os dias. Fogo de artilharia da direção dos destroços do aeroporto internacional de Donetsk, ainda sob controle do governo, reverberou durante a posse dos líderes rebeldes na cidade.

Moscovo afirma que a eleição de Alexander Zakharchenko e Igor Plotnitsky como líderes das “Repúblicas Populares” de Donetsk e Luhansk, que juntas chamam a si mesmas de “nova Rússia”, significa que Kiev deve agora negociar directamente com eles.

O governo central ucraniano sempre rejeitou a ideia, descrevendo os rebeldes como “terroristas” ou “bandidos” apoiados pela Rússia e sem legitimidade. O temor ocidental é que Moscovo, que já anexou a península da Crimeia em Março, agora exerça controle sobre a região industrial de Donbass, também no leste da Ucrânia, em definitivo, como faz há duas décadas em partes da Moldávia e da Geórgia que separaram-se depois do colapso da União Soviética.

“Temo terem surgido as condições que poderiam levar… a um conflito congelado”, declarou Philip Breedlove, general da força aérea dos EUA e autoridade de mais alta patente da NATO, em Washington.

A fronteira russa com o leste ucraniano enfraqueceu-se a ponto de ter se tornado completamente sem controle, enquanto a linha dentro da Ucrânia que separa o governo dos territórios rebeldes aprofundou-se, disse.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, reuniu-se com os seus chefes de segurança e disse continuar comprometido com uma solução pacífica para o conflito, embora tenha declarado que o plano de paz e a trégua firmados na capital bielorrussa, Minsk, em Setembro, foram violados pela Rússia e pelos separatistas.

Kiev postula que os acordos de Minsk só preveem que as eleições de autoridades locais no leste sejam realizadas de acordo com a lei ucraniana, e não através de votações independentes para instalar líderes de entidades separatistas que buscam maior proximidade, ou até união, com Moscovo.

O Ocidente e Kiev também afirmam que a Rússia continua a fornecer apoio militar para os rebeldes. Na posse num teatro de Donetsk, o líder eleito Zakharchenko prometeu “servir honestamente aos interesses do povo da República Popular de Donetsk”. Já Putin levou adiante a campanha da Rússia na Ucrânia, apesar das sanções económicas europeias e norte-americanas.

“Queridos amigos, este ano tivemos que encarar desafios difíceis. E como já aconteceu mais de uma vez na nossa história, o nosso povo reagiu a consolidar-se e a mostrar ímpeto moral e espiritual”, declarou Putin numa recepção de gala depois do desfile do “Dia da Unidade”. “O desejo da justiça, da verdade, sempre foi honrado na Rússia. E as ameaças não irão nos forçar a abandonar nos ossos valores e ideais.”

Nas últimas semanas, Rússia e Ucrânia chegaram a um acordo provisório sobre o fornecimento de gás russo, o que permitirá aos dois países retomar a parte mais importante de suas relações económicas e trazer alguma estabilidade ao cenário actual, mesmo sem resolverem o conflito separatista.

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