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Líbia: Fotógrafo, médico e mais sete são mortos em Misrata

Nove civis, inclusive um premiado fotógrafo britânico e um médico ucraniano, morreram na quarta-feira em meio aos combates entre rebeldes e forças governistas líbias na cidade de Misrata. A terceira maior cidade líbia é o último reduto dos rebeldes no oeste do país, mas está sitiada há mais de sete semanas por forças leais ao líder da Líbia, Muammar Khaddafi.

O médico Khalid Abufalgha, do comitê médico de Misrata, disse que sete civis líbios foram mortos na quarta-feira. O médico ucraniano foi morto por um míssil quando saía da casa onde vivia, e a mulher dele teve ambas as pernas amputadas.

Segundo fontes de um hospital local, o fotógrafo Tim Hetherington, codiretor do documentário “Restrepo”, indicado ao Oscar neste ano, foi morto, e seu colega Chris Hondros, da agência Getty, está em estado grave com lesões cerebrais. Os dois estavam em um grupo atingido por morteiros na rua Trípoli, principal acesso ao centro de Misrata, e cenário de violentas batalhas nas últimas semanas. “Estava tranquilo, e estávamos tentando ir embora, quando um morteiro caiu e ouvimos explosões”, relatou o fotógrafo espanhol Guillermo Cervera.

Acredita-se que centenas de pessoas já tenham morrido nesta cidade de 300 mil habitantes, onde entidades humanitárias alertam para uma grave crise devido à falta de alimentos e suprimentos médicos. Uma longa fila num posto de gasolina era um indício das dificuldades. A eletricidade foi cortada e, por isso, a população depende de geradores. Milhares de trabalhadores estrangeiros esperam para serem resgatados na zona portuária. “Intensos combates estão ocorrendo agora na rua Nakl el Thequeel, que leva ao porto.

As forças de Khaddafi tentam controlar esta rua para isolar a cidade”, havia dito anteriormente o porta-voz rebelde chamado Abdelsalam. “Aviões da Otan estão sobrevoando Misrata, mas não sei se há bombardeios”, acrescentou ele, falando por telefone da cidade. “A NATO tem sido ineficiente em Misrata. A NATO fracassou completamente em mudar as coisas no terreno.” Abdelsalam disse que “combates violentos” ocorreram pela manhã na rua Trípoli. “Os civis não podem sair por medo de serem mortos a tiros”, acrescentou.

Outro porta-voz rebelde, chamado Reda, disse que os rebeldes “controlam 50 por cento da rua, e os outros 50 por cento são controlados por soldados de Gaddafi e por francoatiradores”. Esse rebelde afirmou que a área próxima ao porto, dominada pelos rebeldes, estava calma pela manhã. As autoridades líbias acusam os rebeldes de serem ligados à Al Qaeda, e negam que estejam bombardeando Misrata e seus civis.

Desde o mês passado, países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) bombardeiam o território líbio para tentar prejudicar a atuação das forças de Gaddafi. Os insurgentes disseram ter feito avanços nos últimos dias, apesar dos intensos bombardeios eventuais pelas forças do governo. Não foi possível confirmar tais avanços de modo independente.

Na quarta-feira, um navio levando ajuda humanitária a Misrata chegou ao porto, e deve partir levando trabalhadores estrangeiros. Estima-se que haja cerca de 5.000 deles esperando na zona portuária para serem resgatados.

 

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