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Ladrões de animais inquietam população de Murrupula

Os residentes do posto administrativo de Cazuzo, distrito de Murrupula, na província de Nampula, estão preocupados com a crescente onda de roubos de animais domésticos (cabritos, galinhas, patos) bem como de produtos agrícolas das suas machambas. Durante este ano, mais de 50 cabeças de gado caprino desapareceram devido à acção de um grupo de indivíduos que tem vindo a tirar o sossego à população local. Os régulos Mphata e Mmuatho são os mais lesados.

Os ladrões invadem os currais durante a calada da noite, matam os animais, esfolam-nos e abandonam a pele, a cabeça, as patas e as tripas no pátio dos proprietários do cabritos, e a carne é vendida na cidade de Nampula, que dista 80 quilómetros. Até os líderes comunitários locais não escapam à acção dos larápios.

O régulo Mphata referiu que perdeu 12 cabeça do gado caprino. “Estamos preocupados com a situação de roubos aqui no distrito. Há muitos ladrões de cabritos, galinhas e patos”, disse o líder comunitário para depois afirmar que a maior parte das vítimas é responsável por diferentes comunidades. Na mesma situação está o régulo Mmuatho, que também viu grande parte do seu gado (15 cabeças) desaparecer do seu curral.

Armando Rafael, morador do povoado do Mphata, conta que desde que começou a dedicar- -se à criação de cabritos e galinhas tem vindo a sofrer roubos constantes, mas afirmou que o que está a acontecer nos últimos dias é preocupante. “Presumo que os gatunos estejam a realizar a sua actividade com recurso à magia negra, pois não se justifica que nenhum dos moradores tenha ouvido os ladrões a abaterem os animais”, disse.

Rafael disse ainda que, devido aos crescentes casos de roubos de cabritos, a população daquela comunidade, as autoridades do posto administrativo e os líderes comunitários de diferentes localidades e povoados reuniram-se para encontrar uma forma de pôr cobro à situação, tendo-se decidido reforçar a vigilância comunitária. Porém, o problema persistiu, ou seja, cresceram os casos de criminalidade, roubo de galinhas, patos, cabritos, e produtos agrícolas nas machambas.

Armando Rafael acusa alguns jovens residentes no posto administrativo de Namaita, no distrito de Nampula-Rapale, de serem os protagonistas de roubo de bens em Cazuzo. “A maior parte das pessoas cria animais com o objectivo de melhorar a sua vida, mas o seu sonho e esforço têm sido deitados abaixo pelos larápios”. A população anda agastada com a situação e promete responsabilizar por todos os animais perdidos até agora o indivíduo que for encontrado em flagrante.

Carne de cabrito é vendida em Namaita

A população de Cazuzo, no distrito de Murrupula, diz já ter pistas de algumas pessoas que, com certa frequência, têm vindo a roubar os seus cabritos e produtos agrícolas nas suas machambas. O régulo Mphata apontou os vendedores de carne de cabrito da vila de Namaita como os principais suspeitos. “Estamos a investigar e já temos alguns suspeitos em Namaita. Nós produzimos para as nossas famílias e não para os larápios”, disse.

Ladrões neutralizados

A nossa reportagem testemunhou a neutralização de um indivíduo que supostamente se dedicava ao roubo de cabritos em Cazuzo. Depois de ser barbaramente espancado por populares, ele confessou ter-se apropriado de 10 cabeças de gado caprino e vendido a carne em Namaita. Só não foi linchado graças à intervenção do dono dos animais.

A população daquele posto administrativo descobriu o referido cidadão na madrugada do último Domingo depois de na noite anterior ter roubado mais um cabrito na casa do régulo Mphata. Das investigações feitas pelos moradores, constatou-se que vivia naquele povoado um jovem oriundo de Namaita.

Os residentes deslocaram-se para a casa do suspeito tendo encontrado alguns indícios. Porém, um dos sinais que dissipou as dúvidas da população foi o facto de a esposa do acusado, que se encontrava a preparar carne de cabrito, ter fugido quando os moradores pediram para revistar a casa.

No quintal, foram encontradas uma grelha e uma panela de barro com carne, tendo-se chegado à conclusão de que se tratava do animal que teria sido roubado na casa do líder comunitário daquele povoado. Os moradores questionaram o jovem, tendo este recusado, mas depois de ser torturado pelos populares acabou por confessar ter roubado um total de 10 cabritos e de os ter vendido a um comerciante de Namaita.

Da conversa que o jovem manteve com a nossa equipa de reportagem, este disse não estar directamente ligado aos crimes de que é acusado, mas afirmou que trabalha com um grupo constituído por sete elementos provenientes do posto administrativo de Namaita, incluindo o conhecido vendedor de carne no mercado de Incomate.

“Muitas vezes temos efectuado os roubos usando a magia negra. O nosso patrão é que nos aconselha a usar. Ele dá- -nos uma garrafa com um líquido para deitar à volta da casa onde vamos roubar”, conta.

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