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Kadafi pede dissolução da Organização Mundial do Comércio

O líder líbio, Muamar Kadafi, defendeu, segunda-feira, a dissolução da OMC (Organização Mundial do Comércio) que qualificou de “instrumento do neocolonialismo” e um “pesadelo para as indústrias nacionais. Falando na abertura da III cimeira África-União Europeia (UE), em Tripoli, Kadafi considerou que os países africanos em particular e os do Terceiro Mundo em geral “não tiram proveito desta organização”.

“A OMC trabalha, através da imposição de condições coercivas, para inundar os países do Terceiro Mundo, incluindo os Estados africanos, de todas as espécies de produção fúteis e inúteis”, afirmou o líder líbio. Ele acusou igualmente a OMC de constituir um “pesadelo” para as indústrias locais, “ao impor a abertura dos nossos mercados aos produtos que não servem em nada para o desenvolvimento, à semelhança das condições do BM (Banco Mundial) e do FMI (Fundo Monetário Internacional) que trabalham para asfixiar as populações do Terceiro Mundo e sujeitá-las”.

Por isso, instou os líderes africanos e europeus presentes no encontro a traduzir a vontade dos dois continentes para a promoção da cooperação a todos os níveis em projetos concretos que sirvam os interesses das populações africanas e europeias. Kadafi notou que a vontade das duas partes em matéria de cooperação, desde os encontros de Yaoundé em 1963, Lomé e Cotonou, não bastou para se estabelecer alguma forma séria de cooperação que ponha termo aos problemas que África enfrenta apesar dos seus enormes recursos mineiros e energéticos.

Neste sentido, ele lembrou outras tentativas de cooperação tais como o Processo de Barcelona e a União para o Mediterrâneo, indicando, no entanto, que estas tentativas eram projetos nados mortos, porque elas eram incompletas. O líder Muamar Kadafi explicou o fracasso dos projetos de cooperação económica com África pelo facto de que a parte europeia fez prevalecer o aspeto político sobre os aspetos económicos de que o continente africano precisa.

A título de exemplos, ele citou a intervenção nos assuntos internos dos países e o desrespeito das culturas e das especificidades dos povos. Neste sentido, ele acrescentou que África poderia recorrer a outras alternativas tais como a cooperação equilibrada com a América Latina, a Rússia, a América do Norte e a Ásia, “em vez desta cooperação condicionada que a Europa persiste em impor-lhe”.

Kadafi observou ainda que os dois continentes, africano e europeu, estão confrontados com vários dossiês tensos, tais como o terrorismo de Estado e individual, a pirataria e a luta contra a emigração não desejada, bem como as condições impostas pelo Banco Mundial (BM), pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

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