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Justiça do Egito dissolve Parlamento antes das eleições presidenciais

A Suprema Corte do Egito determinou, esta Quinta-feira, a dissolução do Parlamento liderado pelos islâmicos, tumultuando uma transição delicada para a democracia a apenas dois dias da segunda volta das eleições para escolher o substituto do líder deposto Hosni Mubarak. Os políticos islâmicos censuraram o que chamaram de “golpe” do establishment liderado pelo Exército, ainda repleto de oficiais da era Mubarak.

Eles afirmaram que o movimento das ruas que deu início à insurreição popular do ano passado não deixará isso barato.

Do lado de fora da corte constitucional, os manifestantes cantavam “Abaixo, abaixo o governo militar” e lançaram pedras contra os soldados que faziam um cordão de segurança.

Centenas de soldados e rolos de arame farpado protegiam a sede do tribunal, à beira do rio Nilo. O alvo dos manifestantes são os “feloul”, como são conhecidos os remanescentes do antigo regime.

As eleições parlamentares deste ano colocaram os islâmicos, que durante muito tempo foram reprimidos sob o regime Mubarak, numa posição de comando no Poder Legislativo, um feito que a Irmandade Muçulmana espera repetir com o seu candidato nas eleições presidenciais de Sábado e Domingo.

Esses ganhos parlamentares agora serão colocados de novo em disputa numas novas eleições. Em outro revés para os islâmicos, a Suprema Corte Constitucional determinou que o último primeiro-ministro de Mubarak, Ahmed Shafik, poderá permanecer na disputa presidencial contra Mohamed Morsy, da Irmandade.

O militar da reserva indicado para primeiro-ministro nos últimos dias do governo de Mubarak, Shafik classificou as decisões de “históricas”.

A perspectiva de escolher entre dois candidatos que não estiveram ligados à revolução anti-Mubarak desagrada muitos manifestantes.

“A decisão relacionada ao Parlamento inclui a dissolução da câmara baixa do Parlamento na sua totalidade”, disse o presidente da corte constitucional, Farouk Soltan, à Reuters.

Umas novas eleições terão que ser convocadas pelo Poder Executivo, disse ele. Mais cedo, a corte decidiu derrubar uma lei aprovada pelo Parlamento liderado pelos islâmicos que teriam impedido a participação de autoridades da era Mubarak na disputa presidencial.

A legislação foi criada para manter Shafik e outros fora da disputa. A lei inicialmente levou as autoridades a cancelarem a candidatura de Shafik, mas ele obteve uma liminar para participar.

Uma instância inferior já tinha recomendado que ela fosse revogada. Há 16 meses, desde que Mubarak foi derrubado depois de 30 anos no poder, os generais supervisionam uma transição marcada por contendas políticas, protestos e, muitas vezes, violência.

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