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“Juntos Unidos” no samba

Na cidade de Mocuba, província da Zambézia, no fim de cada ano, os amadores de dança unem-se para formarem vários grupos com o objectivo de participar no carnaval mas, após o evento, já não se ouve falar deles. Ao contrário de outros conjuntos, em 2013, surgiram os “Juntos Unidos”, um agrupamento que pretende popularizar o samba, uma dança tipicamente brasileira, naquela parcela do país.

O grupo de dança “Juntos Unidos” foi fundado nos finais de 2012 por um jovem apaixonado pela dança identificado pelo nome de Safim Miguel Magalhães, que emergiu de um agrupamento também de dança denominado “Juntos Misturados”, no qual beneficiou de formação em coreografias de samba. Segundo Magalhães, as condições de trabalho no grupo “Juntos Misturados” não eram das melhores, uma vez que os líderes da colectividade desviavam os fundos que ganhavam nas suas actuações. A situação fez com que ele abandonasse o grupo e criasse o seu próprio movimento cultural que, numa primeira fase, desenvolvia as suas actividades durante o carnaval.

Após a formação do agrupamento, o jovem passou a inscrever no grupo as pessoas interessadas em dança, em particular o samba. Ele enfrentou várias dificuldades para se tornar bailarino consagrado em Mocuba, visto que os jovens inscritos viram-se obrigados a abandonar a arte porque os pais não permitiam que os filhos integrassem o conjunto. Porém, quando Magalhães pensava em desistir, a sorte bateu-lhe à porta, tendo conseguido encontrar bailarinos cujos progenitores não se importam com a ideia de que os seus respectivos filhos façam parte dos “Juntos Unidos”.

“Os jovens que eu convidava para integrarem o grupo de dança alegavam que os seus pais não permitiam que eles fizessem parte do grupo, portanto, a procura de bailarinos redundou em fracasso por muito tempo. Quando pensei em desistir, recebi alguns voluntários e, quando conversei com os seus respectivos encarregados de educação, eles apoiaram a iniciativa”, refere Magalhães.

Depois de juntar alguns bailarinos, o coreógrafo começou a afinar os seus passos de samba. Como já vinha dançando há cinco anos em alguns grupos da cidade, foi fácil ao jovem transmitir aos outros integrantes do conjunto os conhecimentos que possui sobre o género musical samba. Durante algum tempo, ele capacitou 24 indivíduos em passos básicos de samba.

“A larga experiência de que disponho na dança fez com que poupasse dinheiro para procurar um coreógrafo de modo a formar os membros do grupo. Eu fiz questão de capacitar todos os meus bailarinos”, explica Magalhães. Após a formação, o grupo “Juntos Unidos” inscreveu-se para participar no carnaval de Mocuba em 2013. As autoridades municipais locais desembolsaram alguma quantia para a alimentação e a compra de vestuário dos bailarinos.

Com o dinheiro, aquela colectividade adquiriu uniforme para os ensaios e demais actuações. Segundo Magalhães, participar no carnaval como líder de um grupo foi a tarefa mais difícil, pois não sabia qual seria a reacção do público e do júri. O medo foi superado na primeira apresentação. Os espectadores mostraram-se entusiasmados com aquele agrupamento.

“O medo de errar os passos ensaiados tomou conta do grupo no primeiro dia, mas, por ironia do destino, fomos bem recebidos pela plateia, que mal esperava para assistir à nossa actuação”, conta Magalhães.

As apresentações, que geralmente aconteciam nos fins-de-semana, decorriam durante a calada da noite e estendiam-se até ao dia seguinte. Segundo os bailarinos, o trabalho era muito árduo nas primeiras horas do dia. As “manobras” nas coreografias de dança contribuíram para que o agrupamento ganhasse a simpatia dos membros de júri, que era composto por alguns representantes da Direcção Distrital da Cultura de Mocuba.

O esforço empreendido para merecer a atenção do público foi valorizado ao serem classificados como o segundo melhor grupo de dança. O prémio era estimado em 15 mil meticais e alguns electrodomésticos para o chefe da colectividade. Magalhães, como coordenador da colectividade, ficou com cinco mil meticais e o remanescente foi repartido pelos outros integrantes do conjunto.

“O meu grupo ocupou o segundo lugar e ganhámos 15 mil meticais em dinheiro e alguns electrodomésticos. Levei dois mil meticais para uma festa de agradecimento. Como chefe do grupo, tive cinco mil meticais e o resto dei aos meus bailarinos, que de certa forma foram o motor do nosso sucesso no carnaval”, sustenta.

Com os cinco mil meticais, Magalhães adquiriu material que fazia falta ao grupo, nomeadamente amplificador de som, colunas, discos de samba, incluindo aparelhos sonoros para os ensaios. O esforço empreendido pelo grupo que culminou com a premiação fez com que a colectividade tomasse a decisão de desenvolver as actividades sem depender da época do carnaval.

“Samba pela eternidade”

Os membros do grupo de dança “Juntos Unidos” afirmam ter uma forte paixão pelo samba, razão pela qual nunca abandonarão aquele ritmo brasileiro. Eles defendem ainda que se trata de uma prática herdada dos antepassados. Magalhães reiterou que o samba faz parte da sua vida, por isso é impossível separá-lo daquele género musical. “Não consigo passar um dia sem escutar e dançar o samba. Os meus pais dizem que a paixão que tenho pelo samba tornou-se uma obsessão”, diz a terminar.

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