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Jovem é discriminado pela família por alegada prática de superstição

Faustino Alexandre, de 23 anos de idade, natural do distrito de Muecate, província de Nampula, está a ser discriminado pela família alegadamente porque recorre à superstição para matar os seus parentes. Ele é técnico de medicina geral no Hospital Psiquiátrico de Nampula e as acusações que pesam sobre si surgem na sequência do seu sucesso profissional. Segundo afirma, com o seu salário mensal consegue melhorar, paulatinamente, a vida, mas também enfrenta dificuldades…

O jovem disse ao @Verdade que quando concluiu o nível médio do ensino geral frequentou o Instituto de Ciências de Saúde de Nampula, tendo, depois da graduação, passado a fazer parte da equipa do Hospital Central de Nampula, trabalho que muitas pessoas da sua idade, na família a que pertence, não exercem, apesar de terem tentado ingressar na saúde.

Passado algum tempo, a trabalhar na maior unidade sanitária da região Norte do país, a vida de Faustino Alexandre começou a prosperar. Num curto espaço de tempo comprou um terreno e construiu uma casa com base em material precário. É nesta modesta habitação onde reside com a sua família composta por três pessoas: ele, a esposa e o único filho do casal.

De acordo com o jovem, o facto de ter as mais elementares condições financeiras para satisfazer as suas necessidades do dia-a-dia incomoda algumas pessoas da parentela, por isso, é considerado um praticante de magia negra com a finalidade de enriquecer ilicitamente. “Se tenho dinheiro para comprar bens pessoais como televisor, rádio, cadeiras, dentre outros, sou alvo de murmúrios no seio da família”, comentou o rapaz.

De seguida disse que está indignado com essa atitude, embora reconheça que a mesma acontece porque os seus parentes são pobres e “não se conformam quando algum membro, sobretudo jovem, esteja a progredir na vida”. Faustino Alexandre, carinhosamente tratado por “Tcholava”, afirmou que a família o discrimina porque o excluiu das actividades e cerimónias colectivas.

“Sou acusado de estar a matar alguns parentes através da feitiçaria para subir na vida. Tudo isso porque depois de terminar os estudos não sofri muito para ter emprego como os outros.” O nosso entrevistado explicou ainda que o seu sucesso académico e profissional deu-se graças ao apoio prestado pelo irmão, que custeou os estudos até que um dia decidiu inscrevê-lo no Instituto de Ciências de Saúde de Nampula, onde frequentou o curso de medicina geral durante 18 meses.

O vencimento não chega para cobrir as despesas da casa devido ao elevado custo de vida no país. Por isso, a nossa fonte, para além de trabalhar na Saúde, dedica-se ao negócio de diversos produtos. Com os rendimentos que obtém consegue resolver satisfazer algumas necessidades.

Ele nega ser culpado do insucesso dos outros

O nosso interlocutor disse que algumas pessoas não se esforçam por ter uma formação académica e profissional. Na sua família há jovens que tiveram oportunidades iguais às dele, mas foram infelizes porque aquando dos exames de admissão não obtiveram resultados satisfatórios. Ficaram desempregados e, ao invés de persistirem e lutarem pela vida, decidiram casar precocemente. Alguns estão no sector informal e suportam as suas famílias com o que ganham.

Alexandre referiu-se, como exemplo, a dois jovens, também de 23 anos de idade como ele, com quem frequentou o ensino geral, nível médio, mas que, por falta de oportunidade para prosseguir os seus estudos, decidiram apostar no comércio informal.

Um vende produtos alimentares de primeira necessidade, na sua maioria, trazidos pelo comboio que faz o transporte de passageiros de Nampula a Cuamba e vice-versa. O outro dedica-se à venda de pedras para a construção de casas. Neste momento, ambos estão casados e têm dois filhos.

Os dois irmãos sucedidos da família

Faustino Alexandre e o seu irmão mais velho, Jacinto Sabonete, são os sucedidos da família. Este último é director do Instituto de Ciências de Saúde de Carapira, no distrito de Monapo, em Nampula.

Também está a ser vítima de humilhações por alegada prática de magia negra. Ele já custeou os estudos de quatro jovens, que depois de terminarem a 7ª classe não tinham nenhuma opção no tocante ao trabalho. Entretanto, com a excepção de “Tcholava”, todos fracassaram. Aliás, também foram inscritos no Instituto de Ciências de Saúde de Nampula, mas reprovaram, em parte por falta de esforço.

Quando as acusações sobre a alegada prática de feitiçaria para, supostamente, obter sucesso profissional e financeiro ganharam corpo, Sabonte decidiu afastar-se da família e cuidar mais de si. Considera que não recebe nenhum apoio moral, mas sim acusações sem fundamento. A última pessoa que ajudou antes de tomar esta medida foi Faustino Alexandre, quando este ainda estudava.

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