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Ex-director da Escola da ADEMO em Nampula perturba o trabalho da nova direcção

A Escola Comunitária da Associação dos Deficientes de Moçambique (ADEMO), na cidade de Nampula, vive momentos de tensão desde os princípios do ano em curso, devido aos actos de vandalismo protagonizados pelo ex-director daquela instituição de ensino, Daniel Saile, demitido do cargo em Outubro do ano passado, em consequência de uma gestão danosa caracterizada por desvio do dinheiro destinado ao pagamento de 13 meses de salários a 25 funcionários e roubo de diversos bens para benefício pessoal.

O afastamento de Daniel Saile da direcção daquela escola foi deliberado numa sessão da assembleia-geral ordinária depois de uma inspecção que constatou ter havido esbanjamento de fundos e outras irregularidades.

Neste momento, para além de acções de intimidação contra os actuais gestores daquele estabelecimento de ensino, vandalização das vitrinas e da secretaria, o ex- -director impede os funcionários de aceder ao recinto escolar. O @Verdade confirmou no local que os actos de vandalismo são praticados apenas contra os membros de direcção, pelo que as aulas estão a decorrer sem sobressaltos.

A nossa Reportagem soube que o visado teria espancado dois deficientes físicos, um dos quais com gravidade que foi evacuado de emergência para o Hospital Central de Nampula, onde teve de ser submetido a uma cirurgia na cabeça. Refere-se que a atitude de Saile é uma retaliação à sua demissão alegadamente por estar inconformado, uma vez que ocupava o cargo de director desde 1998, ano em que a instituição foi fundada.

As vítimas, que incluem deficientes físicos, queixaram-se à Polícia, havendo já um processo-crime a correr contra Daniel Saile. “Tivemos conhecimento de que foi notificado por três vezes, mas não se fez presente ao Tribunal. Contudo, nenhuma medida foi tomada contra ele. A direcção marcou uma audiência com a procuradora chefe provincial para que pudéssemos encontrar uma saída pacífica, mas a magistrada disse que o assunto não era da sua alçada. Pedimos a protecção dos agentes da 1ª esquadra mas cobraram muito dinheiro. Fomos aconselhados a resolver o assunto internamente”, disse-nos uma fonte da ADEMO.

“O ex-director participou na assembleia-geral ordinária que resultou na sua demissão, mas não se insurgiu na altura, nem quando o novo gestor foi empossado. Para além dele, estiveram presentes os representantes da Direcção Provincial da Mulher e Acção Social, o inspector chefe da Educação, dentre outros quadros. Ficamos indignados quando boicota os trabalhos da nova direcção”, acrescentou o nosso interlocutor.

Calisto Ângelo, director daquela escola comunitária, confirmou, depois de muita insistência, supostamente por medo do agressor, que o ambiente instalado na sua instituição é preocupante. Caso a situação prevaleça nos próximos dois meses, vai colocar o seu cargo a disposição.

Segundo as suas palavras, Saile começou a perturbar o seu trabalho em Novembro passado quando os funcionários estavam a preparar o processo de matrículas. Todavia, não teve sucesso e passou a agir contra pessoas indefesas.

“Tentou, por várias vezes, tirar-me à força do meu gabinete e sempre houve a intervenção dos colegas. Confesso que temos vindo a trabalhar com imensas dificuldades. O director pedagógico do 2º ciclo não vem há duas semanas.”

Rafique Ossufo, um dos membros da Associação dos Deficientes de Moçambique explicou ao nosso jornal que a destituição de Daniel Saile, do cargo de director, é irreversível. A agremiação só poderá pronunciar- se sobre os desmandos que comete depois do desfecho do processo-crime aberto contra ele.

“Criámos uma comissão de trabalho, constituída por quatro pessoas, para acompanhar os trabalhos da colectividade. E achamos melhor transferir a sede da associação das instalações da escola para um outro lugar independente para que os problemas sejam resolvidos de forma transparente”, disse Ossufo, para quem o ex-director não é digno de dirigir a ADEMO.

Esta instituição colecta mensalmente cerca de 200 mil meticais das mensalidades dos alunos. Este valor serve para pagar salários, luz, manutenção de infra-estruturas, dentre outras despesas. Perto de 1200 estudantes, da 8ª à 12ª classe, estão inscritos e são assistidos por 50 professores.

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