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Jornalistas constatam falta de capacidade da RICON

A RICON, o consórcio indiano responsável pela gestão do Sistema Ferroviário da Beira (CCFB), Centro do país, não está mesmo a honrar com os seus compromissos, segundo constataram jornalistas que estão a visitar aquela infra-estrutura.

Semana passada, a empresa Portos e Caminhos-de-ferro de Moçambique (CFM) ameaçou rescindir o contrato com a RICON, caso este consórcio continue a não honrar os seus compromissos celebrados com o Governo em 2004.

A RICON sempre insiste que o trabalho em curso no sistema estava terminado, afirmando que a linha está pronta, em boas condições e que poderá ser usada logo depois da conclusão de uma inspecção independente dos trabalhos realizados.

Para provar o que, efectivamente, está a acontecer no terreno, a empresa pública CFM levou jornalistas a Sofala e Tete para mostrar que o grupo RICON está a mentir, uma vez que a Linha de Sena apresenta erros.

O jornal “O País” da Terça-feira escreve que a falta de drenagem, cruzamentos nas estações, bem como atrasos nas obras é o cenário que caracteriza aquela linha de um total de 596 quilómetros.

Além disso, no terreno, ainda são visíveis os problemas ligados à falta de balastros ao longo de vários troços da linha, com o agravante de parte deste equipamento estar em estado de decomposição.

Nas estações de Semecuesa e Berundi, a 55 Km da cidade de Beira, é possível notar o desalinhamento da via-férrea, havendo pontos com falta de balastros e outros em que este material está em excesso.

“A questão da falta de drenagem não garante que a via esteja segura e transitável em épocas de chuva. A ausência de uma balastragem correcta e de limpeza desse mesmo balastro faz com que, em caso de chuva, as águas não escoem, o que naturalmente, tendo em conta os grandes volumes de carvão esperados para se transportar, poderá criar problemas às operações”, explicou o Director de Comunicação e Imagem dos CFM, António Lebombo.

Por outro lado, das 10 estações existentes da Beira a Sena, apenas duas é que estão reabilitadas, nomeadamente as estações de Muaza e Inhamitanga.

Por isso, Lebombo disse que essa realidade, associada a outras insuficiências, constitui uma prova de que o consórcio indiano não vai conseguir entregar a linha de Sena até 24 de Março.

O Presidente do Conselho de Administração dos CFM, Rosário Mualeia, também se mostrou pessimista em relação aos parceiros indianos, tendo dito que pela experiência de trabalho conjunto nos últimos seis anos, a RICON não vai concluir a reabilitação da linha de Sena até ao prazo estipulado.

Isso resulta da falta de capacidade técnica e financeira do consórcio indiano, problema que vai obrigar a devolução da gestão da linha aos CFM no dia 24 de Março.

O consórcio RICON resultou da fusão das companhias Rites e Ircon que ganharam o concurso público internacional para a gestão deste sistema, que inclui a linha de Machipanda, que liga a cidade portuária da Beira ao Zimbabwe e a linha de Sena, que parte da Beira para Moatize, na província central de Tete.

Na altura, criou-se a Companhia Caminhos-de-ferro da Beira (CCFB), em que a RICON é o maior accionista com uma participação de 51 por cento.

Um dos projectos fundamentais do contrato é reabilitação da linha de Sena pelo consórcio CCFB/RICON. Esta linha havia sido destruída durante a guerra civil dos 16 anos terminada em 1992.

Mas RICON nunca conseguiu cumprir com os prazos das obras. Inicialmente, a companhia indiana havia prometido entregar a linha totalmente reabilitada até Setembro de 2009, mas até Dezembro de 2010 as obras ainda não tinham sido concluídas, tendo o Governo moçambicano iniciado com a rescisão do contrato com a RICON.

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