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Japão: Helicópteros militares lançam água para tentar resfriar reator da usina de Fukushima

Japão: Helicópteros militares lançam água para tentar resfriar reator da usina de Fukushima

Helicópteros militares no Japão lançaram 7,5 toneladas de água sobre a usina nuclear de Fukushima 1 (Daiichi), na manhã desta quinta-feira (hora local), na tentativa de resfriar o reator 3 e evitar um desastre de grandes proporções com derramamento de radiação. Segundo as autoridades, a operação, que chegou a ser cancelada na véspera, pôde ser realizada esta quinta-feira porque os níveis de radiação no local estão mais baixos. O reator 3 contém plutônio e é o mais radioativo dos 4 que apresentaram danos estruturais após o terremoto seguido de tsunami que devastou o nordeste do país.

Segundo a Tokyo Electric Power Company (Tepco), operadora do complexo de Fukushima, um canhão de água deve ser usado para tentar resfriar o reator 4, que contém urânio. A empresa diz estar prestes a concluir a construção de uma nova linha de transmissão elétrica para restaurar a eletricidade e, assim, religar as bombas d’água elétricas para resfriar os reatores.

Com três reatores do complexo nuclear de Fukushima I (Daiichi) gravemente avariados, organismos internacionais foram unânimes em declarar que a situação estava “fora de controle” e os níveis de radiação “extremamente altos” no Japão. Horas depois de o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, confirmar danos ao núcleo de três usinas – 1, 2 e 3 – nos Estados Unidos, o chefe da Comissão Reguladora Nuclear americana (NRC), Gregory Jaczko, declarou que a piscina de armazenamento de combustível do reator número 4 estava completamente seca – ou seja, num estágio onde nada mais impediria as varetas de urânio de derreterem completamente, libertando uma nuvem tóxica altamente radioativa. Jaczko não revelou a fonte da informação, mas a NRC tem funcionários envolvidos diretamente nos trabalhos em Fukushima.

“Acreditamos que a região do reator esteja sob altos níveis de radiação. Será muito difícil que trabalhadores de emergência consigam chegar até o local. As doses de radiação às quais podem ser expostos seriam potencialmente letais em um período curto de tempo” declarou Jaczko.

Atingida por explosões e dois incêndios que danificaram as estruturas de contenção nos últimos dias, a piscina de combustíveis reciclados do reator 4 já estaria praticamente ao ar livre. Se confirmado a evaporação total da piscina, analistas advertem que a quantidade de radiação liberada seria equivalente à da usina ucraniana de Chernobyl, em 1986. Segundo técnicos, a temperatura da água que ainda resta no local também é alta – em mais de 80 graus Celsius, quando o nível normal é de cerca de 30.

“Os próximos dois dias serão decisivos. Estou pessimista, pois desde domingo nenhuma das soluções funcionou. É uma situação de alto risco; uma evaporação completa nos deixaria no mesmo nível de exposição que Chernobyl” alertou o diretor do Instituto de Radioproteção e Segurança Nuclear da França (IRSN), Thierry Charles. O chefe da AIEA, Yukiya Amano, classificou a situação como “muito séria” e anunciou que viajará pessoalmente ao Japão para obter informações mais de perto. E, advertindo para o pior dos cenários, o chefe da agência nuclear russa, Sergei Kiriyenko, e o chefe de Energia da União Europeia, Guenther Oettinger, também fizeram previsões sombrias para os próximos dias. “Estamos em algum lugar entre um desastre e um desastre gigantesco” afirmou Oettinger ao Parlamento Europeu.

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