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Já não temos jovens jornalistas de referência

O jornalista e Presidente do Conselho de Administração da Media Coop, proprietária dos jornais Savana e Media Fax, Fernando Lima, disse, quarta-feira, que o jornalismo em Moçambique está em crise, sustentando a sua afirmação com o facto de, nos últimos tempos, não estarem a despontar jovens jornalistas de referência como aconteceu com a velha guarda, hoje já na fase derradeira.

Ironizando, Lima disse que conhece vários jovens DJ´s de referência ou animadores de TV de referência, mas, ao invés, já não surgem jornalistas dotados, de facto, de talento para o ofício e capazes, portanto, de escrever de forma cativante sobre assuntos que interessam a sociedade.

Para Fernando Lima, esta questão preocupante prende-se com o desinteresse pela profissão de jornalista. E exemplificou, a propósito, que há cerca de dois anos, quando leccionava numa escola de comunicação, apurou numa turma de mais de 35 estudantes que nenhum queria fazer jornalismo, todos optavam pelos outros ramos, como a publicidade, o marketing, as relações públicas.

Este assunto já havia sido, aliás, levantado na comunicação feita pelo jornalista e jurista Carlos Coelho, no dia anterior, onde se discutiu a questão da formação dos jornalistas a partir das suas próprias redacções.

Coelho exemplificou que o repórter chegava a escrever seis a sete vezes o mesmo texto, devolvido pelo seu editor por estar mal redigido. Assim o repórter ia aprendendo. Porém, hoje, ou por preguiça dos editores ou por arrogância dos novos repórteres, a situação já não tem os mesmos contornos, observou.

Semião Ponguana, jornalista da TVM, falou dos jovens que com dois meses de profissão já assinam artigos e já fazem “directos” nas rádios e TV, o que faz com eles já se assumam como grandes jornalistas. Hoje, os jornalistas não assistem a sua própria peça.

Hoje, os jovens não se preocupam em rever o seu próprio texto quando publicado. Estão preocupados em escrever mal sobre um ministro ou um cidadão e esperar por uma reacção, disse Ponguana.

Ezequiel Mavota, jornalista decano da Rádio Moçambique, revelou aos presentes que ele só pegou no microfone e foi à rua oito anos depois de ter ingressado nos quadros da RM. Eu ia buscar a informação e entregava-a aos meus chefes para a trabalharem.

Hoje, no mesmo mês em que entro, já pego no microfone e apareço à frente de uma grande figura para a entrevistar. O Director da Faculdade de Comunicação da UCM em Nampula, Mateus Vilanculos, disse que, na sua opinião, o não surgimento de “estrelas” no jornalismo tem a ver com a falta de valorização da própria classe.

Subscrevendo esta intervenção, um participante disse que este é um problema conjuntural do país. Pois, se estivermos atentos, a situação repete-se quando falamos dos enfermeiros, dos médicos, dos advogados que surgem hoje em Moçambique e em que já não surgem “estrelas”.

Ricardo Dimande, Director do GABINFO, amainou a situação e em jeito de remate disse que não se deve dizer que não temos “estrelas” porque se não o céu já teria caído sobre nós. Temos que reconhecer que os tempos são outros, mas que, no cômputo geral, tivemos progressos nestes 20 anos de liberdade de imprensa.

A Conferência sobre Novos Media e Liberdade de Expressão em Moçambique, que ontem encerrou, aglutinou calorosos debates, envolvendo jornalistas da velha e nova guarda, académicos, docentes e estudantes universitários e políticos, para assinalar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

O Primeiro-ministro, Aires Ali, esteve ontem na conferência, onde, além de afirmar que o governo vai continuar a privilegiar a comunicação social como parceiro de referência, realçou.o crescimento do sector em Moçambique, que, actualmente, dispõe de mais de 500 órgãos registados, entre estações de TV e Rádio, Jornais, Revistas e outros órgãos..

Nas estatísticas numéricas divulgadas à margem da conferência, que espelham a evolução da liberdade de imprensa, indicam que, dentre os mencionados 500 órgãos, pouco mais de 400 são de imprensa e os restantes da Rádio e TV.

Actualmente, apenas um órgão, o ICM, pertence ao Estado, três são do sector público, a RM, TVM e RM, sendo os restantes do sector privado. Em média, 15 correspondentes estrangeiros escalam mensalmente o país, sem contar com aqueles que residem em Moçambique.

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