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Isabel Novella: Uma “auto-geração” em forma de música!

Desde o início, a talentosa compositora e intérprete moçambicana, Isabel Novella, acreditou que a sua música podia ser omnipresente. Depois de publicar o seu primeiro trabalho discográfico, cujo título ostenta o seu nome, nos próximos dias a cantora terá de fazê-la conhecer no seu próprio país e corrigir um contra-senso feliz. “Eu tive a oportunidade de conhecer boa parte do mundo”.

Analisado a partir da música “Lirandzo”, a última das 12 colecções, o trabalho discográfico Isabel Novella, que contém visões de uma mulher sobre a realidade social, traduz uma utopia, até certo ponto, inalcançável.

É que enquanto autora, a artista já apreciou o seu trabalho e, certamente, está convencida de que é perfeita, o que é verdade. É assim que o Criador fez em relação ao cosmos e, Isabel – criada à sua imagem e semelhança – não faria o contrário. Ou seja, o trabalho discográfico desta cantora deixa-nos a impressão de que se ela pudesse autocriar-se reuniria todas as qualidades que a sua obra possui.

Em jeito de quem comprova esta percepção, Isabel afirma que, “nas minhas músicas, falo de mim disseminando mensagens de amor e solidariedade ao próximo, bem como a necessidade de se lutar para o alcance dos nossos objectivos”. Por outro lado, “as mensagens do álbum traduzem um pouco daquilo que eu gostaria de ver reflectido na vida dos jovens”.

Ora, seguindo a ideia da “auto-geração” – planear-se e originar-se como se quiser – e, desta vez, para conhecer a mulher que há em Isabel Novella, não há nada melhor que escutar o tema “Lirandzo”.

É lá onde a artista convida o seu noivo a fim de construírem um lar feliz, partindo do principio de que tal pode ser se ambos o fundamentarem em matrizes de paz e entendimento mútuo. Ora, isso depende da manifestação recíproca de amor e respeito. Essa música acaba por ter algo de particular – que mexe com as entranhas do ouvinte – quando o homem aceita as condições sugeridas pela esposa, respondendo com a sua voz de autoridade.

Mais do que procurar estabelecer um tipo de classificação em torno das músicas do seu disco (constituído por uma mescla de Jazz, Pop, Raggaeton, Bossa Nova, World Music, ou algo com todas estas influências musicais) é, essencialmente, nesta “Lirandzo” que se encontra o resumo dos valores e tradições do povo africano, traduzidos na forma de rituais, como a maneira de dançar, que se podem visualizar a partir das nuances das harmonias. No entanto, esses atributos todos não fazem dessa composição africana, antes pelo contrário, fá-la uma música do/para o mundo.

As músicas em que a obra discográfica Isabel Novella se constitui são, no final, um “workshop” no que todos nós devemos participar, escutando. Aliás, as possibilidades de tal ser contrário à ideia eram, desde o princípio, diminutas. A produção desta criação envolveu artistas da África do Sul – onde se encontra a Native Rhythms, a sua produtora – Moçambique, Bélgica, Nigéria e Estados Unidos da América.

Isabel travou uma grande luta para colocar o álbum no mercado. É por essa razão que afirma que ela também tem a função importante de mostrar aos jovens que “se formos decididos nos trabalhos que fazemos, podemos alcançar os nossos objectivos. Precisamos de ter muita persistência e nunca desistir dos nossos sonhos”.

A obra foi produzida por uma organização sul-africana, a Native Rhythms, que acredita e aposta no talento de Isabel. Por essa Isabel Novella: Uma “auto-geração” em forma de música! razão, a par disso, o comentário da compositora tem o seu sentido: “Precisamos de apoios, em termos de financiamento a projectos culturais, cá em Moçambique para que, condignamente, possamos apresentar e promover a nossa cultura no mundo”.

Xongile

Em “Xongile”, uma composição de José Barata reproduzida por Isabel, que também pode ser encontrada no mesmo disco, há o mérito da valorização das criações dos ícones da música moçambicana, mas, por outro lado, uma preocupação de se mostrar que eles existem e que continuam a ser referências incontornáveis na nossa arte.

“Na minha infância, entre outras músicas moçambicanas de raiz, escutei imenso as de José Barata. Estou muito feliz com a possibilidade de cantar ‘Xongile’. Este arranjo acaba por possibilitar que não se percam os valores que aprendemos dos nossos pais”, comenta. A música “Xongile”, com uma nova roupagem, na interpretação de Isabel Novella, posicionou-se em segundo lugar num dos “Tops” da RDP África. A intérprete congratula-se com o feito.

Entretanto, agora, mais do que nunca, estão criadas as condições para que quem ordena que também se cante pelo amor – ou simplesmente ‘Sing For Love’ – dê voo aos seus sonhos a fim de “alcançar e tocar o maior número possível de pessoas com a minha música e mensagem”.

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