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Cheias: alerta vermelho no Sul e Centro de Moçambique

O Governo activou, nesta Terça-feira(22), o alerta vermelho institucional para o Sul e Centro em Moçambique face à situação hidrológica das bacias do Incomáti, Limpopo e Zambeze, que coloca em situação de risco a mais de 70.000 pessoas.

O anúncio foi feito no final do Conselho Coordenador Nacional de Calamidades realizado em simultâneo entre o centro operativos de emergência do Sul e Centro do país,  em Caia e na cidade de Maputo respectivamente.

Segundo um comunicado da Direcção Nacional de Águas (DNA) as bacias Hidrográficas do Incomáti, Limpopo, Save, Púnguè e Zambeze registam aumento do volume de escoamentos devido a chuvas moderadas a fortes que têm ocorrido no território nacional bem como nos países de montante, nomeadamente África do Sul, Zimbabwe e Suazilândia.

Igualmente, as albufeiras das barragens dos Pequenos Libombos, Corumana, Massingir e Macarretane registam um incremento considerável dos caudais afluentes, prevendo-se um ligeiro aumento das descargas de forma a aumentar a capacidade de encaixe.

O comunicado a DNA acrescenta nas bacias do Save e Púnguè, os níveis hidrométricos mantêm-se acima de alerta nas estações da Vila Franca do Save e Mafambisse, respectivamente. A bacia do rio Zambeze continua acima de alerta em Mutarara, Caia e Marromeu, sendo que, a tendência é dos níveis hidrométricos baixarem em Mutarara e Caia e, de subir em Marromeu. As restantes bacias do país registam níveis oscilatórios e mantêm-se abaixo do nível de alerta, conclui o comunicado.

Entretanto o director-geral do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, João ribeiro, anunciou que o alerta vermelho institucional traduz-se em prontidão de todas instituições governamentais e dos seus parceiros na gestão da situação de emergência cujo objectivo principal é de evitar a perda de vidas humanas.

Estradas condicionadas

A Administração Nacional de Estradas em Inhambane decidiu, nesta terça-feira (22), interromper a circulação rodoviária na Estrada Nacional nº 5 que liga a capital provincial e o cruzamento de Lindela inundada pelas águas do rio Mutamba.

Ainda em Inhambane a Adminstração marítima decidiu interromper todo o tráfego de embarcações na baía local devido ao mau tempo que se regista na região.

Mais a sul um centro de acolhimento para as pessoas que estão a ser retiradas das zonas de risco está a ser instalado na zona de Chacalane, no município de Chókwe, onde pelo mais de 50 mil pessoas deverão ser retiradas de zonas proponsas à inundações.

Subida do caudal do rio Limpopo ceifa a vida de seis pessoas na África do Sul

A subida do caudal do rio Limpopo, devido as intensas chuvas que estão a cair no território sul-africano, já ceifou a vida de seis pessoas segundo o departamento provincial do Governo do Limpopo.

“Operações de resgate nas áreas ribeirinhas estão completas. Temos o registo de seis mortes,” defendeu nesta segunda-feira a porta-voz do departamento provincial, Dieketseng Diale.

“Não consolidamos ainda os dados fornecidos nesta segunda-feira e ainda não recebemos os dados da polícia,” destacou Diale, tendo acrescentado ainda que um total de 44 pessoas foram resgatadas da bacia de Mapungubwe, nas proximidades do Kruger Park.

Na noite do último domingo, equipas de resgate tiveram de observar uma pausa depois de terem resgatado 45 das 334 em perigo, e a operação foi concluída nas primeiras horas desta segunda-feira.

Residentes das proximidades do rio Limpopo, ficaram encurraladas depois de se terem refugiado no tecto das casas e nas montanhas. “Muitas casas foram danificadas, mas não podemos apresentar o número exacto na medida em que certas áreas estão inacessíveis,” acrescentou Diale.

A directora provincial da saúde e do desenvolvimento social, Norman Mabasa, visitou nesta segunda-feira o Hospital de Musina e as vítimas das cheias. “ Este desastre coloca os serviços de saúde sob pressão, dai que visitamos o Hospital de Musina para nos assegurarmos do bom funcionamento da unidade de saúde e para que esta acomode as vítimas das enchuradas,” disse Mabasa.

Previsão de mais chuva

Nesta segunda-feira, os Serviços sul-africanos de Meteorologia afirmaram que mais ocorrência de chuva era prevista para as Províncias do Limpopo e de Mpumalanga nos próximos dias. Para o resto do país não foram previstas chuvas até esta quinta-feira.

Em Mpumalanga, as estradas pavimentadas e certos pontos do Parque Nacional Kruger estiveram intransitáveis no inicio desta semana devido a intensa chuva.

Entretanto, três crianças perderam a vida quando as suas respectivas casas desabaram durante as enchuradas na Província do Limpopo ao longo do último final de semana, segundo o porta-voz do Município de Vhembe, Matodzi Mulaudzi.

Mulaudzi, referiu que a equipa municipal de gestão de calamidades havia recebido informações em torno da morte de dois rapazes e de uma rapariga nas primeiras horas do último domingo.

Por seu turno, o Coronel Leonard Hlathi, porta-voz da polícia de Mpumalanga, havia dito que três pessoas tinham morrido quando a trovoada atingiu as suas casas em Piet Retief, durante as descargas das primeiras horas do último domingo.

As Forças Armadas de Defesa da África do Sul prestaram a sua assistência nas missões de busca e resgate nas duas províncias. O General Xolani Mabango, destacou que 60 pessoas foram resgatadas com o uso de helicópteros nas zonas de Makhado e Hoedspruit.

Estragos da chuva

A região de Tonga nas proximidades de Komatipoort foi a mais afectada pela chuva, tendo registado o desaparecimento de três viaturas, que se acredita que tenham sido arrastadas pelo rio Nkomazi (chamado Incomati em Moçambique). Das viaturas arrastadas incluem-se a pertencente a polícia de trânsito, com um número não actualizado de ocupantes, de uma ambulância com dois paramédicos, e um carro privado que circulava com dois ocupantes. Os paramédicos acabariam resgatados pela polícia marítima. Os ocupantes da viatura privada foram também resgatados, desta, pelos elementos das Forças Armadas de Defesa sul-africana.

Outros sobreviventes foram resgatados depois de terem conseguido agarrarem-se em árvores ao longo das estradas até que equipas de socorro os acudiram. O porta-voz da Província de KwaZulu-Natal, Lennox Mabaso, afirmou que algumas estradas estavam intransitáveis no último sábado, depois da intensa precipitação ter danificado o sistema de drenagem.

Já na Província de North West, concretamente em Kanana, cerca de 31 casas ficaram inundadas. O porta-voz provincial, Lesiba Kgwele, afirmou que a equipa de gestão de calamidades estava a monitorar a situação. Kgwele, defendeu ainda que não se registou grandes incidentes e as chuvas não atrapalharam o funcionamento normal da fronteira com o Botswana, que vem registando um grande fluxo de visitantes devido ao CAN.

As autoridades da Província de Gauteng (nas cidades de Pretória e de Joanesbugo) não registaram ocorrência de grandes incidentes devidos as intensas chuvas dos últimos dias.

Chuvas danificam torres de transporte de energia de Cahora Bassa

As chuvas estão também a criar problemas à Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) que na Segunda-feira (21) foi forçada a reduzir em 35% a exportação de energia eléctrica para a África do Sul devido a danos na Linha de Transmissão localizada na região de Pafúri,

Em comunicado a HCB informa que, segundo preliminares, a corrente das águas do Rio Limpopo derrubou uma torre de transmissão, que arrastou outras quatro da mesma Linha de Transmissão. Para além de terem danificado parte das torres já mencionadas, as águas deixaram ainda submersas algumas outras torres da linha 2, localizadas na mesma zona, expondo-as ao risco de queda caso a situação prevaleça.

As equipas técnicas da HCB aguardam o abaixamento do nível das águas do Rio Limpopo para proceder a reparação nas linhas, com vista à sua reposição e o reinício normal das operações.

O comunicado da HCB salienta que, neste momento, o remanescente da energia é escoado pela Linha 1 e por outras vias alternativas Recordar que o fornecimento de energia para a África do Sul, ida de Cahora Bassa, é feita por via de duas linhas de transmissão de energia que percorrem cerca de 900 quilómetros em território nacional.

 

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