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EDITORIAL: Informação. Não. Obrigado

Quelimane é uma cidade que vive muito do que a televisão informa. A imprensa escrita, para além de ser residual, chega quando já não tem muito interesse.

Essa cobertura frágil, por parte dos meios impressos, deixa os quelimanenses com duas opções: televisão ou rádio. Contudo, os níveis de pobreza que testemunhamos nos bairros e a preocupação por resolver problemas imediatos acabam relegando os dois meios com maior penetração para um lugar normalmente relegado aos artigos de luxo.

Efectivamente, informação não resolve as necessidades mais prementes do estômago. Portanto, não vem mal nenhum ao mundo – leia-se quelimanense – quando ela inexiste. Nos residenciais, hotéis e lodges os jornais que aparecem são da semana trespassada. Nada actual. Tudo velho.

Há coisas, diga-se, mais sérias e dignas de preocupação, como comer e beber. O que é informação para uma população privada de água, saneamento e saúde? Há buracos pela cidade e uma total ausência de emprego. Há dias de chuva que tudo transformam e colocam à nu problemas bem maiores do que um maço de papel que não vive, quando muito, uma semana.

Há bairros em que as pessoas até têm aparelhos de televisão e rádios, mas não têm corrente eléctrica. Ou seja, quando a aquisição de um bem é um dado adquirido o seu uso é hipotecado por um serviço que deveria ser prestado por quem de direito. Sem energia não há televisão. Resta-lhes então o rádio, mas este vive de pilhas e estas custam um balúrdio para o bolso de quem faz as contas na ponta da capulana.

Portanto, essa ausência de jornais tem alguma explicação: não há poder de compra. Os jornais só perdem dinheiro para penetrarem pelo país adentro. Ou seja, quando o que seria expectável era que, em abono das leis do mercado, os órgãos de informação impressos fossem os principais interessados em chegar ao país real nem eles se atrevem e nem as pessoas estão preocupadas com informação.

Este não caso exclusivo da cidade de Quelimane. Outros pontos do país sofrem da mesma doença. As pessoas não se informam e não cobram responsabilidades a quem de direito. Há tantas dores de cabeça, tantas tarefas, tantas obrigações e deveres que a última coisa que as pessoas querem é informação. Ela que circule na capital do país. Aqui, no país real e onde há falta de tudo e mais alguma coisa, a informação é tudo, menos prioridade.

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