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Incumprimento de programas de Dhlakama dificulta actividade da PRM

As alterações sistemáticas e o incumprimento dos programas de campanha eleitoral da Renamo, maior partido da oposição em Moçambique, e do seu candidato presidencial, Afonso Dhlakama, estão a transtornar a Polícia e não só. A própria imprensa também acaba sendo uma das vítimas das alterações e incumprimentos dos programas da Renamo e do seu líder. Aliás, o incumprimento dos programas tem sido uma das características da presente campanha da Renamo, desde que o seu líder saiu de Maputo para entrar na corrida eleitoral através do distrito costeiro de Angoche, na província de Nampula, norte de Moçambique.

Há cerca de uma semana, em Angoche, a PRM ficou pelo menos 24 horas a aguardar pela chegada do líder que nunca mais se efectivava. No Sábado, ocorreu mais um caso quando a Renamo, que tinha agendado três comícios em igual número de bairros da cidade de Nacala-Porto, acabou realizando apenas um no bairro de Muanona devido a partida tardia da caravana de Dhlakama da Ilha de Moçambique, que dista pouco mais de 100 quilómetros. Os restantes comícios que haviam sido agendados para sábado, nos Bairros de Quissimajulo e Mathápue, ambos em Nacala-Porto, acabaram sendo adiados para domingo. No sábado, no período da tarde era visível a ansiedade dos simpatizantes da Renamo, pois o seu líder teimava em não aparecer, apesar de o comício ter sido agendado para as 08.00 horas da manhã.

“Mas a que horas é que vai chegar o presidente da Renamo?”, era a pergunta que pairava na mente dos presentes quando já eram cerca das 16 horas, alguns dos quais mostrando sinais de desalento. O desenrolar dos eventos de sábado foi a materialização de uma “profecia” do comandante distrital da PRM em Nacala-Porto, Herbert Mabombo, feita dias antes, quando disse que “eles (a Renamo) remeteram uma carta a comunicar que o seu líder chega no sábado. Mas não nos situa, pois refere apenas que (a caravana de Dhlakama) chega no sábado e que vai fazer comícios nos bairros de Muanona, Mathápue e Quissimajulo”.

Segundo Mabombo, a referida carta não menciona a hora de chegada da caravana de Dhlakama para facilitar a PRM garantir a protecção do líder da Renamo. O último caso ocorreu domingo passado quando a caravana da Renamo e o seu líder abandonaram Nacala-Porto, aparentemente em direcção ao distrito de Mongicual, que também fica localizado na província de Nampula. A Renamo tinha agendado para domingo dois comícios, um em Quissimajulo e o segundo em Mathápue, ambos adiados no Sábado pelos motivos já referidos. “A caravana de Dhlakama partiu cerca de 13.30.

A Renamo só nos avisou com meia hora de antecedência que estava de partida”, disse Mabombo, visivelmente agastado pelo facto de todo o sistema de segurança e os esforços empreendidos pela sua corporação para garantir a segurança de Dhlakama terem sido em vão. “Não sei se a caravana de Dhlakama volta a Nacala-Porto, razão pela qual estou em contacto com os meus homens para saber o que esta a acontecer no terreno, e tentar descobrir qual é a posição da caravana de Dhlakama”, acrescentou Mabombo. Uma carta da Renamo endereçada a PRM anuncia apenas a realização de comícios nos bairros referidos, sem, contudo, avançar mais detalhes.

“A carta não especifica a hora de chegada para nós protegermos a caravana. O comunicado não menciona a que horas é que chega, ou quando é que chega. Mas nós estamos preparados para a qualquer altura que nos informarem sobre a chegada da caravana”, disse Mabombo. Para o comandante distrital da PRM, existe uma falta de compreensão sobre o papel das forças de manutenção da lei e ordem. “Nós é que temos que andar a persegui-los. Eles deveriam planificar, as horas de chegada em determinado local, solicitar a nossa protecção, para nós colocarmos a protecção lá no local”, desabafou Mabombo.

“Ele (Dhlakama) precisa da nossa protecção, independentemente daquilo que existe (numa clara alusão a segurança armada da Renamo que sempre acompanha o seu líder). Quem é o garante da ordem e tranquilidade pública é a polícia. Eu não conheço outra instituição para garantir a ordem. É a polícia que deve garantir a ordem e tranquilidade pública de todo o cidadão e temos instruções para protegermos todos os candidatos”, disse. Mabombo também queixou-se da constante troca de locais para a realização de comícios, explicando que “hoje dizem que a caravana vai a Mathápue, mas quando a nossa força chega lá tem conhecimento que a mesma foi para a Matola. Trocam. Portanto, há troca de locais”.

Sobre os restantes partidos, Mabombo disse não ter nenhum comentário, pois ate agora apenas o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) se fez a rua uma vez. Convidado a comentar sobre o assunto, o porta-voz provincial da Renamo, Arnaldo Chalua, refuta todas estas alegações. “Esse discurso é de 1999, 2004 e sempre dizem que nós, a Renamo, alteramos a nossa agenda e que isso cria dificuldades a actividades deles (a PRM). Mas só que a actividade deles é para manter a ordem e tranquilidade”, disse Chalua. Para Chalua, a Renamo enfrenta dificuldades em coordenar com a PRM “porque as forças de manutenção da lei e ordem continuam a agir politicamente”.

“Não vai de acordo com aquilo que eles juraram, (defender os cidadãos). Portanto, é este cenário que nós (Renamo) rejeitamos”, disse Chalua. Entretanto, a AIM fez ver ao porta voz da Renamo que mesmo a agenda de Sábado não havia sido cumprida, algo que ele refutou. “Cumprimos a nossa agenda. Trabalhamos num distrito, que foi na Ilha de Moçambique, hoje era uma recepção e saudação da população de Nacala-Porto para endereçar umas pequenas mensagens e amanha seguir-se-ão actividades em alguns bairros”, disse Chalua. “A agenda não é uma coisa estática.

Ela pode mudar em função daquilo que nós achamos ser uma boa estratégia para fazer passar a nossa mensagem. Isso não é nada de condenável, porque na campanha passamos mensagens e há uma vontade de alterarmos o programa para adequarmos a uma outra realidade que o partido quer, o candidato quer, nada obsta”, defendeu.

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