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Incapacidade hospitalar mata em média de 220 crianças por dia

A malária, a pneumonia e a diarreia ainda são as principais causas directas de morte de cerca de 80 mil crianças de dois a 59 meses de vida, anualmente, em Moçambique, devido à falta de tratamento médico atempado. Isso traduz-se em cerca de 220 óbitos por dia, apesar de que estas doenças e outras igualmente mortíferas são evitáveis e/ou tratáveis.

Segundo a Save the Children, apesar do significativo progresso atingido ao longo da última década na redução da morbidade e mortalidade materna e infantil, Moçambique ainda enfrenta grandes desafios devido, em parte, à ineficácia das medidas de combate e tratamento de algumas enfermidades.

Aquela organização que trabalha em prol da criança aponta igualmente que há incapacidade de remover as dificuldades com que o sector moçambicano da Saúde se debate por causa da escassez de recursos humanos. Em 2010, por exemplo, o país possuía 3,9 médicos e 25 enfermeiros por 100.000 habitantes, facto que não deixa dúvidas de que as unidades sanitárias continuam a enfrentar problemas de falta de pessoal e, consequentemente, o país ainda está entre os piores países da região africana e do mundo.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) indica também que “as causas das mortes de crianças estão relacionadas com a malnutrição e a falta de acesso a cuidados primários de saúde e infra-estruturas, como água e saneamento, em muitos países em desenvolvimento. A pneumonia, a diarreia, a malária e a SIDA foram responsáveis por 43 porcento do total de mortes de crianças com menos de cinco anos no mundo inteiro, em 2008, e mais de um terço do total de mortes de crianças foi atribuível à subnutrição”.

Uma das medidas tomadas pelo Ministério da Saúde para reduzir as elevadas taxas de mortalidade materna e infantil foi a introdução, em 2010, de um programa chamado Agentes Polivalentes Elementares (APEs) com o objectivo de levar os cuidados básicos de saúde preventiva e curativa para mais perto das comunidades.

A Save the Children estima que os APEs podem diminuir a mortalidade causada pela malária, pneumonia e diarreia em 60 porcento. Entre Agosto de 2010 a Dezembro de 2012, esse projecto, implementado nos distritos, abrangeu 772.275 pessoas, das quais 131.161 são crianças menores de cinco anos, isto é, aproximadamente 13% da população de Moçambique (23,16 milhões). No período em alusão, foram atendidas 266.575 casos de malária, 89.678 de pneumonia e 116.515 de diarreia.

O organismo a que nos referimos indica ainda que o nível de acesso aos serviços de saúde varia entre as províncias. Em 2011, por exemplo, menos de 50 porcento das crianças com febre receberam tratamento na Zambézia em comparação com 80 porcento em Nampula e 70 porcento em Gaza. E umas das soluções para suprir o défice de atendimento hospitalar é a capacitação das comunidades com vista a terem conhecimentos básicos de saúde, em particular no que se refere ao cuidado aos recém-nascidos.

O UNICEF indica que em África a proporção de menores de cinco anos que dormem em redes mosquiteiras tratadas com insecticida aumentou substancialmente, entre 2000 e 2009, facto que contribui, sem dúvida, para a diminuição da taxa de mortalidade infantil. Contudo, os relatórios sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio 2010 referem que metade da população mundial ainda corre o risco de contrair malária. Houve aproximadamente 243 milhões de casos e quase 863 000 mortes, em 2008, sendo que 89 porcento das mortes ocorreram em África.

Enquanto isso, Moçambique ocupa a 185ª posição entre 186 países no Índice de Desenvolvimento Humano 2012 – apenas a República Democrática de Congo e Níger ocupam o lugar mais baixo do ranking, posicionados em último lugar – e está em lugar cimeiro a par de outros países com as maiores taxas de mortalidade.

Relativamente aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (objectivo quatro – redução da mortalidade infantil), o UNICEF refere que embora a mortalidade de menores de cinco anos tenha diminuído 22% na África Subsariana, uma região que abarca Moçambique, as elevadas taxas de fecundidade, conjugadas com uma percentagem ainda considerável de petizes nessa faixa etária, traduziram-se num aumento do número absoluto de mortes de crianças nos últimos anos.

“Um quinto das crianças com menos de cinco anos do mundo vive na África Subsariana, onde se registou metade das 8,8 milhões de mortes de petizes desse grupo etário, em 2008. A mortalidade de menores de cinco anos também continua a ser elevada no sul da Ásia, onde os progressos não são suficientes para que a região atinja a meta fixada para 2015”.

Sarampo reduziu mas pode voltar a matar

A vacinação de rotina contra o sarampo, por exemplo, aumentou consideravelmente a nível mundial, em especial em África, protegendo milhões de petizes contra esta doença frequentemente fatal. Em 2008, a cobertura atingiu 81 porcento nas regiões em desenvolvimento, em comparação com 70 porcento, em 2000.

“No entanto, as projecções mostram que, sem fundos suficientes para a vacinação em países prioritários, a mortalidade devido ao sarampo voltará a aumentar rapidamente, podendo registar- se aproximadamente 1,7 milhões de mortes relacionadas com o sarampo, entre 2010 e 2013”, de acordo com o UNICEF.

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