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Imigrantes morrem num camião contentor misturados com óleo da cozinha

Um camião que transportava 25 cidadãos até aqui identificados como sendo de nacionalidade Egípcia, dos quais, 8 perderam a vida ao longo da viagem. São apontadas como causas da morte destes 8 estrangeiros, a asfixia, desidratação e diarreias, conforme sustentam as autoridades sanitárias no distrito de Mocuba.

Tudo aconteceu na tarde da última quarta-feira, portanto, 2 de Fevereiro, quando um camionista de longo curso, imbuído pelo lucro fácil, decidiu levar estes 25 estrangeiros ilegais a partir de Alto Molocué (considerado foco de entrada), em direcção ao rio Zambeze.

Este camião contentor transportava quantidades elevadas de óleo de cozinha. O condutor pegou os 25 homens e colocou-lhes mais encostados a cabine, quer dizer dentro do contentor, mas, mais para o fundo e aqui atrás, tudo parecia carga normal.

Ao logo da caminhada e para quem conhece a estrada entre Molocué e Mocuba, há uns 50km que não terminam. Ali faz-se uma verdadeira gincana para passar. Os homens egípcios como queriam chegar ao rio Zambeze, nem sequer se interessaram no perigo.

Aguentaram, mas Deus não deu mais tempo. Ao chegarem na zona de Mussoloni, isto já a poucos quilómetros da cidade de Mocuba, começaram a bater no contentor porque viram alguns dos seus amigos, colegas, irmãos a ficarem débeis e sem forca. Mas o condutor nem sequer entendia o que se passava no interior. Foi andando, dai que o barulho foi demasiado e houve choros.

Quando o condutor pensou em parar para ver de facto o que se estava a passar, viu homens sem vida. E logo pensou em retirá-los e deixá-los ali, o que provocou uma agitação por parte dos seus passageiros.

E não só, quando isso acontecia, populares que vivem próximo da estrada, vieram para verem o que se estava a passar. Viram de facto que o ambiente não era para menos.

Tentaram comunicar a polícia para que viesse tomar conta do assunto. Fazendo-se ao terreno, a polícia viu também que a situação ultrapassava seus níveis, dai arrastaram os homens até ao Hospital Rural de Mocuba (HRM), onde alguns ficaram internados para cuidados sanitários.

Situação dramática

Na tarde desta quinta-feira, o nosso repórter deslocou-se ao distrito de Mocuba para in-loco ver o que se estava a passar. No HRM, tivemos acesso a enfermaria onde encontravam-se 3 dos outros tantos que estavam internados, mas que já tiveram alta e estão encarcerados no Comando Distrital da PRM naquele distrito.

Como as imagens documentam, dois dos três que encontramos na enfermaria, o estado era tido como não muito bom, porque por aquilo que o nosso repórter presenciou, os dois homens só se viam olhos. Um deles, estava a reagir de uma forma brutal ao soro de hidratação oral que estava a receber.

Todavia, o director distrital da Saúde em Mocuba, Eduardo Arame, garantiu-nos que a situação destes estrangeiros estava sob controle das autoridades. Conforme deu a conhecer Arame, quando o grupo chegou foi logo submetido a cuidados intensivos.

Muitos resistiram, não tendo morrido nenhum naquela unidade hospitalar. Quando questionado se era o primeiro caso do género naquele distrito o DDS de Mocuba assegurou que foi o primeiro do género que é reportado naquele distrito.

PIC e Saúde no terreno

Ainda na tarde desta quintafeira, deparamo-nos com uma equipa da Polícia de Investigação Criminal (PIC), chefiada pelo seu chefe adjunto na província e o Inspector chefe de Saúde na direcção provincial de Saúde da Zambézia. Todos estavam em Mocuba no sentido de saber o que de facto teria se passado.

Mas como já tinha sido consumado, não havia como, apenas estes órgãos estavam a procura de uma forma própria para harmonizar a linguagem. Entretanto, o cenário de transportar imigrantes ilegais no país, ganhou moda e há muita gente que obtém boa factura.

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