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Idoso empreendedor que produz potes para sustentar família

Ele é um septuagenário, ainda que com idade avançada, faz de tudo para esquivar a fúria da pobreza, produzindo na sua pequena oficina potes de alumínio. Ele e patrão e empregado de si próprio, pessoalmente fabrica e vende os seus produtos.

São 13 horas, dia de quarta-feira, o céu apresenta-se carregado de nuvens, em como se a qualquer altura a chuva pudesse tomar conta da terra e de nós que nela nos encontramos. A nossa reportagem escala o bairro da Matola “F”. À este local chegámos com o fito de testemunhar de perto o trabalho de produção de potes de alumínio, uma oficina por entre as residências deste bairro, do Município da Matola.

Na pequena oficina encontrámos o velho Francisco Uthui, de 72 anos de idade, a fazer o seu trabalho de produção de potes, que mais do que um auto-emprego, é um meio para a sua sobrevivência. Ele é pai de família, tem cinco filhos, dos quais 3 vão à escola. É desta pacata actividade que este empreendedor sustenta a sua família e paga as propinas dos seus filhos.

Francisco Uthui começa a desenvolver este tipo de actividade desde 1993, com o seu amigo e dono do projecto, este que em 2006 viria a perder a vida. “Com a morte do meu chefe, tive que me responsabilizar pelo trabalho, não devia parar, porque é desta actividade de produção de potes que consigo ter algum dinheiro para sobreviver”, diz visivelmente triste com a perda do seu companheiro de labuta.

Este empreendedor diz que para desenvolver esta actividade de produção de potes de alumínio, tem que procurar sucatas, estas que depois são postas à altas temperaturas para a sua fundição. Depois da fundição do alumínio, “levamos este material numa panela para dentro da oficina, onde põe-se em fornos previamente preparados”, acrescenta.

“Quando se introduz o alumínio fundido no forno, só se pode ter o pote acabado depois de cerca de 30 minutos. Retira-se o pote ainda quente e põe¬se a arrefecer, ao mesmo tempo que vai secando, este processo é de poucos minutos”, comenta para depois acrescentar que findo o processo, já se pode pôr o pote nas montras.

Em termos de produção diária, o velho Francisco tem a capacidade de fazer oito potes pequenos cuja referência é número três, ou no caso dos potes grandes de referúência 30, faz dois. “Ainda que eu esteja sozinho, podia produzir muito mais se tivesse condições para tal, a vontade de trabalhar, é o que tenho de mais”, assegura.

A mesma fonte asseverou que os potes que tem produzido, são mediante encomendas, feitas tanto por pessoas singulares para o uso doméstico como por revendedores. Os preços rondam nos seguintes moldes, pote pequeno 150 meticais e os grandes nos 800. “Mais, se for para um revendedor que compra em quantidades consideráveis, o preço é ligeiramente baixo”, aponta.

“Eu prefiro produzir por encomenda, de forma a evitar que produza os potes e não sejam comprados. Este negócio não rende quase nada, aqui não ganho nada. Faço este tipo de trabalho porque antes vale eu estar a fazer qualquer coisa do que nada”, comenta.

A fonte disse ainda que em cada pote pequeno, ganha cerca de 20 meticais de lucro e em cada pote grande tem pelo menos 100 meticais. “Só que as pessoas, até mesmo os revendedores, não gostam de comprar os potes grandes, que para mim são mais rentáveis, diz.

A pequena oficina, onde trabalha o velho Francisco, está cercada de residências, a mesma não tem um nome identificativo. Mas, segundo ele, a sua oficina esta registada, daí que mensalmente paga o imposto de 100 meticais no circulo do bairro.

O espaço, onde encontra-se a laborar este empreendedor, não é dele, é um lugar emprestado, desde a criação da oficina em 1993. Isto leva a concluir que menos ou mais dias, esta fabriqueta, poderá ser retirada.

“Se o dono vier ou quiser usar este espaço, terei de parar com o meu trabalho, porque não tenho espaço para dar continuidade ao meu processo de produção de potes”, disse para depois avançar que gostava que alguém de boa vontade o apoia-se na aquisição do espaço e no financiamento para garantir uma boa produção e em quantidades consideráveis.

A reportagem do @Verdade testemunhou “in loco” que o velho Francisco trabalha em condições um tanto quanto deploráveis, ele não dispõe de meios de protecção como luvas, botas, apesar de na sua actividade lidar com altas temperaturas, desde a fundição do alumínio até a introdução do alumínio no forno.

“Desde que o meu companheiro de trabalho partiu desde mundo em 2006, eu tenho estado a trabalhar sozinho, porque não tenho condições para pagar à uma outra pessoa, uma vez que este negócio não rende quase nada, não posso contratar a ninguém, vou trabalhar a sós, pois conheço muito bem a realidade deste negócio”, comenta.

A oficina é improvisada, a infra-estrutura foi concebida para residência, é uma casa do tipo 3, que por estar desabitada, o velho Francisco e seu já falecido colega ( dono do projecto) usaram o espaço para efeitos de trabalho.

Mesmo com a sua idade avançada, ele conta com 72 anos de idade, acredita e tem a esperança de que alguém de boa vontade há-de aparecer para ajudá-lo a melhorar o seu trabalho. “O valor que acho que me serviria de um trampolim nesta minha actividade, é de 50 mil meticais”, termina.

No local onde funciona a oficina de potes, é também estaleiro da Empresa Moçambicana de Alumínio (EMAL), onde fabricam pegas de panelas de alumínio. Os que trabalham para esta empresa neste local são maioritariamente jovens, oriundos de diversas áreas.

“Ali não só se trabalha, mas também há um bando de assaltantes que tem aquele local como ponto de encontro”

Os residentes do bairro da Matola “F”, jorram lágrimas às catadupas, “estamos a passar mal de roubos aqui nesta zona, os que andam noite a dentro para invadir residências e assaltarem nas ruas são daqui. Naquele local onde se produz potes e pegas de panela de alumínio, tem havido uma grande concentração de jovens desonestos, que na calada da noite apoderam-se de bens alheios”, conta um dos residentes que não quis se identificar por temer represálias.

“É normal durante a noite virem bater a porta de casa e quando nos dá-mos ao luxo de abri-la, podemos ser molestados, atirados para fora de modo a que eles se introduzam no interior da casa e comecem com as suas acções de retirada compulsiva dos bens”, comenta uma residente, visivelmente agastada com esta realidade.

O meio ambiente não escapa à poluição

Tendo em conta que no local a que temos vindo a referenciar funcionam duas “empresas” diferentes, com o mesmo processo de produção, que se circunscreve fundamentalmente na fundição de alumínio. Neste recinto laboral, existem três tambores, onde se funde o alumínio à altas temperaturas, o fumo e o calor que daí advêm são quase que insuportáveis.

As àrvores já não desenvolvem como devia ser, as folhas ficam secas em como que a murcharem, paredes de algumas casas mostram-se fumadas, em com se de cor preta se tratassem.

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