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EDITORIAL: Haja vergonha e humildade também

Os feitos da selecção nacional de hóquei em patins – melhor classificação de um desporto colectivo na história de Moçambique – tem apaixonado a opinião pública que, sem pestanejar, aponta o dedo do meio aos media. Motivo: tratamento marginal e um desrespeito brutal para quem, mesmo sem apoios, colocou o nome de Moçambique acima do de países que levam o desporto realmente a sério.

As pesadas críticas dos moçambicanos, conjugadas com a ausência de apoio do Governo permitem-nos tirar algumas conclusões: ninguém acreditava na selecção nacional de hóquei em patins. Até porque, ao contrário da selecção feminina de basquetebol, aquela que nos daria o ouro nos Jogos Africanos de Maputo, nenhuma figura de proa do Governo recebeu, antes do Mundial, os agora bravos heróis de San Juan.

Sem querer fazer uma defesa velada dos órgãos privados de informação, é bom que fique claro, que estes, tal como o desporto nacional, têm de fazer contas à vida para sobreviverem. Aliás, poucos são, neste país, os meios de comunicação social que se podem dar ao luxo de cobrir um evento dentro do próprio território nacional, se o lugar não se chamar Maputo.

Situação completamente diferente daquela que vivem os órgãos públicos, os quais dispõem de orçamentos musculosos. Orçamentos esses que, muitas vezes, permitem coberturas de eventos que não deviam, de forma nenhuma, ser prioridade num país paupérrimo. Ainda assim, são estes que confundem e atropelam sistematicamente a informação de interesse público.

Enquanto os bravos guerreiros do hóquei vergam desportistas de elite, uns por falta de meios e outros porque é necessário perpetuar feitos “heróicos” dos filhos deste país – libertadores – deram mais importância ao passado e moveram céus e terras para qualquer ponto do país onde se celebrava o nascimento, a morte, o casamento ou até os 100 anos de uma mãe de um libertador.

Resultado: enquanto atletas derramaram suor, sangue e lágrimas por Moçambique, algumas pessoas transmitiam subliminarmente, aos 22 milhões de compatriotas, a mensagem de que temos uma dívida impagável aos que pegaram em armas. Portanto, informação sobre o dedo mindinho de qualquer um deles é mais importante do que qualquer coisa neste país.

Porém, o destino, tecedor de mil ardis e inexorável, não calhou em esquecer o esforço de Bruno Pimentel e companhia em prol do modalidade que tanto amam. Com a lentidão própria destas coisas, o Mundial foi retirado de Moçambique e na sequência os competentes dirigentes nacionais deram prioridade aos Jogos das 21 medalhas.

O hóquei, esse, seguiu o seu caminho sem um queixume e, ainda por cima, com o carimbo da incompetência organizativa para o resto dos participantes no Mundial da Argentina. Moçambique, não se imagina porquê e apesar da sua condição de país maravilhoso, não se terá apresentado como alternativa válida ao Comité e, desse modo, a selecção lá teve, ao cabo de muitas voltas, aquilo que nenhum atleta queria.

Ou seja, competir em desigualdade com os outros. Por isso, esta classifi cação é um grito de revolta contra os Pedritos da vida e toda a estrutura que os suporta.

No entanto, o que se viu na última terça-feira (4 de Outubro) durante a chegada da selecção nacional de hóquei não passou de aproveitamento político em todo o seu esplendor, ou pior, na sua forma de suprema prepotência.

A presença do ministro da Juventude e Desportos e a sua turma no Aeroporto Internacional de Maputo foi o exemplo acabado de oportunismo, pois, quando os “rapazes dos patins” precisaram da atenção destes a única coisa que receberam foi uma mão cheia de nada.

Aliás, estes enclausuraram-se no conforto dos seus covis e afogavam-se em massificados almoços e jantares regados com vinho e whisky, pagos com o suor e sangue do povo que é forçado a viver à intempérie da crise económica.

Na verdade, tudo não passou de uma encenação – qual “Paixão de Cristo” – para os meios de comunicação social verem, reportarem e aplaudirem. @Verdade é que não se deixa impressionar e muito menos enganar porque, como todos os moçambicanos atentos, sabe que há muita hipocrisia no acto de Pedrito Caetano.

E por isso repudiamos esse tipo de mediocridade com as quais o Governo de turno já nos habituou. Em suma: há quem consegue ter, sem muito esforço, comportamento mais indecoroso do que os meios de comunicação social juntos…

PS: Sendo estas e outras as causas eficientes da recente comoção pública, a culminar na aludida cruzada televisiva pedritiana, não sabemos o que nesta demonstração de ausência de escrúpulos mais nos perturbou.

A inexistência de competição em Moçambique e o discurso vociferante de Pedrito Caetano, com a habitual autoridade em fazer discursos bajulatórios e reivindicar a visão clarividente do Chefe do Estado em feitos que nada têm a ver com ele, arrancou sucessivos aplausos da sua comitiva com punch lines mordazes, do estilo “agradecer a sábia liderança do Presidente da República”. Como se o PR tivesse calçado patins.

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