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“Há sondagens europeias que me dão a vitória”

Líder da Renamo queixa-se de ser alvo de espionagem

O líder da Renamo, Afonso Dhalakama, formalizou na manhã de sexta feira no Conselho Constitucional, em Maputo, a sua candidatura à Presidência da República de Moçambique. Dhalakama, que chegou ao local numa carrinha de caixa aberta de cor preta, depois de saudar alguns simpatizantes que o aguardavam à porta do Conselho, entrou apressadamente no edifício.

Depois de uma curta espera, durante a qual esteve sob a mira dos fotógrafos e das câmaras de televisão, o líder da perdiz subiu as escadas para se apresentar ao responsável máximo daquele órgão. Depois de entregar quatro grossos dossiers com 5 mil assinaturas cada – no total entregou 20 mil, o máximo permitido por lei – e de cumprir as restantes formalidades, Dhalakama desceu as escadas e falou um pouco aos jornalistas.

Disse que Moçambique precisa da democracia, de paz e de um Estado de direito. “Está na hora da mudança e isso só é possível com um homem sério, forte e com um programa que vá ao encontro dos desejos das pessoas. Hoje as nossas mães grávidas morrem nos hospitais do Estado só porque não pagaram 20 meticais à parteira! Hoje vimos miúdas de 18 anos a morrer como se fossem animais e há pessoas a morrer de fome quando o Presidente da República queima dólares e mais dólares nas presidências aberta passeando-se de helicóptero.”

Depois, num tom mais conciliador, prosseguiu: “Mas isto é um jogo democrático. Ninguém está aqui para golpear o Guebuza, ninguém está aqui para acabar com a Frelimo mas quero dizer: Chega, já são 34 anos! De 1975, quando a Frelimo se tornou partido do Estado, até hoje, não houve desenvolvimento concreto neste país. Sei do que estou a falar porque estou a voltar agora das zonas rurais.” Por fim disparou contra os órgãos eleitorais: “O recenseamento não está a ser feito. Estranhamente não há eleitores. Não sei quem é que trata da manutenção daquelas máquinas mas elas não estão a funcionar. São máquinas trazidas pelo STAE (Secretariado Técnico Administração Eleitoral) mas a empresa que está encarregue da sua gestão pertence a Armando Guebuza. Já em 2006 dissemos que essas máquinas não iam servir e não recensearam nada. Agora, na actualização que começou no dia 15 de Junho, não se recensearam nem 10% dos novos eleitores!”, referiu indignado.

E enfatizou: “Há trocas de cadernos, há números de eleitores de Gaza que saem em Cabo Delgado, de Sofala que saem na Zambézia. Estamos por isso a pedir a replanificação do recenseamento para se fazer um recenseamento condigno. Eu não estou preocupado com a data porque a eleição é a vida dos moçambicanos. Neste momento, como as coisas estão a decorrer, posso assegurar-vos que não há condições para a realização das eleições. Assim, mais vale não se realizarem. É melhor dizer logo às pessoas que o Guebuza é o rei de Moçambique. Assim toda a gente se conforma.”

À pergunta se mesmo assim estava confiante na vitória Dhalakama foi peremptório: “Claro que estou. Há sondagens que estão a ser realizadas por organizações europeias que me dão 49% e ao Guebuza 42%. Se fosse na Europa eu já estaria a preparar a minha tomada de posse como Presidente da República mas como estamos em África…” E saiu apressadamente com um largo sorriso.

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