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Há disputa de minerais na Zambézia

A localidade de Chiraco, no posto administrativo de Mulevala, distrito do Ile, é um dos principais campos de disputa de minerais na província central moçambicana da Zambézia.

Firmas licenciadas, como é o caso da ‘HAMC’, e centenas de garimpeiros ilegais revolvem a terra, entrando nas suas profundezas em busca de tântalo, microlite, entre outros recursos minerais. Curiosamente, o mercado é parcialmente comum.

Se, por um lado, a ‘HAMC’, que explora a mina de Marropino, no povoado do mesmo nome, usa equipamentos modernos e possui uma mão-de-obra qualificada, centenas de garimpeiros de todas as idades e de ambos os sexos abrem crateras na povoação de Morrua com recurso a picaretas e pás e processam manualmente os minerais no rio Mulele.

A edição da terça-feira do ‘Noticias’ escreve que os garimpeiros legais e ilegais estão apostados em fixar-se definitivamente na zona, o que poderá gerar conflitos na medida em que a área agora ocupada pelos garimpeiros em Morrua foi concessionada aos proprietários da mina de Marropino, da qual actualmente a ‘HAMC’ exporta cerca de oito toneladas de tântalo por ano para os mercados japonês, chinês e norteamericano.

Aquele metal é muito usado na electrónica e aeronáutica, principalmente no fabrico de capacitores de aparelhos como telefones celulares e turbinas de aviões, respectivamente.

A mina de Marropino, que recomeçou a extracção de tântalo em Abril de 2010, produziu pouco mais de 48 mil libras daquele mineral, o equivalente a cerca de 22 toneladas.

Entretanto, a ideia dos gestores da mina é elevar a produção anual para 500 mil libras, cerca de 230 toneladas. Para o efeito, segundo Délio Darsan, Director-geral da Mina de Marropino, foram investidos 35 milhões de dólares norteamericanos para a aquisição e montagem de uma nova planta para o processamento daquele mineral, depois de se ter constatado que a actual unidade é muito pequena para os níveis actuais das terras extraídas.

A nova unidade de processamento deverá estar completamente montada até finais do presente ano. Actualmente, a firma, que emprega 460 moçambicanos e 18 estrangeiros, tem assegurado contratos de exportação da sua produção para os próximos três anos.

Enquanto os gestores da mina de Marropino desdobram-se para elevar a sua produção, crianças, jovens e adultos de ambos os sexos abrem crateras no povoado de Morrua também em busca de tântalo, microlite e de outros minerais.

Contrariamente ao que se verifica em Marropino, onde os minerais são identificados por máquinas, em Morrua, cabe ao cavador identificar, a olho nu, o tipo de mineral.

É um exercício interessante, considerando que alguns dos mineiros possuem apenas escolaridade básica ou mesmo nenhuma. Quanto aos preços dos minerais em questão, o ‘Noticias’ refere que existem duas classes distintas na zona de garimpo de Morrua.

Os cavadores, uma espécie de mineiros, e os ‘renguistas’, os que compram a produção a preços relativamente baixos e posteriormente vendem-na a estrangeiros. Ao que Se sabe, os principais compradores são asiáticos, na sua maioria chineses, estacionados no distrito do Gilé.

Santos Evaristo e Betinho Congolês, dois jovens cavadores, disseram que, dependendo dos dias, conseguem facturar 500 ou mil meticais (entre cerca de 17 e 35 USD), através da venda da sua produção.

Entretanto, há momentos duros, em que nada conseguem. Entre as preocupações que levantaram destaca-se o facto de os ‘renguistas’ comprarem a sua produção a preços muito baixos relativamente ao valor real dos minérios.

O grande choque que se tem ao visitar a zona de garimpo de Morrua, pela primeira vez, é a exposição constante a que estão sujeitos os garimpeiros.

A extracção da terra suspeita de ter minerais é feita em grutas que podem ruir a qualquer momento soterrando os garimpeiros. Contudo, o número de pessoas que diariamente desce à zona indica que esse perigo é apenas visto pelos visitantes.

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