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Guebuza admite que produtividade agrícola ainda é baixa

O presidente moçambicano, Armando Guebuza, admitiu sábado, último dia da sua “Presidência Aberta e Inclusiva” à província da Zambézia, na região centro, que a produtividade agrícola ainda é muito baixa no país. “É verdade, o nosso rendimento é muitíssimo baixo”, disse Guebuza, frisando “muitíssimo baixo”.

Segundo Guebuza, a área explorada em Moçambique deveria estar a produzir 10 vezes mais, pois a Zambézia, além de possuir uma terra rica para a prática de agricultura, também tem muita água. “Para um maior aproveitamento das terras da Zambézia, precisámos de uma ‘Revolução Verde’ mais capacitada”, disse o estadista, para de seguida explicar que este processo já está em curso, mostrando resultados positivos, mas que ainda carece de uma maior capacitação na produção de sementes melhoradas em Moçambique.

Prosseguindo, ele disse que existe ainda a necessidade de uma maior capacitação na gestão da água, e melhor aproveitamento das terras aráveis. Guebuza, que falava em conferência de imprensa no distrito de Nicoadala, localizado cerca de 30 quilómetros da cidade de Quelimane, capital provincial, respondia a uma preocupação colocada pela AIM sobre os baixos níveis de produtividade em Moçambique, e na província da Zambézia, em particular.

O informe do Governo Provincial referente ao período 2004/2008 e que foi apresentado ao Chefe de Estado durante a Sessão Extraordinária do Governo Provincial alargada aos administradores distritais, presidentes dos Conselhos Municipais e outros quadros do governo refere que o rendimento atingido em 2008 foi de 2,4 toneladas por hectare, valor que não regista uma mudança significativa durante o período em revista.

Segundo dados apurados pela AIM, este valor é muito baixo comparativamente aos outros países do mundo, incluindo a Comunidade de Desenvolvimento da Africa do Austral, de que Moçambique é um dos países membros. Por isso, disse Guebuza, que uma das questões centrais em todo este processo, é a formação técnica, começando pela formação na área agrícola. “Uma outra preocupação que nós temos é na utilização de um maior número de extensionistas.

Os extensionistas darão resposta aos problemas actuais e vão aumentar um bocado a produtividade”, explicou. Para Guebuza, quando Moçambique tiver muitos cidadãos com formação agrária de nível médio, básico e superior vai assistir um salto no aumento da produtividade agrícola. A AIM questionou ainda sobre a razão do número reduzido de cabeças de vaca no distrito de Guruè, uma região propícia para a pecuária, devido a sua imensa pastagem.

Na ocasião, Guebuza respondeu que o efectivo do gado bovino já está a começar a crescer. Houve tempos em que o efectivo era muito alto, tendo chegado a oito mil cabeças de vaca, disse Guebuza, explicando que o governo já está a fazer esforços para o repovoamento de gado na região.

Actualmente, Guruè possui apenas 814 cabeças de vaca, segundo o informe do administrador do distrito, Fernando Namucua. Numa entrevista exclusiva concedida a AIM, o director provincial da agricultura, Mohamed Valá explicou que a agricultura na Zambézia ainda é fortemente dependente das chuvas, sendo uma das principais razões para o baixo rendimento por hectare, facto exacerbado pela falta de sementes melhoradas.

Sobre a sua visita a Zambézia, Guebuza disse que para além das questões rotineiras, tais como o cumprimento do plano quinquenal, a mesma serviu para discutir assuntos ligados a planificação, “pois existem metas que não chegam a ser cumpridas, razão pela qual o governo deseja apurar os verdadeiros motivos. “Também abordamos o processo da descentralização, e verificar até que ponto o poder a nível local foi confiado aos órgãos locais ao governo distrital e ao Conselho Consultivo local”, disse Guebuza, acrescentando que “também queríamos ver como é que o problema de casas está a ser tratado porque não vemos o movimento que gostaríamos de ver para os distritos, pois este poderia ser muito mais intenso e também a questão do meio ambiente”.

Aparentemente, Guebuza referia-se a contratação de técnicos superiores nas províncias. Outros assuntos abordados durante a sua visita foi o problema das queimadas descontroladas e que foi um dos temas do comício que ele dirigiu no seu ultimo dia na Zambézia. “Nós temos que inverter as queimadas com um movimento muito mais intenso do que vemos hoje e deveríamos ter muito mais a nossa província arborizada”.

Na sua deslocação a Zambézia, Guebuza fez-se acompanhar de vários membros do governo entre os quais se destacam os ministros da Administração Estatal, Lucas Chomera, das Finanças, Manuel Chang, do Turismo, Juventude e Desportos, Fernando Sumbana, da Energia, Salvador Namburete, e para a Coordenação e Acção Ambiental, Alcinda Abreu. Também participaram como convidados o embaixador da Índia em Moçambique e do encarregado de negócios da embaixada dos EUA em Maputo, Todd Chapman, que apenas esteve presente no primeiro dia.

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