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Grupo de jovens da Frelimo junta-se ao MDM

Um grupo de 10 jovens que se dizem membros da Frelimo renunciou no sábado a sua filiação no partido no poder em Moçambique, num acto público durante o comício dirigido pelo candidato presidencial do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, e que teve lugar no Pavilhão de Desportos, na cidade de Nampula, capital da província que ostenta o mesmo nome. 

O comício era parte integrante de mais uma etapa da campanha eleitoral de Daviz Simango na sua corrida para as presidenciais de 28 Outubro corrente. Justificando a sua decisão, os jovens disseram estar insatisfeitos com a Frelimo e inspirados pelos ideais de Daviz Simango. Tomando a palavra, o primeiro orador, Sandrique João Mário, disse que quando ouviu pela primeira vez o nome de Daviz Simango começou a reflectir e buscar aquilo que ele representava.

“Nessa altura, que eu ouvi o nome de Daviz Simango, eu ainda pertencia ao partido Frelimo em 2005, onde continuei mas sempre escutando, ouvindo e me inspirando com aquilo que fazia Daviz Simango”, afirmou. Mário, que diz ser funcionário do Conselho Municipal de Nampula e membro da Frelimo desde 1 de Fevereiro, concluiu afirmando que “hoje e agora este cartão não preciso mais. Este exemplo deve ser seguido por todos, porque esta Frelimo só sabe nos usar e quando termina a missão deles já não somos nada”. Este foi o tom dos restantes jovens que, durante a ocasião, também se fizeram ao palco improvisado para se pronunciarem sobre a decisão de renunciar ao partido no poder.

Refira-se que os jovens são o principal alvo do MDM e do seu candidato Daviz Simango. “Vamos trabalhar duramente com os jovens, pois nós entendemos que os jovens têm uma oportunidade muito grande, pelo facto de hoje existir uma liderança jovem que pode olhar por eles, ao contrário daquilo que se tem defendido muito de que os jovens podem vender o país. É claro que somos jovens, temos energia, mas em nenhum momento se pode vender o país”, disse Simango, momentos após a sua chegada a Nampula. Segundo o candidato do MDM, ‘hoje todos falam que querem jovens, quando ainda recentemente as mesmas pessoas cantavam todos os dias nos jornais que os jovens vão vender o país’. “Mas hoje, como estamos em campanha procuram escovar os sapatos dos jovens”, disse Simango.

Durante o seu discurso, Simango também manifestou a sua preocupação com o facto de muitos jovens ‘passarem a vender amendoim’ após a conclusão da 12/a classe por alegada falta de oportunidades de prosseguir com os estudos. Como forma de tentar aliciar o voto da juventude, Simango prometeu na ocasião disponibilizar um por cento do Produto Interno Bruto (PIB) para a habitação. “Os jovens querem casar, mas não têm dinheiro para comprar uma casa, não têm dinheiro para construir uma casa, e o MDM diz que um por cento do PIB tem que ser entregue para que os jovens possam ter credito e possam construir a sua casas. Enquanto isso, a Frelimo, na voz do seu porta-voz ao nível da cidade de Nampula, João Maurício, desvaloriza a renúncia daquele grupo de jovens.

Falando a AIM, no fim da tarde de sábado, em Nampula, Maurício disse que “essa coisa de ser membro de partido é um jogo político, muitas vezes há pessoas que chegam num partido talvez por interesse. Por isso, não creio que as pessoas que se apresentaram sejam verdadeiramente membros da Frelimo. Poderiam ser (membros da Frelimo), mas que queriam tirar um certo proveito da Frelimo”. “Essa coisa de partido e’ como um clube de futebol que tu tens no coração. Eu não renuncio de ser do Sporting apesar de o Sporting estar a perder”, exemplificou.

Sobre os argumentos apresentados por aquele grupo de jovens para renunciar ao partido no poder, Maurício refuta que alguma vez a Frelimo tenha-se aproveitado da camada juvenil. “A Frelimo nunca usou os jovens”, asseverou Maurício, para de seguida explicar “por isso, eu disse que qualquer partido e’ como um clube em que você se filia de forma voluntária. A Frelimo nunca recrutou e nunca usou alguém”. Sobre os mecanismos de adesão a Frelimo, Maurício explicou que “as pessoas analisam, vêem as realizações da Frelimo e depois afiliam-se a Frelimo. A Frelimo nunca vai a caca das pessoas, as pessoas e’ que vão a Frelimo”, concluiu.

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