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GPro na Linha da Frente

GPro na Linha da Frente

A GPro, a banda que compôs o “País da Marrabenta”, vai dar um passo decisivo no dia 8 de Maio, no lançamento do seu segundo disco. Djo, o manager da banda, que já tem 10 anos como tal, em entrevista ao jornal @VERDADE disse que a sobrevivência da GPro dependerá do resultado das vendas do CD “Linha da Frente”.

(@V)Quando e como surgiu a GPro?

(Djo) – A GPro surgiu no ano 2000. Na época, o único local no qual as pessoas cantavam era num programa da Rádio Cidade, o Hip Hop Time, mas o espaço de antena era exíguo para a demanda. O passeio da rádio ficava literalmente repleto de jovens que não conseguiam aceder ao programa. No entanto, em conversa com alguns amigos, decidimos transportar esses jovens do passeio para um espaço onde pudessem cantar, mas, mais do que isso, queríamos levar para as pessoas o RAP que só chegava pela rádio. Foi assim que criámos pequenos espectáculos no Tchova onde, diga-se, organizamos 10 eventos num espaço de dois anos. Efectivamente, porque descobrimos novos talentos, criar um grupo foi um pequeno salto inevitável. Então a GPro nasceu constituída por Djo, Duas Caras e 100 paus (na altura Stupid Man).

 (@V) – Como é que a escolha para constituição de um grupo recaiu em Duas Caras e 100 paus?

 (Djo) – Depois de fazer espectáculos sentimos a necessidade de lançar um CD já que no país não existia nenhum CD de Rap. Para o efeito, escolhemos aqueles que eram, na nossa opinião, os melhores Mc´s dos eventos que organizávamos. No início o grupo era bem maior, mas no fim acabámos por avançar com 100 paus e Duas Caras com esse objectivo em mente, que viemos a concretizar nos finais de 2003.

 (@V) – E o CD da kandonga…

(Djo) – O CD da Kandonga foi lançado na mesma altura, mas o nosso saiu à rua alguns dias antes.

(@V) – Quantos elementos deveriam ter composto a GPro?

(Djo) – Cinco, mas por vários motivos ficaram dois.

(@V) – Quem eram os outros três e por que motivos não fizeram parte do grupo?

(Djo) – Isso é história, já não interessa.

(@V) – Não acha que os fãs têm direito a conhecer essa fase da história?

(Djo) – Não temos memória.

(@V) – Que frutos o CD trouxe?

(Djo) – Felizmente foi um bom projecto, foi algo que abriu as portas ao RAP devido ao impacto da música “País da Marrabenta”. Sentimos que um pedacinho da história recente de Moçambique ficou marcado por nós. Um grupo de jovens que fez uma música, digamos, interventiva. Durante algum tempo vieram pessoas de fora para entrevistar a GPro. Recordo-me de que vieram televisões da Irlanda, Japão e Portugal que queriam saber quem eram aqueles jovens que fizeram o “País da Marrabenta”. Uma música forte naquele contexto, no princípio do ano 2000, foi um orgulho ter feito aquilo numa altura em que o mercado musical era muito fraco, havia muito menos do que há agora.

(@V) – Quando se ouve o CD nota-se que era um disco mais ao estilo da música “Jardins proibidos” e não o “País da Marrabenta”.

(Djo) – O nosso estilo sempre foi por aí. Recordo-me de que a primeira música a ser lançada foi precisamente “Jardins Proibidos”, que era uma produção mais para rádio, uma música que as pessoas têm por tendência chamar comercial e nós fomos apelidados no início de um grupo com pretensões comerciais, mas depois veio o “País da Marrabenta” e colaram- nos outro estereótipo: grupo underground. Na verdade nós fazemos um pouco de tudo e vão reparar que no novo disco apresentaremos uma linhagem diferente, mas isso é porque temos um novo produtor. Basicamente, gostamos tanto de uma música interventiva como de músicas com menos conteúdo dessa ordem. No final do dia, nós fazemos música.

(@V) – Quando é que surge o estúdio da GPro?

(Djo) – O estúdio da GPro surge em 2005 e porque a gravação do primeiro disco trouxe essa necessidade. Ou seja, evoluímos de acordo com as nossas necessidades: em 2005 construímos o primeiro e em 2007 construímos o actual.

(@V) – Quanto é que custou o primeiro estúdio?

(Djo) – Não me recordo, mas posso afirmar que o actual foi um investimento de mais de 10 mil dólares.

(@V) – Há retorno?

(Djo) – Através da música não tem havido. O estúdio sobrevive em função dos trabalhos publicitários que fazemos para várias agências já que o retorno por via da música é literalmente baixo. Aliás, se fosse para termos um estúdio e viver através da música não sobreviveríamos, mas é nossa pretensão mudar esse cenário. Depositamos fé no lançamento do nosso disco, esperamos que seja um sucesso comercial.

(@V) – Como é que é possível sustentar o artista nessa situação?

(Djo) – A música é uma área específica porque envolve sentimento. Os consumidores, no entanto, não compram, mas consomem e isso faz com que o artista não evolua. A GPro, no entanto, aposta tudo no lançamento do nosso disco no dia 8, se isso falhar talvez não possamos sobreviver.

(@V) – Se as pessoas não corresponderem às expectativas poderá repetir-se o caso Track Records?

(Djo) – Acredito que sim, porque já estamos há 10 anos na música e obviamente achamos que devemos observar alguma evolução. Até porque já não somos adolescentes e temos outras responsabilidades na vida. Temos de escolher caminhos que nos dêem retorno, para nós e para as nossas famílias.

(@V) – Pensam no retorno através da venda do disco?

(Djo) – Não, estamos a fazer uma campanha integrada. Hoje em dia vendemos música por telefone, por Internet e temos a componente de espectáculos. Contudo, mesmo que tenhamos sucesso em termos de vendas de discos, tal não será suficiente para que possamos viver da música, mas viabilizará minimamente o projecto e, por outro lado, permitirá que possamos lançar mais discos.

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