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Governo interino do Brasil perde perde segundo ministro em 17 dias

Fabiano Silveira, o ministro da Transparência, Fiscalização e Controlo, ministério que abriga os órgãos mais importantes de combate à corrupção, é a segunda baixa no governo interino do Brasil, apenas uma semana depois de ter sido afastado Romero Jucá, que comandava o Planeamento, e 17 dias após a tomada de posse da equipa do Presidente em exercício Michel Temer, do partido PMDB. Em causa, novas escutas em torno da Operação Lava-Jato.

Investigado na operação que lida com o escândalo de corrupção na Petrobras, Sérgio Machado, presidente da Transpetro, uma subsidiária da petrolífera, gravou conversas com políticos influentes do partido que o indicou para a função, o partido PMDB, entre Fevereiro e Abril, para reduzir a eventual pena na Lava-Jato através de uma delação premiada, expediente usado habitualmente por Sérgio Moro, juiz do processo em primeira instância.

Entre os políticos flagrados estão o ex-ministro Romero Jucá, que não resistiu politicamente à gravação, o antigo presidente José Sarney e o presidente do Senado Renan Calheiros, padrinho político do ministro da Transparência.

É numa gravação na residência oficial de Calheiros que surge a voz de Silveira, então ainda membro do Conselho Nacional de Justiça, a enumerar as diligências por ele efectuadas e a acertar as tácticas para livrar o padrinho político dos investigadores da procuradoria-geral da Republica, a quem faz fortes críticas.

Silveira não nega a conversa. “O ministro esteve só de passagem na residência oficial do senado, não tem relação com Sérgio Machado, nunca tentou obstruir ou interferir em nenhuma operação”, reagiu a assessoria do ministério em nota.

Ao longo do dia, foi noticiado que Temer poderia demitir Silveira a qualquer momento. O influente jornal O Globo publicou um editorial a meio da tarde a dizer que não restava alternativa ao presidente em exercício se não aplicar a “receita Jucá” a Silveira. E outros meios de comunicação social já especulavam nomes de eventuais sucessores. À noite, o ministro acabou mesmo por pedir a demissão.

Temer sentia que o afastamento imediato de Silveira irritaria Renan Calheiros. E o governo precisa do Senado, que Calheiros lidera, para aprovar as medidas económicas austeras que vem preparando e para garantir o impeachment de Dilma Rousseff nos próximos meses.

Para Temer ser confirmado Presidente da República precisa do voto pela destituição da antecessora de 54 de 81 senadores, sendo que na votação do passado dia 11 somou o apoio de 55, apenas mais um do que o necessário. Mas a situação estava a tornar-se insustentável: nesta segunda-feira dois senadores, Álvaro Dias (partido PV) e Cristovam Buarque (partido PPS), se terem pronunciado a favor da demissão. Ambos votaram pelo impeachment há menos de 20 dias.

Entretanto, o chefe regional do Rio Grande do Sul do ministério da Transparência colocou o lugar à disposição por “perda de confiança” no ministro. Cláudio Corrêa diz que os outros 25 chefes estaduais farão o mesmo. E em Brasília funcionários ligados ao ministério lavaram as escadas da sede de onde trabalham em protesto contra Silveira, que foi impedido de entrar no prédio, e exigindo o regresso da “Controladoria Geral da União”, a anterior nomenclatura da pasta.

Em Minas Gerais, um ex-secretário de Antonio Anastasia (PSDB), antigo governador do estado e autor do relatório que conduziu o impeachment de Dilma Rousseff no Senado, foi detido por desvio de dinheiros públicos. Nárcio Rodrigues da Silveira é um antigo jornalista, filiado no partido PSDB e deputado eleito por Minas Gerais.

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