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Gbagbo é detido por forças francesas na Costa do Marfim

Gbagbo é detido por forças francesas na Costa do Marfim

O Presidente cessante da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, foi detido esta tarde no interior da sua residência oficial, em Cocody, na capital, Abidjan, foi confirmado pelo embaixador francês naquele país.

Desmentindo uma primeira informação de que Gbagbo tinha sido detido por tropas das operações especiais francesas, o chefe da missão diplomática da França em Abidjan precisou que o irredutível chefe de Estado – derrotado nas eleições de Novembro passado – foi levado pelas forças leais ao seu rival e Presidente eleito, Alassane Ouattara.

Jean-Marc Simon avançou ainda que Gbagbo se encontra agora no Hotel do Golfo, quartel-general da facção de Ouattara. Esta informação foi reiterada pelo porta-voz de Ouattara à agência noticiosa francesa AFP, insistindo que foram elementos das Forças Republicanas da Costa do Marfim (FRCM, pró-Ouattara) que detiveram Gbagbo e a sua mulher, Simone, na residência oficial na capital, e negando que tenham entrado no local quaisquer elementos militares franceses. Segundo Anne Ouloto, Gbagbo e a mulher, e ainda o filho do primeiro casamento do Presidente cessante, Michel, estão no Hotel do Golfo desde as 13h00 (locais, mais duas horas em Maputo).

Pouco antes, um responsável do Ministério da Defesa francês, afirmara que a detenção tinha sido feita pelas forças do Presidente eleito com o apoio de capacetes azuis das Nações Unidas e tropas francesas.

O representante de Gbagbo em Paris, Alain Toussaint, insistia porém que a detenção tinha sido feita por soldados franceses e das Nações Unidas, que depois entregaram o chefe de Estado às forças de Ouattara. Fonte das Nações Unidas veio indicar, entretanto, que Gbagbo se “rendeu” às forças de Ouattara. “A missão da ONU na Costa do Marfim confirmou-nos que o antigo Presidente Laurent Gbagbo se rendeu às forças de Alassane Ouattara e está neste momento sob a sua custódia”, afirmou porta-voz da ONU, Farhan Haq, detalhando que a UNOCI está a “prestar segurança e protecção [a Gbagbo] de acordo com o seu mandato”.

O embaixador da Costa do Marfim nas Nações Unidas, Youssoufou Bamba, asseverou que Gbagbo se encontra “de boa saúde” e que será levado à justiça “para ser julgado”. Desde as primeiras horas da manhã desta segunda-feira, ao 12º dia da chamada batalha por Abidjan, uma coluna de mais de 30 veículos armados franceses avançava em direcção à residência de Gbagbo na capital, pela primeira vez em apoio aos raides aéreos das Nações Unidas, face a intransigência do chefe de Estado em ceder o poder a Ouattara. “Os tanques estão a avançar com soldados [franceses] atrás e o apoio aéreo de helicópteros. Podem ouvir-se os disparos de espingardas automáticas”, descreveu um residente de uma das avenidas do bairro de Cocody, citado pela agência noticiosa britânica Reuters.

De acordo com este testemunho, as tropas terrestres francesas – que se encontravam numa base do sul do país – seguiam em direcção da residência de Gbagbo, duramente bombardeada na véspera pelos raides aéreos da França e Nações Unidas, sob mandato emitido há semana e meia pelo Conselho de Segurança para “proteger vidas civis”. A operação foi confirmada por um dos comandantes da base francesa – país que tem cerca de 1600 tropas no país, a par dos capacetes azuis da ONU, desde a guerra civil há mais de uma década. “Estamos armados e prontos para o combate. A missão está em curso e o objectivo é garantir que se evita um derramamento de sangue”, precisou o porta-voz da missão francesa na Costa do Marfim, Frederick Daguillon, citado pela AFP.

Desde a tarde de domingo e ao longo de toda a noite e madrugada, a casa de Gbagbo assim como o palácio presidencial foram alvos de intensos ataques por parte das forças internacionais, visando destruir o armamento pesado com que as forças leais ao Presidente cessante se continuavam a bater contra as do seu rival, reconhecido pelas Nações Unidas como o vencedor das eleições presidenciais.

O porta-voz de Gbagbo em Paris asseverou logo então que o irredutível chefe de Estado continuava vivo depois daqueles bombardeamentos à sua residência em Cocody, que “destruíram vários edifícios [do complexo], incluindo o do gabinete da primeira-dama”. “Morreram pelo menos 12 pessoas. E os bombardeamentos recomeçaram há pouco, havendo dezenas de tanques franceses e entre 300 e 400 soldados fortemente armados a tomar posição nas ruas em volta da residência”, contou ainda Alain Toussaint.

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