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FRELIMO consolida presença no sistema bancário

O partido FRELIMO deverá fortificar o seu envolvimento na rede bancária nacional, com a entrada para o Conselho de Administração do Barclays Bank Moçambique de Luísa Dias Diogo, economista e antiga primeira-ministra do país, que se espera tenha efeitos oficiais e efectivos no início de Janeiro de 2012, de acordo com fonte interna da instituição.

Outras fontes alegaram que Diogo já está em exercício desde 30 de Novembro como PCA do Barclays Bank Moçambique, mas a visada declina confirmar ou desmentir a informação, limitando-se a afirmar que “fui convidada”.

Um informante no interior do Barclays Bank Moçambique afiançou-nos que, oficialmente, Luísa Diogo deverá entrar em funções em Janeiro, no âmbito de uma “mexida profunda” que vai atingir o próprio administrador delegado sul-africano Paul Nice, que vai para a reforma, devendo ser substituído por um outro compatriota seu, a ser designado ainda.

A nossa fonte acrescentou que o anterior PCA, o engenheiro e antigo docente Casimiro Francisco, cessou funções na semana passada, depois de quase oito anos como PCA do Barclays Bank Moçambique.

Casimiro também já foi administrador delegado da PETROMOC. O Barclays Bank Moçambique é considerado o quarto banco mais importante de Moçambique, quando avaliado em termos de volume de negócios.

A confirmar-se, Luísa Diogo junta(r)-se(-á), assim, a outros pesos pesados da FRELIMO no Barclays Bank Moçambique, dentre os quais pontificam Teodoro Waty (que é igualmente PCA da transportadora aérea nacional de bandeira – as LAM), membro da Comissão Política e antigo administrador do BPD no reinado de Hermenegildo Gamito, e Eduardo Mondlane Júnior, primogénito do primeiro líder da Frente de Libertação de Moçambique, Eduardo Chivambo Mondlane.

Para além desses administradores, na lista dos gestores moçambicanos do Barclays Bank Moçambique figuram ainda António Agnelo Laice e Hermenegilda Tumbo.

Laice é filho do antigo director nacional de Tesouro, António Laice, actualmente assessor do Ministro das Finanças e administrador em representação do Estado moçambicano junto do Banco Islâmico de Desenvolvimento (BID).

Importa referir que Laice é ainda afilhado de casamento de Luísa Diogo e Tumbo está ainda ligada à Associação Moçambicana para o Desenvolvimento Rural (AMODER), uma instituição sem fins lucrativos e que se entrega ao apoio de micro-crédito basicamente fora das cidades.

Com a entrada de Luísa Diogo no Barclays Bank Moçambique, o partido FRELIMO passa(ria) a ter quadros de topo em quase toda a rede bancária moçambicana de referência.

Recorde-se que Mário da Graça Machungo, antigo primeiro-ministro no consulado de Samora Moisés Machel, é hoje PCA do Millennium bim, actualmente considerado o maior dos bancos comerciais.

Tomaz Salomão, antigo ministro dos Transportes e Comunicações e do Plano e Finanças, actual Secretário Executivo da SADC, está nos quadros do Standard Bank SARL – o terceiro mais importante de Moçambique, em termos de volume de negócios, de acordo com a mais recente análise da KPMG, uma empresa de consultoria dirigida (director-geral) pelo também frelimista Filipe Mandlate, jurista e antigo docente.

Analistas atentos à evolução do sector financeiro moçambicano aguardam com elevada expectativa o anúncio do sucessor de Hermenegildo Gamito, outra figura de proa do partido FRELIMO que deixou a presidência do First National Bank (FNB) Moçambique depois de ter sido designado para presidir ao Conselho Constitucional em substituição de um outro “camarada” que de lá saiu precipitadamente depois de se ter envolvido em sucessivos escândalos de diversa índole.

Engana-se quem pense que a FRELIMO está a inovar ao blindar o sistema financeiro do país que dirige – há sensivelmente 36 anos de forma ininterrupta – com os seus quadros. Só para exemplificar com casos de países com os quais Moçambique possui laços fortes: acontece o mesmo, por exemplo, em Portugal (antiga metrópole) e na vizinha África do Sul.

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