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Fotógrafos competem pela foto mais rápida na Olimpíada

Quando o canadense Ben Johnson correu os 100 metros rasos em 9s79, na Olimpíada de Seul-88, a imagem levou uns 90 minutos para chegar às redacções dos jornais.

Domingo passado (5), quando Usain Bolt concluiu a mesma prova em 9s63, as agências de notícias precisaram de menos de três minutos para publicar as primeiras imagens desse feito.

A tecnologia revolucionou a velocidade, qualidade e quantidade de fotos das Olimpíadas, e a passagem para a foto digital desencadeou uma corrida entre os veículos de comunicação para serem os primeiros a colocar as fotos nos sites e iPads, conquistando assim mais leitores e anunciantes.

Com a evolução das câmeras a cada Olimpíada, mais imagens podem ser tomadas por segundo, e as câmeras subaquáticas capturam todos os ângulos nas piscinas.

Em Londres, a oferta fotográfica ficou ainda maior graças às câmeras operadas por controle remoto no tecto das principais instalações, e ao uso de equipamentos que combinam muitas imagens de alta definição, permitindo a visão detalhada da plateia.

As cenas marcantes já deixadas pelos Jogos de Londres incluem flagrantes subaquáticos de Michael Phelps a dar as suas braçadas, o abraço do príncipe William na sua esposa, Kate, no meio da plateia do ciclismo, e as imagens artísticas da Lua cheia subindo no meio dos anéis olímpicos da Tower Bridge.

Elas juntam-se aos outros ícones olímpicos, como os punhos erguidos dos atletas negros John Carlos e Tommie Smith no México-68, as sete medalhas de ouro no peito do nadador Mark Spitz em Munique-72, e o ex-boxeador Muhammad Ali a acender a pira olímpica em Atlanta-96.

Tão importante quanto o conteúdo, porém, é a agilidade. “O desafio para os fotógrafos atualmente é não só conseguir uma boa posição, um bom acesso e uma boa foto, mas colocarem as suas imagens numa plataforma digital assim que possível”, disse Steve Fine, director de fotografia da Sports Illustrated.

“Estamos a derrotar a televisão no seu próprio jogo em termos de notícia e rapidez. É como se os atletas, a mídia e os adeptos estivessem no seu próprio reality show de TV (…). As fotos mostram não só os desportos, mas as lágrimas, os aplausos, toda a cena.”

Revolução tecnológica

Fotógrafos experientes na cobertura de Olimpíadas dizem que a sua profissão mudou radicalmente desde Sydney-2000, quando a tecnologia digital substituiu o filme e acabou com o uso de portadores que levavam a correr os rolos de filme para os laboratórios de revelação.

Agora, os fotógrafos retiram os cartões de memória das suas câmeras, instalam-os nos seus laptops e enviam as imagens para os editores em questão de segundos. Além disso, há as câmeras robóticas, a captarem imagens automaticamente no tecto dos ginásios.

A Sports Illustrated teve, por exemplo, 10 mil fotos do ciclismo para escolher. Duas foram publicadas.

O fotógrafo Andy Hooper, do jornal britânico Daily Mail, quatro Olimpíadas no currículo, disse que esse evento é ?a maratona do fotógrafo dos dsportos”, pois é preciso deslocar-se constantemente, a comer entre uma prova e outra e a suportar dores nas costas. “São duas semanas duras, e é preciso não parar.”

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