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Fome poderá assolar Chemba nos próximos meses

Daqui a três meses, os mais de 63 mil habitantes de Chemba, em Sofala, poderão enfrentar fome, porque as reservas das poucas colheitas feitas pelos camponeses acabarão, criando insegurança alimentar, a partir de Novembro próximo.

De acordo com o jornal Diário de Moçambique, a escassez de comida já começou a ser notada em algumas regiões daquele distrito nortenho de Sofala, tendo o alerta sido feito durante o comício que o governador Carvalho Muária orientou, há dias, no povoado de Cado, que dista a cerca de 70 quilómetros da sede distrital. Augusta Chatala, cidadã que interveio no comício, disse que “estamos mal, porque a comida está a começar a escassear e daqui a algum tempo não teremos nada para comer. A falta de comida deve-se à estiagem que tem assolado o distrito nos últimos anos”.

Gesta Cherene, outra cidadã que falou no comício, afirmou que o distrito de Chemba está a ser ciclicamente assolado pela seca, razão pela qual a produção agrícola não tem tido sucessos. O régulo Novaz enfatizou que “aqui no distrito há muita seca, por isso, a população está a passar mal, por causa de fome, e pedimos ao senhor governador para solucionar o problema”. “A fome não é para brincar. Estamos mal… visto que há acentuada escassez de alimentos, porque não chove no nosso distrito” – comentou Waite Gimo, na altura em que era aplaudido pelos presentes.

O jornal Diário de Moçambique escreve que, em jeito de resposta, o governador de Sofala reconheceu que, realmente, o distrito de Chemba tem sido assolado pela seca nos últimos anos, afectando sobremaneira a produção agrícola. Mas para ele, a solução pode ser encontrada através da venda de cabritos, uma vez que Chemba é potencial criador deste tipo de gado. Disse que os proprietários podem vender em diferentes regiões, como Zambézia, Nampula e mesmo dentro da província de Sofala, para a obtenção de dinheiro para a compra de géneros alimentícios. “Penso que Chemba pode ser um dos que está em primeiro lugar na criação de cabritos, por isso, os habitantes não podem sofrer de fome, porque estes animais não só servem para o consumo, como também para a venda e com o dinheiro podem comprar várias outras coisas, incluindo a comida” – sublinhou Carvalho Muária.

Num encontro com os mutuários do Fundo de Desenvolvimento Distrital, vulgo “sete milhões” de meticais, o governador de Sofala lançou um desafio no sentido de, desde já, começarem a usar o dinheiro para a compra de produtos alimentares para armazenar, de modo a que, quando as reservas se esgotarem, possam revender aos necessitados. “Vamos combinar uma coisa: o distrito de Chemba tem problemas sérios de estiagem, por isso, as colheitas têm sido fracas, mas nós os beneficiários dos sete milhões podemos muito bem resolver a escassez de alimentos, que daqui a pouco começará a ser um problema grave” – solicitou o governador, que foi correspondido por um “sim” dos presentes. Muária sustentou que os alimentos podem ser comprados em diferentes regiões, mesmo dentro da província de Sofala. Segundo o matutino o governador de Sofala disse que ainda bem que “já sabemos que a partir de Novembro haverá fome, pois assim podemos fazer uma melhor preparação, criando as reservas alimentares”.

O informe apresentado pelo administrador distrital, Joaquim Arota, indica que o distrito de Chemba possui 55 mil caprinos. O mesmo documento adianta que a estiagem tem afectado mais de 5.600 famílias, as quais perdem 11.883 hectares de culturas diversas. No entanto, contactado o delegado provincial do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, (INGC), Luís Pacheco, disse que a intervenção do seu sector dependerá dos resultados de um inquérito a ser realizado para apurar do real número de necessitados no distrito de Chemba.

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