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Fogões de serradura e lenha alternativa para famílias de baixa renda

Com vista a minimizar os custos no processo de confecção de alimentos domésticos, algumas famílias sobretudo de baixa renda na Cidade da Beira tem privilegiado o uso de fogões de serradura e lenha que constituem alternativa viável em relação a fogões de carvão vegetal, lenha, gás e eléctrico.

A improvisação desses fogões que não exigem dispêndio na sua aquisição visto serem de fabrico caseiro é impressionante e vala pena apostar na sua massificaçao visto que permite os seus utentes confeccionarem alimentos praticamente a custo zero. Se não vejamos: o próprio fogão pode ser feito por uma lata qualquer sem outra utilidade dependendo do tamanho (pode ser de dois ou até litros) e não exige nenhuma técnica e isso está ao alcance de qualquer família.

A serradura usada também não se compra, geralmente é recolhida junto as lixeiras das serrações. Normalmente são as mulheres e ou crianças que procedem a recolha da serradura no período da tar- de, depois da limpeza das serrações. O seu aproveitamento serve também para evitar a concentração de grandes quantidades desse tipo de lixo nas serrações, constituindo também um ganho para a própria atmosfera que deixa de contar com mais um elemento poluente, sobretudo quando faz vento uma vez que a serradura apresenta-se em forma de partículas muito finas, uma espécie de farinha.

A lenha não precisa ser muita, basta pequenos pedaços de paus ou ramos secos que facilmente podem ser retirados das árvores, reduzindo igualmente pressão a flora, pois deixa de ser necessário o abate de árvores. Os fogões de serradura também não libertam muito fumo, representando menos poluição ao ambiente. Por não libertarem muito fumo também sujam menos as panelas, facilitando a higiene da cozinha.

 De acordo com experiências de algumas famílias utentes desse fogão, abordadas pelo nosso jornal, o seu uso tem permitido sobremaneira poupar dinheiro que acaba servindo para cobrir outros encargos em casa, como por exemplo a compra de alimentos. Consideram igualmente esse tipo de fogão bastante eficiente, justificando que basta a serradura pegar fogo não apaga e nem se gasta facilmente.

 Contaram- nos ainda que uma cozinha com esse tipo de fogão chega a levar menos tempo em relação a outros tipos de fogão. Uma dona de casa residente no Bairro da Manga-Mascarenha, que disse chamar-se Maria Inês, disse-nos que esse tipo de fogão tem trazido enormes vantagens a sua família, pois ajuda a poupar recursos. Referiu que quem prepa- rou o fogão foi o seu marido e disse que tendo assistido o processo ela própria está em condições de fazer também. Revelou que algumas vezes tem sido ela própria quem vai recolher a serradura e outras tem sido as filhas na companhia de suas amigas vizinhas quando regressam da escola.

Disse que desde que descobriram o uso desse tipo de fogão, deixaram por exemplo comprar carvão que era o combustível que vinham usando, recordando que um saco de carvão em alguns períodos do ano chega a ser vendido por duzentos a duzentos e cinquenta meticais, e não dura mais de duas semanas. Um fogão de carvão, refira-se, também chega a custar o mesmo preço. Alem disso o uso intensivo de carvão vegetal impulsiona a devastação florestal, pois a sua produção é com recurso a troncos de árvores que acabam sendo abatidas de forma discriminada para alimentar essa indústria.

Maria Inês disse, no entanto, ser uma pena que esse tipo de fogão na sua maioria é usado apenas por famílias que residem próximo as serrações. Disse que no seu bairro residencial existem pelo menos duas serrações.

 FOGÃO DE CARVÃO MAIS USADO DEVIDO A FACTORES CULTURAIS

 Entretanto, numa ronda efectuada pela nossa reportagem junto de várias famílias residentes nos diversos bairros da Cidade da Beira, incluindo mesmo aqueles considerados de elite, constatamos que o fogão de carvão é o mais usado. Quase todas famílias visitadas pela nossa reportagem, num universo de cinquenta nos bairros da Manga- Mascarenha, Passagem de Nível, Alto da Manga, Pioneiros, Matacuane, Macurungo, Ponta-Gea, Palmeiras e Macúti constatamos que possuem fogão de carvão e todas elas tinham alguma quantidade desse tipo de combustível em stock.

Quando questionadas da importância que dão ao fogão de carvão em detrimento de outros tipos de fogões, algumas famílias responderam que é uma questão de habito da acessibilidade do próprio carvão no mercado. Lúcia Margarida, residente no Bairro de Matacuane, docente de profissão, disse que na sua casa sempre usaram carvão, justificando por vários factores.

O primeiro referiu-se ao preço acessível do próprio fogão no mercado, que tal como referimos anteriormente, um de uma boa ronda duzentos a duzentos e cinquenta meticais e a facilidade do seu manuseamento. Em segundo lugar disse que o carvão é mais fácil adquirir do que outro tipo de combustível, indicando que no seu bairro a semelhança do que acontece em quase todos existem estaleiros de venda de carvão que nunca esgotam. Disse também que mesmo que a pessoa não consiga comprar um saco de carvão, existem em abundância indivíduos que vendem carvão a molho, até de cinco meticais cada, uma quantidade suficiente para confeccionar algum alimento.

Suzete Costa, residente nas Palmeiras, contou-nos que o fogão de carvão foi sempre importante na sua casa, sobretudo nas alturas em que não havia gás no mercado e o fornecimento de energia eléctrica era feito com bastante irregularidade. Katija Ussene, residente na Ponta-Gea, afirmou por seu turno que a sua família usa bastante o fogão de carvão para fazer grelhados.

O fogão de carvão geralmente é fabricado de metal ferro. A sua durabilidade, quando o seu uso for intenso, chega a levar seis meses, mas quando não muito pressionado pode durar mais. Os utentes desse tipo de fogão lamentam, entretanto, a subida constante e galopante do custo de carvão no mercado, a ponto de algumas famílias não terem certeza se é mais viável usar esse tipo de fogão ou de gás e ate mesmo eléctrico.

FAMÍLIAS PREFEREM FOGÃO A GÁS E ELÉTRICO DEVIDO A SUA COMPLEXIDADE, FRAGILIDADE E ONEROSIDADE

 Quanto aos restantes dois tipos de fogões cujo uso também é significativo pelo menos na zona urbana da Cidade da Beira, referimo-nos nomeadamente aos fogões de gás e eléctrico, muitas famílias do universo contactado pelo nosso jornal afirmaram estar a preterir esse tipo de fogões devido a sua complexidade, fragilidade e onerosidade. Em relação a fogão de gás, as famílias afirmaram que esse tipo e pouco perigoso sobretudo numa casa onde existem muitas crianças.

“O gás requer muito cuidado senão pode provocar desgraça na família” – afirmou Joana Low, residente no Macúti, referindo- se a perigos de explosão quando mal manuseado. No entanto, ela reconheceu tratar-se de um tipo de fogão mais rápido e higiénico, apenas exige muita atenção. Por seu turno, Antonieta Pacheco, residente no Macurungo disse que outro grande problema em relação a esse tipo de fogão e o facto de ser vendido a preço alto, chegando a custar cinco mil meticais por cada unidade.

Outro senão por ela apontado tem a ver com o facto de algumas vezes o gás escassear no mercado. Uma botija de gás custa aproximadamente seiscentos meticais. Em relação a fogão eléctrico, é consenso por parte das famílias por abordadas pelo nosso jornal que o seu uso é bastante oneroso, devido o elevado custo de energia eléctrica. Também indicaram que os fogões que ultimamente aparecem no mercado não oferecem tanta garantia, são muito frágeis, ou seja, passado pouco tempo deixam de aquecer o normal e quando é assim gastam maior quantidade de energia por permanecerem durante muito tempo ligado.

Um kWhr de energia custa aproximadamente três meticais ao preço actualmente praticado pela EDM, e uma dona de casa disse-nos que no mínimo precisa de dez kWhr para confeccionar uma refeição normal para o mínimo de cinco pessoas.

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