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Fidel Castro era mestre de espionagem e enganou os EUA, revela um livro

Por quase três décadas depois de Fidel Castro ter tomado o poder, o serviço de inteligência de Cuba colocou em campo quatro dezenas de agentes duplos numa operação de nível mundial debaixo do nariz da CIA, de acordo com um novo livro escrito por um analista veterano da agência de inteligência dos Estados Unidos.

Foi apenas em junho de 1987, quando um espião cubano desertou para a Embaixada dos EUA em Viena que a CIA descobriu quão terrivelmente tinha sido enganada, escreveu Brian Latell, um analista veterano aposentado da CIA e especialista em Cuba.

“Castro foi um supremo e incontestado mestre da espionagem”, disse Latell a uma audiência num livro de leitura recente.

As revelações do livro de Latell ajudam a explicar como Castro sobreviveu a várias tentativas de assassinato bem documentadas e como a ilha empobrecida de Cuba resistiu às mudanças que derrubaram outros regimes comunistas no final do século 20.

“Nos anais da espionagem moderna é uma realização extraordinária. É difícil manter um agente duplo em campo, e ele gerenciou todos eles … até os mínimos detalhes”, acrescentou Latell, autor de “Castro’s Secrets, the CIA and Cuba’s Intelligence Machine”, publicado pela Palgrave Macmillan.

Latell começou a observar Cuba nos meados dos anos 1960 e atuou como Diretor Nacional de Inteligência dos EUA para a América Latina antes de aposentar-se da CIA em 1998.

Todos os agentes duplos foram recrutados em Cuba e noutras partes do mundo e comandados pessoalmente por Castro. Ele favoreceu jovens, adolescentes impressionáveis sem uma educação universitária.

“Castro queria que eles não fossem contaminados pela velha Cuba. Ele queria que eles fossem maleáveis e entusiasmados”, disse Latell.

Enquanto Cuba alardeou o seu sucesso com agentes duplos no passado, o livro de Latell mostra que a penetração era mais extensa do que se sabia anteriormente, e comprometia as fontes e métodos de inteligência dos EUA.

A deserção em 1987 de Florentino Aspillaga finalmente alertou a CIA para a extensão da rede de espionagem de Fidel Castro.

“Eles estavam num estado de choque. Nada parecido com isso havia acontecido connosco antes”, diz Latell.

Aspillaga era “o oficial mais informado e mais bem condecorado a desertar da inteligência cubana”, conta Latell, e a sua deserção foi um ponto de virada na atitude da CIA em relação a Cuba.

“Até aquele momento, nós subestimávamos os cubanos. Nós nunca imaginamos que a pequena Cuba poderia executar um serviço de inteligência que era de nível mundial”, diz ele.

As operações de contra-inteligência foram posteriormente reforçadas. Depois de apenas quatro espiões cubanos terem sido presos entre 1959 e 1995, esse número aumentou mais de dez vezes entre 1998 e 2011, Latell escreve no seu livro.

Aspillaga foi recrutado como espião aos 16 anos e passou 25 anos na inteligência cubana. A sua deserção forneceu “alguns dos segredos mais preciosos, incluindo os agentes duplos”, diz Latell, que entrevistou-lhe durante vários dias em 2007.

A entrevista foi realizada a pedido de Aspillaga, que disse que simplesmente queria contar a sua história. Aspillaga também compartilhou um livro de memórias inédito com Latell, sem pedir qualquer pagamento ou favor em troca.

O ex-agente vive agora com uma nova identidade depois de sobreviver a uma tentativa de assassinato em Londres, em 1988.

Aspillaga é apenas um de uma dezena de desertores que Latell entrevistou no livro, que conta com milhares de páginas de documentos desclassificados da CIA que o autor revisou no Arquivo Nacional, em Maryland, bem como entrevistas com vários agentes da CIA.

No livro, Latell revela que a inteligência cubana sabia mais sobre o assassinato em 1963 do presidente John F. Kennedy do que admitiu na época, incluindo informações sobre o atirador, Lee Harvey Oswald.

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